Manual traz recomendações sobre os cuidados a serem tomados em viagens de avião

"Doutor, Posso Viajar de Avião?" aponta contraindicações e recomendações a passageiros, médicos e tripulantes, principalmente sobre doenças pré-existentes

Não é recomendável a viagem de avião para pessoas com infecções pulmonares contagiosas, por exemplo
Não é recomendável a viagem de avião para pessoas com infecções pulmonares contagiosas, por exemplo Foto: Divulgação

Posso viajar de avião se estou com conjuntivite ou depois de me recuperar de um infarto? Com quantas semanas de gravidez não posso mais fazer viagens aéreas? Essas e outras perguntas são respondidas no manual “Doutor, Posso Viajar de Avião?”, elaborado pela professora Vânia Elizabeth Ramos Melhado e pelos alunos integrantes da Liga de Medicina Aeroespacial da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. São recomendações aos passageiros, médicos e tripulantes sobre os cuidados a serem tomados antes e durante os voos, tendo em vista, principalmente, as doenças pré-existentes.

Contraindicações e recomendações:

:: Sinusite

– A sinusite aguda ou crônica é uma contraindicação ao voo por ser uma infecção e pelo risco de obstrução do seio nasal. Pode levar a complicações no momento do pouso ou se houver uma despressurização.

– No caso de voar nessas condições, o passageiro pode sofrer enxaqueca severa, dor facial, nos olhos ou no sistema nervoso central, além de sangramento nasal.

:: Infecções pulmonares

– Não é recomendável a viagem a passageiros com infecções pulmonares contagiosas (tuberculose e pneumonia), pois podem ocorrer agravamento dos sintomas, complicações durante e depois do voo e risco de disseminação da doença entre os outros passageiros.

– Para voar, o viajante deve estar com melhora dos sintomas, sem febre e com função pulmonar adequada. Tratando-se de tuberculose, além da melhora clínica, deve-se ter o resultado do exame de bacilos negativo.

:: Otite

Infecções ativas e cirurgias recentes são contraindicações para o voo.

:: Rinite

– Devido à exposição aos fatores desencadeantes no pré-voo e dentro do avião, aconselha-se o uso de anti-histamínicos e corticoides. Se em crise, considerar o adiamento da viagem.
– Durante o voo, pode-se também umidificar a mucosa nasal com soro fisiológico e usar  descongestionante nasal antes do pouso, para evitar a dor causada pelo aumento da
pressão dentro da orelha.

:: Doenças cardiovasculares

– Infarto não complicado: aguardar de duas a três semanas
– Infarto complicado: aguardar seis semanas
– Angina instável: não deve voar
– Insuficiência cardíaca grave e descompensada: não deve voar. Se moderada, verificar com o médico se há necessidade de suporte de oxigênio.
– Revascularização cardíaca: aguardar duas semanas
– Taquicardia ventricular ou supraventricular não controlada: não voar
– Não há contraindicações para quem tem marca-passos e desfibriladores implantáveis.
– Carregue um eletrocardiograma recente e avise a companhia aérea sobre necessidades especiais de alimentação, oxigênio ou cadeira de rodas.

:: Acidente vascular cerebral (AVC)

– O paciente precisa aguardar entre quatro e 14 dias para viajar.

:: Distúrbios psiquiátricos

– Pessoas com transtornos psiquiátricos e cujo comportamento seja imprevisível, agressivo ou não seguro não devem voar.
– Aqueles com distúrbios psicóticos estáveis com uso de medicamentos e acompanhados por um conhecido podem voar.

:: Conjuntivite

– É uma contraindicação ao voo durante o período infectante.

:: Epilepsia

– A maioria dos epilépticos pode voar desde que estejam usando a medicação. Aquelas pessoas que têm crises frequentes devem viajar acompanhados e estarem cientes de fatores desencadeantes como fadiga, refeições demoradas, hipóxia e alteração do ciclo circadiano.
– Recomenda-se esperar 24-48h após a última crise antes de voar.

:: Bronquite crônica e enfisema

– Esses viajantes devem buscar orientação médica especializada para realizar testes que verificam se há necessidade de suporte de oxigênio
durante a viagem.

:: Anemias

Níveis de hemoglobina abaixo de 8,5 mg/dl, associados à diminuição da pressão de oxigênio durante o voo, podem levar ao aparecimento de escotomas e à perda de consciência. Recomenda-se o uso de suporte de oxigênio.

:: Pós-operatório

– Depende muito da cirurgia que o paciente realizou.
– De pneumotórax, por exemplo, deve-se esperar de duas a três semanas para viajar.
– Já em caso de laparoscopia, o voo pode ocorrer após 24 horas, desde que os sintomas de distensão estejam ausentes.

O que fazer em caso de:

:: Gesso e fraturas

– Por razões de segurança, algumas companhias aéreas exigem que passageiros com gesso em membro inferior, indo até acima do joelho, viajem de maca. Como alternativa, esses passageiros podem comprar um assento extra ou viajar em classe executiva ou 1ª classe.

– Fraturas instáveis ou não tratadas são contraindicações de voo.
Como uma pequena quantidade de ar fica presa no gesso, aqueles feitos entre 24-48 horas antes da viagem devem ser bivalvulados, para evitar compressão, principalmente em voos longos.

:: Gravidez

– No caso de a gestante apresentar dores ou sangramento antes do embarque, a viagem deve ser evitada.
– Se há história de atividade uterina aumentada ou partos prematuros anteriores, evitar viagens longas.
– Em condições que comprometem a oxigenação da placenta, deve ser avaliada a necessidade de suporte com oxigênio.
– A partir da 36ª semana de gestação, a mulher necessita de uma declaração do seu médico permitindo o voo. Em gestações múltiplas, a declaração deve ser feita após a 32ª semana.
– A partir da 38ª semana, a gestante só pode embarcar acompanhada dos respectivos médicos responsáveis.
– Não há restrições no pós-parto para a mãe, mesmo de imediato.
– No entanto, deve-se adiar a viagem do recém-nascido para depois da primeira semana de vida, devido às várias transformações pelas quais o bebê passa e a fragilidade dele nesse período.
– A gestante deve evitar dieta produtora de gases nos dias anteriores à viagem e compensar anemias pré-existentes.
– Durante o voo, ela deve manter constantemente o cinto afivelado sobre a pelve, evitando choques na barriga, que são especialmente perigosos no terceiro trimestre de gestação.
– Em voos com duração maior de quatro horas, recomenda-se exercícios leves com as pernas, para evitar a imobilidade prolongada.

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