Maquiagem para as pequenas, só se for de brincadeira

Além dos cuidados com os efeitos psicológicos, é necessário proteger a pele das crianças

Foto: Ado Henrichs

Crianças adoram imitar a mãe e usar maquiagem, esmaltes e outros cosméticos. Mas os dermatologistas alertam: esse tipo de produto tem de ser feito especialmente para elas e contar com o aval da Anvisa.

Meninas que querem se embelezar antes da adolescência não precisam mais usar emprestados os produtos da mãe. As pequenas já contam com uma vasta linha de cosméticos infantis, com cores e efeitos desenvolvidos para elas. Mas, por brincadeira ou vaidade, o uso de maquiagem deve ser acompanhado de perto pelos pais.

Segundo a psicóloga e pedagoga Penélope Ximenes, o interesse pela maquiagem se inicia por volta dos três anos, quando a criança começa a seguir o modelo dos pais:

– Quanto mais vaidosa for a mãe, maior a possibilidade de a criança ter esse interesse. A maquiagem representa a possibilidade de ser a mãe, de entrar no mundo adulto.

Embora o uso ocasional de cosméticos a partir dessa idade de descobertas não seja prejudicial, o hábito pede uma atenção especial dos pais. O interesse pela produção do visual é saudável apenas como uma brincadeira, não como um hábito diário. Nesse caso, a maquiagem pode ser sinal de um comportamento exagerado, que leve à queima de etapas no desenvolvimento pessoal.

– Os cosméticos são apenas a ponta do iceberg. A atitude ideal seria impor limites sobre o uso da maquiagem, pois não é uma necessidade básica da criança – aconselha Penélope.

Além dos cuidados com os efeitos psicológicos desse ensaio para a vida adulta, é necessário proteger a pele das crianças – mais sensível que a de uma pessoa completamente desenvolvida. Os cosméticos destinados ao público infantil devem obedecer às normas estipuladas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Entre essas regras estão as exigências de que sejam facilmente removíveis com água e sabão e contenham ingredientes que levem em conta possíveis casos de ingestão acidental.

– Os componentes da maquiagem infantil são praticamente os mesmos dos adultos, mas com eventuais diferenças nas concentrações ou substituições de alguns tipos de conservantes e corantes – esclarece a dermatologista Flávia Addor.

Embora a diferença entre os dois produtos não seja significativa, o uso contínuo de cosméticos para adultos pode criar um risco maior de sensibilização da pele.

A Anvisa também recomenda que a aplicação desses produtos em menores de cinco anos seja feita exclusivamente por adultos ou supervisionada por eles. Crianças muito pequenas não podem ser deixadas desacompanhadas com o cosmético, principalmente em idade pré-escolar, quando não têm discernimento sobre o uso correto de maquiagem.

– O cheiro agradável aumenta o risco de ingestão. Outros riscos são o contato acidental ou a aspiração, que podem causar infecções – alerta Flávia Addor.

Maquiagens de crianças devem ter cadastro na Anvisa como cosméticos, e não como brinquedos. Esse tipo de produto usa ingredientes que apenas simulam uma maquiagem, e seus efeitos na pele adulta ou infantil não foram testados em laboratório.

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