Menopausa afeta a vida sexual das mulheres

Menor produção de hormônios causa depressão, que leva à perda da libido

A depressão piora a qualidade de vida sexual da mulher e as que mais sofrem com ela são as com idade entre 41 e 50 anos, por conta da chegada da menopausa. O fim do ciclo menstrual, com menor produção de estrogênio, aumenta em duas vezes a chance da mulher entrar em depressão. É o mesmo hormônio que causa as tradicionais ondas de calor de que tanto as mulheres reclamam. O efeito, porém, pode ser bem mais doloroso.

Além do desconforto físico, a depressão leva à perda de libido. A pesquisa Mosaico Brasil, divulgada na terça-feira, dia 5, pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, mostra que 22,6% das mulheres com idade entre 41 e 50 anos, que faziam tratamento contra a depressão em 2008, tinham baixo desejo sexual.

Para quem tem histórico de depressão até os 40 anos, o quadro é ainda pior: na menopausa, a chance de voltar a ter o problema é 14 vezes maior do que antes. Sem vida sexual prazerosa, a tendência é a depressão piorar.

– A depressão abate a mulher a ponto de interferir na sua capacidade de trabalho, no convívio familiar e na disposição que ela tem para o lazer. É uma doença que causa desânimo e interfere, sobretudo, na libido feminina, na liberação de hormônios sexuais – diz a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do estudo.

O levantamento foi feito com 8.200 pessoas (49% do sexo feminino) pelo Projeto Sexualidade (ProSex). Segundo Carmita, 40% das pacientes que procuraram o Instituto de Psiquiatria reclamando do baixo desejo sexual entre 2002 e 2008 estavam em tratamento para depressão.

Um dos motivos, reconhece Carmita, é o uso de antidepressivos. Segundo ela, a disfunção sexual atinge de 30% a 70% dos pacientes que tomam este tipo de medicamento.

– Chama a atenção o quanto o antidepressivo inibe a excitação sexual, o desejo da mulher – diz Carmita.

Porém, abandonar o tratamento em troca de um melhor desempenho na cama não é boa opção. Na maioria das vezes, substituir o remédio resolve o problema. A médica assinala que interromper o tratamento leva, sem dúvida, à volta do quadro depressivo. E a volta pode ser ainda pior, pois a depressão tende a se tornar crônica e o uso do remédio, mantido indefinidamente.

No Brasil, 17 milhões de pessoas sofrem de depressão. O problema, porém, é maior entre as mulheres, que sofrem duas vezes mais com a doença do que os homens. A situação se complica nas flutuações hormonais, ou seja, no período em que a mulher está menstruada, grávida, no pós-parto e na menopausa.

O primeiro sinal para saber que algo está errado, segundo Carmita, é começar a evitar o parceiro e nunca estar disposta a fazer sexo, mesmo estando relaxada e após um dia tranquilo. A não atração pelo parceiro pode ser uma das causas, mas pode haver também algum problema emocional, psíquico ou, ainda, um déficit hormonal.

Eles também sofrem

O quadro de depressão entre os homens, porém, pode estar subestimado. Carmita lembra que o homem vai menos ao médico e, com isso, recebe menos o diagnóstico de depressão. Além disso, os sintomas são mais discretos do que nas mulheres, e podem passar despercebidos. As mulheres, admite ela, fazem mais alarde de seus sentimentos.

– O homem pode passar a vida sem perceber o que está acontecendo – disse.

Um levantamento do Ibope com 1.100 mulheres em oito cidades da América Latina mostra que os aspectos funcionais da depressão são subestimados até mesmo entre elas. Tristeza, melancolia e desânimo são os sintomas mais associados à depressão para 78% das entrevistadas.

Já perda do desejo sexual e alterações no sono aparecem com apenas 3% das respostas. Para Carmita, é preciso ter claro que tristeza não é depressão e que a doença precisa ser diagnostica rapidamente, antes de ser tornar crônica. De acordo com a médica, a chance de cura é praticamente perdida quando há três episódios de depressão sem que os anteriores sejam tratados de forma correta.

– Viver um dia mais desanimado, menos disposto, pode acontecer a qualquer um. Mas se a indisposição, fadiga, mal estar, desânimo e vontade de chorar se prolonga por duas, três, quatro semanas comprometendo o dia-a-dia da pessoa, isso, muito provavelmente, é depressão e merece ser diagnosticado e tratado o quanto antes – afirma.

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