Mario Queiroz: O gênero fashion

Desfile da coleção inverno 2009 do estilista na São Paulo Fashion Week
Desfile da coleção inverno 2009 do estilista na São Paulo Fashion Week Foto: Jefferson Botega

O estilista Mario Querioz estará em Caxias do Sul na próxima na sexta-feira, para lançar o livro O Herói Desmascarado – A Imagem do Homem na Moda, às 19h, na Livraria Saraiva do Shopping Iguatemi. Depois, às 20h, participa de encontro de moda na Ferraro, que passará a distribuir suas coleções na serra gaúcha.

Há 14 anos pensando em moda masculina no Brasil, Queiroz concebe o homem contemporâneo despido de preconceito e vestido de informação.

Pergunta – Em seu livro você analisa o masculino na moda a partir da figura do herói. Na contemporaneidade, o herói está nu ou como tem se vestido?
Mário Queiroz –
 O livro quer mostrar o quanto os homens se mascaram atrás de roupas que são padronizadas, que parecem uniformes. Percebi na pesquisa o quanto este quadro é próprio do final do século 19 até hoje. E, claro, se justifica por uma série de  acontecimentos históricos, que acabam marcando nossa cultura ocidental. Duas grandes marcas deste período que fizeram o homem engessar sua imagem foram as Guerras e a Aids.

Pergunta – Atualmente a moda tem sido melhor assimilada pelos homens?
Queiroz –
 Primeiro é importante lembrar que o homem sempre foi tão vaidoso como as mulheres. Neste início de novo milênio, pudemos perceber transformações. O homem de hoje percebe o quanto a moda é sua aliada tanto profissionalmente quanto na vida pessoal. Temos uma nova geração menos preconceituosa. Quem ajudou também a abrir espaço para que o homem se interessasse pela moda novamente foi o futebol: temos jogadores que introduziram novos cortes de cabelo e tinturas, lançando novas tendências de vestir. Além, é claro, da música e de outros astros famosos.

Pergunta – Como a moda tem olhado para o universo masculino?
Queiroz –
Com mais atenção. As marcas masculinas buscam mais inovações. Fábricas que antes não se interessavam por este segmento passaram a lançar coleções para homens. É importante entendermos que não existe “uma” moda masculina, mas várias. Não é preciso que todas as marcas façam moda mais ousada, mas são imprescindíveis as opções. Espero que possamos chegar a um momento em que o homem encontre muitas opções, por enquanto ainda vemos uma grande uniformização. Às vezes passeando por um shopping se tem a impressão que as roupas das diferentes lojas são todas iguais.

Pergunta – Que conceitos você tem conseguido imprimir na moda que tem feito?
Queiroz –
 A marca faz 14 anos e ouvi algo muito bacana de um jornalista: “em todo este tempo, você não fez concessões”. Optei em fazer moda para homens que gostam de moda. Em algumas coleções, fui mais ousado, em outras mais contido. Não me preocupei em criar peças “que vendam”. No meu entender, estes são argumentos daqueles que copiam marcas estrangeiras. Procurei oferecer cor, novas formas, novos tecidos. O que percebo é que não podemos classificar nosso público por idade, profissão ou opção sexual, argumento de nossa cultura, discriminado o homem que expõe sua vaidade.

Pergunta – As vítimas da moda são mais recorrentes no universo feminino ou o fenômeno alcança os dois sexos?
Queiroz –
 Acho que há os fashion victims nos dois gêneros, acho eles divertidos. Chatos mesmos são aqueles que além de ser muito caretas na hora de se vestir ainda ficam criticando quem gosta de experimentar. Aqueles que vêem a frente, avant-gard ou vanguarda, sempre são os primeiro a “dar a cara a bater”, são criticados e tempos depois a massa está usando tudo aquilo que criticou.

Pergunta – Qual a medida de inovação e de acomodação da semanas de moda brasileiras?
Queiroz –
 Nas semanas de moda no Brasil se apresentam marcas de grandes distribuições e também as de pequenas distribuições. Talvez esta seja a maior medida para inovação e acomodação, porque para os grandes o medo do risco com certeza é maior. O que ainda se percebe também é uma grande diferença entre o que estas grandes marcas apresentam na passarela e o que é realmente vendido.

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