Maneirar no sal ajuda a reduzir riscos de problemas de saúde

O brasileiro ingere 12g de sal por dia, mas o ideal é a metade

Tempere a salada com outros condimentos que não seja o sal
Tempere a salada com outros condimentos que não seja o sal Foto: Domingos Salerno, Abrasel

Tudo parecia estar bem. Os níveis de colesterol se mantinham dentro do normal, a saúde não dava sinais de problemas e a vida seguia sem sobressaltos. Seguia. Até que um infarto chegou de repente e pegou Antônio Grecca, 60 anos, de surpresa. Como um susto desses pode atingir uma pessoa saudável?

A explicação pode estar em um gesto comum a qualquer brasileiro: colocar pitadas de sal na comida. O tempero em excesso no organismo tem efeitos maléficos e aumenta a pressão sanguínea, podendo provocar doenças cardíacas graves.

– Não tinha histórico da doença, nem sabia que era hipertenso. Acredito que a ingestão de sal foi um fator determinante que resultou no infarto – diz Grecca.

Agora, ele se dedica a exercícios físicos, redobrou a atenção com a alimentação e, claro, reduziu a quantidade de sal. O novo comportamento de vida não deve ser seguido apenas por Grecca, mas por qualquer pessoa, saudável ou não. Uma pesquisa americana recente, publicada no New England Journal of Medicine, mostrou que uma pequena alteração no hábito alimentar pode evitar milhares de mortes. Segundo o estudo, o corte de meia colher de chá de sal por dia evitaria até 92 mil mortes por ano nos Estados Unidos.

A pesquisa é relevante também para o Brasil, onde o consumo do tempero é bem acima do recomendável. Em média, o brasileiro ingere diariamente 12 gramas de sal, quando o ideal é, no máximo, a metade.

– Sabemos que é um veneno para a pressão arterial. É pior que o estresse, o esforço, o frio – afirma Jorge Ilha Guimarães, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

De acordo com o médico, a redução do sal precisa ser encarada como uma atitude inadiável. No Brasil, são registradas mais de 300 mil mortes por ano como resultado de eventos cardíacos. Só que, para frear o consumo do tempero na alimentação, os especialistas esbarram em um desafio gigante: a mudança de hábito.

– Mudar o estilo de vida é uma das maiores encrencas que enfrentamos, mas precisamos iniciar essa luta logo. O problema do sal é uma questão epidemiológica – acredita o cardiologista Pedro Pimentel Filho.

Vilões
Temperos prontos, mostarda, molhos para salada, congelados, churrasco, embutidos e até o pão doce têm sal na sua composição.

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