Meditação muda a estrutura cerebral, diz estudo

Técnica transforma áreas ligadas à memória, à empatia e ao estresse

Desde a compra por colecionador argentino, tela foi exibida três vezes no Brasil
Desde a compra por colecionador argentino, tela foi exibida três vezes no Brasil Foto: Ver Descrição

Desligar-se do mundo exterior e voltar a atenção para dentro de si. Esse é o significado da palavra meditação, originária do latim meditare. A técnica milenar, associada à autoconsciência, afeta regiões cerebrais ligadas à memória, à empatia e à redução do estresse. Essa foi a descoberta de uma equipe de pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts (MGH, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, publicada no periódico Psychiatry Research: Neuroimaging.

O estudo, feito com 16 voluntários e um grupo de controle formado por outras 16 pessoas, mostra que a prática regular da meditação, feita diariamente por pelo menos oito semanas, aumenta a espessura do córtex cerebral – principalmente nas regiões relacionadas à atenção e à integração emocional ? e do hipocampo ? área ligada à aprendizagem, à memória e à introspecção.

? Embora a meditação seja associada às sensações de paz e relaxamento físico, os praticantes vêm afirmando há muito tempo ter sentido benefícios cognitivos e psicológicos que duram ao longo dos dias ? explica Sara Lazar, uma das autoras da pesquisa. ? Esse estudo mostra, então, que mudanças na estrutura do cérebro, especialmente no córtex, podem ser a base dessas melhorias relatadas ? completa.

Os pesquisadores fizeram imagens por ressonância magnética da estrutura cerebral dos voluntários, duas semanas antes e duas semanas após eles participarem do programa de Redução do Estresse Baseada na Atenção e Consciência Plena (MBSR, na sigla em inglês), que durou dois meses.

Além dos encontros semanais, que incluíam a prática da meditação com foco na consciência e sem julgamento de sensações, sentimentos e estado de espírito, os participantes receberam uma gravação em áudio para praticar meditação em casa. A equipe também lhes pediu que registrassem por quanto tempo faziam a técnica diariamente.

Em média, os voluntários meditaram 27 minutos por dia. Ao responder a um questionário no fim do processo, eles indicaram melhoras significativas na qualidade de vida, como a redução do estresse. Essa diminuição, segundo os estudiosos, foi comprovada pelas imagens de ressonância magnética ? que revelaram o decréscimo da densidade de massa cinzenta na amígdala, que tem papel importante na ansiedade e no estresse.

O neurologista Ricardo Teixeira conta que a pesquisa evidencia a neuroplasticidade, capacidade que o cérebro tem de se remodelar de acordo com a necessidade.

? Quando a pessoa estimula o cérebro, cria impulsos que fazem com que a estrutura se reorganize, fazendo novas conexões”, descreve. “Isso mostra que os neurônios podem se regenerar ? exemplifica.

Segundo o neurologista, o fato de a meditação melhorar a capacidade cerebral em termos de memória e capacidade de aprendizagem, por exemplo, ocorre porque a técnica ajuda o indivíduo a selecionar os pensamentos e as ideias mais relevantes.

? A prática evita que o resto da vivência da pessoa polua as regiões do hipocampo e do córtex com excesso de ruído ? comenta.

Área da memória
O hipocampo é uma estrutura cerebral localizada nos lobos temporais, na região das têmporas. É nessa estrutura que fica a memória de curto prazo, que será transformada em memória de longo prazo e registrada em outras seções do cérebro, como o córtex, se necessário. Se uma pessoa tem mal de Alzheimer, por exemplo, o hipocampo será uma das regiões cerebrais mais afetadas pela doença.

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