Mães garantem: pais de hoje estão mais participativos

Eles realizam tarefas que, antes, eram consideradas papel só delas

Foto: Priscila De Martini

Encontrar um pai em um fraldário era raro. As visitas ao pediatra eram, sobretudo, tarefa da mãe. Comprar roupas para o pimpolho? Eles não encaram as lojas nem para si próprios, a mulher bem que pode ficar com essa incumbência também.

Embora os pais de antigamente também amassem os filhos, as mamães garantem: os de hoje estão bem mais participativos.

– Digo para o meu marido que ele é melhor que muita mãe por aí. Com a Isadora, a única coisa que ele não fez foi amamentar (vá que futuramente até isso vão poder). No mais, faz tudo. Vejo maridos de amigas também, pais ativos! Pudera, né? Nós, mulheres, também estamos fazendo muito mais coisas do que no tempo de nossas mães. Nada mais justo do que poder contar com o pai de nossos filhos – disse Renata da Silveira Gomes Dias sobre o papai Ricardo Gomes Dias, em enquete lançada no blog do Meu Filho na semana passada.

Para ver isso na prática, a reportagem saiu às ruas para flagrar esses pais participativos. Confira o que a gente encontrou.

Tem de trocar fralda

O eletricitário Leandro Becker, 33 anos, entrou sem cerimônias no fraldário e colocou o filho, Pedro Gabriel Bonamigo Becker, um ano e 10 meses, no balcão. Pediu uma fralda, tirou a suja, limpou o bumbum do pimpolho – tudo como manda o figurino (e com agilidade). Alguns minutos depois, chegou a mulher, Fabiana Becker, 38 anos.

– Ela foi no banheiro e aproveitei o tempo – explica o pai.

Fabiana comenta que o marido sempre foi participativo, desde o nascimento da primeira filha, Vittória, nove anos.

– Não tem nada melhor – diz Becker.

– Ele só não troca cocô – entrega Fabiana.

Tem de passear

Pelos corredores, avistamos o açougueiro Everaldo Bizotto, 38 anos, de mãos dadas com a filha, Giovanna Leal Bizotto, seis anos. De folga, ele preferiu passar o dia com a menina a deixá-la na escolinha. Os dois aproveitaram a tarde fria para passear no shopping – algo que ele não costumava fazer com o pai.

– No meu tempo era bem diferente – diz Bizotto.

Tem de comprar

Em uma loja, encontramos o publicitário Carlos Augusto Prestes, 50 anos, calmamente escolhendo, sozinho, roupinhas para seu único filho, Davi Fagundes Verch da Rosa Prestes, um ano. Ele garante que não foi um pedido da mulher: como estava no shopping para fazer outras coisas, decidiu incrementar o guarda-roupa do pequeno. E diz que não é a única coisa que faz.

– Troco fralda, faço comida, dou comida, boto para dormir, dou banho… E adoro – afirma.

Tem de ir ao pediatra

O arquiteto Ângelo Braghirolli, 57 anos, não teve outra opção além de botar a mão na massa quando nasceram os gêmeos Carlos e Miguel, hoje com sete meses. Acorda todos os dias às 6 horas para dar mamadeira e não falta às consultas ao pediatra, onde a reportagem o encontrou na quarta-feira passada.

– Adoro. Achava que era um e vieram dois. Agora, tenho de aproveitar – diz.

Braghirolli terá um intensivo de paternidade: vai tirar licença-prêmio do trabalho por três meses para cuidar dos filhos porque a mulher, Luisa Duran, 24 anos, voltará a dar aulas na Faculdade de Arquitetura da UFRGS. Nada que o paizão não encare com prazer.

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