Médicos defendem o uso de hormônio natural no tratamento de reposição durante a menopausa

Tratamento proporciona melhoras às mulheres, mas exige uma série de cuidados

Pele acumula sujeira e células mortas que devem ser removidas
Pele acumula sujeira e células mortas que devem ser removidas Foto: Divulgação

Uma pesquisa que durou 11 anos com 6 mil mulheres a partir de 40 anos, feita no Setor de Climatério do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), mostra que a maioria esmagadora delas tem sintomas de desequilíbrio hormonal, o que afeta a qualidade de vida. Na fase que antecede a menopausa, 68,13% estão acima do peso ou são obesas; e 81,5% têm algum problema de saúde, como hipertensão (44,94%) e diabetes (10,01%). A reposição hormonal nesses casos traz bem-estar, mas exige uma série de cuidados. Este foi um dos temas do Congresso Internacional de Ginecologia e Obstetrícia, encerrado ontem no Rio.

Os resultados do estudo da USP (com apoio da Bayer Schering Pharma) mostram que, no Brasil, a faixa etária média de ocorrência da menopausa – o fim da produção dos hormônios estrogênio e progesterona pelos ovários – é de 48 anos. E, com o aumento da expectativa de vida, cresce o número de brasileiras acima de 50 anos, muitas iniciando a terapia de reposição hormonal (TRH).

Os endocrinologistas Amanda Athayde e Ricardo Meirelles, que discutiram o tema no congresso da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, preferem receitar a progesterona natural ou seus derivados – usada em cápsulas por via oral ou vaginal – em combinação com estrogênios em vez de progestágenos (sintéticos com efeito similar ao da progesterona). Eles dizem que essa é uma tendência em vários países, especialmente na Europa, e que a TRH é individualizada.

? A melhor opção hoje é o estrogênio associado à progesterona natural, ou seus derivados ? afirma Amanda. ? A forma natural, obtida a partir da planta Discorea, é encontrada no Brasil e parece ser mais segura que os progestágenos. Além disso, não causa efeitos como inchaço, crescimento de pelo e alteração de colesterol. E inexistem trabalhos associando o seu uso ao câncer de mama.

As suspeitas sobre o perigo da TRH surgiram em julho de 2002. Na época, um importante estudo da Women’s Health Iniciative (WHI) publicado na “Jama”, a conceituada revista da Associação Médica Americana, avaliou os efeitos de um medicamento (Premelle) constituído de estrogênios equinos conjugados $(Premarin) na dose de 0,625mg associado à medroxiprogesterona 2,5mg em uso oral e contínuo por mais de 5,5 anos. Os autores constataram maior incidência de derrames e câncer invasivo da mama.

Com a progesterona natural isso é pouco provável, diz Amanda, acrescentando que o prazo para o da TRH com progesterona natural é sempre a próxima consulta.

?Enquanto estiver tudo bem com a paciente, ela pode ir usando. Nesses casos, depois do controle inicial, recomendo o acompanhamento médico a cada seis meses, além de mamografia anual ? explica a endocrinologista. ? Não se deve confundir a progesterona natural com as isoflavonas, substâncias encontradas principalmente na soja e em seus derivados, denominadas de fitoestrogênios.

Fitoestrogênios têm pouco efeito

Apesar das vantagens da progesterona natural, Amanda comenta que a maioria dos ginecologistas ainda prefere receitar progestágenos. E isso tem explicação. A forma natural custa mais, é individualizada e pode ser usada por via oral ou vaginal. Com o progestágeno, a mulher toma só um comprimido e fica mais fácil seguir a TRH.

No caso dos estrogênios, deve-se dar preferência às fórmulas em gel (absorvido através da pele) e adesivos (substituídos a cada três ou sete dias). Isso evita a passagem da substância da fórmula pelo fígado, explica a endocrinologista. A via oral geralmente é contraindicada em pacientes hipertensas, com triglicerídeo alto e cálculo de vesícula biliar. Porém, pode ser a opção em mulheres com colesterol elevado.

Lucas Vianna Machado, professor titular de ginecologia da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, reforça que fitoestrogênio é a substância natural das plantas e não pode ser confundido com hormônios naturais da mulher (o estradiol, a estrona e o estiriol). Em seu site (www.lucasmachado.com.br), no qual discute a TRH, ele afirma que as ações dos fitoestrogênios são “extremamente fracas”.

? Não há substância química que possa substituir adequadamente os hormônios naturais, como estrogênios, progesterona, testosterona, insulina, corticoide etc em suas ações específicas ? afirma. ? Se os fitoestrogênios pudessem substituir com a mesma eficiência os estrogênios naturais na TRH, as japonesas, que consomem muita soja desde criança, teriam suas mamas desenvolvidas e menstruariam aos 2 anos.

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