Marcelo Rosenbaum: “O brasileiro não mora bem”

Estrela do quadro Lar Doce Lar, do Caldeirão do Huck, fala sobre nosso jeito de viver

Foto: Diorgenes Pandin

A brasilidade se sobressai nas peças criadas por Marcelo Rosenbaum, há 20 anos no comando de escritório próprio e estrela da 7ª temporada do quadro Lar Doce Lar, do programa Caldeirão do Huck o que faz dele o arquiteto mais popular do Brasil. De passagem por Joinville, Rosenbaum conversou com Donna.

Donna – Qual é o seu conceito de morar bem?

Marcelo Rosenbaum – É tão simples e, ao mesmo tempo, complexo. O brasileiro não mora bem, morar bem é ter um teto, ter uma casa sem bolor, com ventilação e ter cama para todo mundo. Eu não falo nem da privacidade, da individualidade, porque porta numa casa, no Brasil, é um item de luxo. Os projetos feitos pelo governo, como o Minha Casa, Minha Vida, isso ainda não é morar bem, as pessoas têm proteção, o status da alvenaria, do telhado, mas, em alguns lugares, elas não conseguem morar nas casas que constroem porque são tão quentes que acabam fazendo uma cabaninha do lado, para refrescar-se.

Donna – Como você descobriu o design?

Rosenbaum – O design sempre fez parte da minha vida. Meu pai é judeu, filho de um alemão e uma russa, e minha mãe é católica, com pai português e mãe italiana, ou seja: isso é design da construção de uma nação, de uma mistura que dá certo.

Donna – Como é desenvolver projetos novos depois de anos à frente do quadro Lar Doce Lar?

Rosenbaum – Estamos na sétima temporada e costumo dizer que esse quadro é uma bênção. Sempre foi meu sonho trabalhar com a classe popular, com o desejo da classe popular. Não adianta vir com referência de uma estética burguesa, europeia, se você vai hoje a uma loja de móveis populares e só vê brilhos e gomos. Meu desafio é entender esse comportamento desta classe, entrando na casa dela através do Lar Doce Lar, mexendo na vida das pessoas. É muita responsabilidade.

Donna – Qual é a importância do programa para você?

Rosenbaum – É gigante. Hoje sou uma pessoa popular, sou reconhecido em qualquer esquina do Brasil. Isso para o meu trabalho é muito importante, mas eu tento usar como um compromisso. Todos temos obrigações enquanto designers, enquanto profissionais. O design transcende um objeto, o design não precisa ser só um copo, o design são as relações também: é você desenhar uma nova vida por meio do belo, levar beleza e bem-estar para o universo das pessoas.

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