Maturidade na rota do consumo: em razão da longevidade, o mercado precisa pensar mais nesse grupo

Eles já chegaram ou passaram dos 60 anos, mas desejam ainda aproveitar bem a vida

Respeito e dignidade para pacientes de Alzheimer faz bem, reforça a pesquisa
Respeito e dignidade para pacientes de Alzheimer faz bem, reforça a pesquisa Foto: Caio Cezar

Eles já chegaram ou passaram dos 60 anos, mas desejam ainda aproveitar bem a vida. E não só com lazer. Querem prosseguir produzindo e ajudar em ações sociais e profissionais. Os idosos de hoje integram uma engrenagem de consumo que tende a crescer nas próximas décadas. No país, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes a 2000 (os dados de 2010 ainda não foram computados), existiam cerca de 15 milhões de pessoas a partir dos 60 anos. Em Caxias, somavam cerca de 42 mil habitantes.

A tendência a uma vida mais longa, com a ampliação da expectativa para 73,2 anos, tem começado a mobilizar poder público e setores privados na articulação de infraestrutura e de serviços. Mas ainda há muito a fazer, destacam os especialistas, cutucando empresas e profissionais a apostarem no segmento. A gerontóloga e coordenadora da Universidade da Terceira Idade da Universidade de Caxias do Sul (UCS), Isabel Marrachinho Toni, observa que os idosos de hoje perfazem um nicho de mercado ávido para gastar. Entretanto, as condições ofertadas a eles não são as ideais. O censo de 2000 aponta que a renda média do idoso, à época, estava em R$ 657 e 62,4% do total desse público no país era responsável pelos domicílios.

? Os idosos estão prontos para ocupar os espaços sociais, mas os espaços sociais não estão prontos para recebê-los. No comércio, o autoatendimento não funciona com os mais velhos. Eles querem alguém que lhe dê atenção, explique melhor sobre o tecido e ofereça uma roupa atualizada e confortável ? constata.

Isabel nota que diversos restaurantes colocam mesas muito próximas, dificultando o trânsito dos idosos entre elas. A hotelaria e o turismo da região também não estariam dispondo de estruturas e serviços adequados. Conforme ela, as ações em torno do envelhecimento são recentes, por isso, é momento de aprendizado e as melhorias estão engatinhando. Em relação às áreas da saúde, como hospitais, planos e academias, ela vê sensível evolução.

A presidente do Conselho Municipal do Idoso, Maria Luiza Bongiorni Bedin, acredita que está havendo certa atenção com os mais velhos, mas é possível avançar mais, avalia. Na comparação com outros municípios, Caxias é tida como cidade que se preocupa com o idoso, percebe.

O Pioneiro foi em busca de ofertas para a melhor idade. Na prefeitura e na Câmara de Dirigentes Lojistas de Caxias (CDL), não há cadastro de lojas especializadas. O que existem são serviços ou produtos oferecidos a esse público dentro de um estabelecimento ou negócio maior.

Olhar diferenciado

Ao perceber que as pessoas acima de 50 anos desejavam fazer atividades sociais, artísticas e físicas, o Serviço Social do Comércio (Sesc) de Caxias lançou um leque de opções. O Clube Sesc Maturidade Ativa é uma delas. Para participar, a pessoa tem de ter mais de 50 anos e disposição para ações sociais. A entidade oferece ainda ginástica e bailes.

? As ações voltadas a esse público exigem olhar e cuidados específicos ? frisa a agente de cultura e lazer do Sesc, Fabiana Matzenbacher Delanoy, considerando os desejos e limites que alguns idosos apresentam.

Os 87 clubes de mães de Caxias têm várias idosas participantes e procuram articular ações para ajudá-las a se envolver socialmente. A presidente da Associação de Clubes de Mães de Caxias, Marlene Panazzolo, informa que atividades de recreação, turismo e artesanato são oferecidas na cidade, mas nem todas as mamães se dispõem a participar.

Líder da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Caxias, Jorge Leite diz que as ações gratuitas, como passeios e esportes, têm dado “alegria aos velhinhos”. No entanto, ele lembra que diversos idosos ainda enfrentam dificuldades financeiras, pois os planos de saúde e remédios são caros e pesam no orçamento.

Elas investem em saúde, bem-estar e beleza

Ginástica, passeios, remédios, cuidados com a beleza movimentam um grupo de mulheres da Ginástica para Maturidade Ativa do Sesc. Dinorá Guimarães, 82 anos, investe R$ 32 mensais nas aulas, que ocorrem três vezes por semana.

? Isso aqui é o meu maior remédio. Não posso ficar sem ? afirma.

A aposentada Julieta Fagundes, 79, não se limita à ginástica. Vai além: faz também musculação duas vezes por semana. Ela reserva, em média, R$ 200 mensais só para cuidar do corpo.

? Compro creme, hidratante e maquiagem. Quando não encontro na cidade, mando trazer o produto de fora ? relata.

Teresinha Boff Ricardo, 70, conta que sua vontade é viver bem a vida, ao lado da filha e da neta. Para isso, ela não se priva:

? O que ganho, não guardo, gasto. Gosto de passear. O importante é estar bem.

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