Menopausa sem pausa para o bem-estar

Saiba como lidar com esta fase e manter a disposição e bom humor

Laina Saurin, 47 anos, encara a nova etapa com disposição
Laina Saurin, 47 anos, encara a nova etapa com disposição Foto: Genaro Joner

A palavra, de origem grega, indica o fim de um ciclo: a “pausa na menstruação”, ou menopausa, já foi tratada como loucura pelos vitorianos. Hoje, ela é tratada como um período natural de toda mulher. Há aquelas que, mais precoces, já notam sintomas por volta dos 45 anos. Porém, a maioria para de menstruar, definitivamente, na faixa dos 50 anos. Se pensarmos que a expectativa de vida feminina gira em torno dos 75 anos no Rio Grande do Sul, veremos que as gaúchas podem passar mais de um terço de sua história nesta fase, que traz muitas mudanças.

? Esse é um momento de alterações físicas e psicológicas. Isso porque os hormônios fabricados nos ovários, progesterona e estrógeno, desempenham um papel estratégico no organismo feminino ? afirma Sílvia Campolim, autora do livro A Menopausa (Editora Folha).

Além dos sintomas físicos mais evidentes, como o aumento da gordura corporal, osteoporose, diminuição da massa magra, pele flácida e cabelos secos, é comum que as mulheres notem reflexos no seu humor e libido, assim como hipertensão e irritabilidade.

? Isso depende muito de cada mulher. Há aquelas que enfrentam um turbilhão de mudanças e as que não percebem nada ? explica a médica Carla Vanin, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e coordenadora do Ambulatório de Climatério da Santa Casa.

Pode parecer simples, mas a receita básica ? fechar a boca e realizar exercícios ? segue sendo primordial também quando o assunto é menopausa. A coordenadora do Ambulatório de Climatério do Hospital de Clínicas e vice-presidente da Associação Brasileira de Climatério (Sobrac), Maria Celeste Wender, afirma que os exercícios e a alimentação elevam a qualidade de vida das pacientes, mas há casos em que a reposição hormonal é inevitável, bem como a administração de antidepressivos.

? Hoje, há muito mais recursos. O importante é que as mulheres tenham qualidade de vida neste período ? ressalta.

Levando numa boa

Na véspera de completar 47 anos, Laina Saurin diz “não ter medo de nada ? muito menos da menopausa”. Esportista por influência do pai, que era atleta, a porto-alegrense não tem dúvidas sobre a importância de realizar exercícios físicos para que ela consiga encarar o início desta nova etapa com disposição e bom humor. Mãe de uma garota de 15 anos, ela vai todos os dias à academia, pratica corrida e musculação.

Bem-humorada, compara a menopausa com a adolescência:

? É uma época de muitas incertezas. Vejo minha filha, que tem dúvidas sobre o que virá daqui para frente, sobre seu corpo, suas relações afetivas, e noto uma grande semelhança com os meus dilemas e os das minhas amigas que estão na mesma faixa etária ? lembra.

Para algumas mulheres, a chegada da menopausa, apesar de trazer alguns desconfortos, é um marco a ser comemorado. É o caso da dona de casa Marilene Seadi, 62 anos, que sentiu na pele as transformações que chegaram por volta dos 55 anos, mas “não tem do que reclamar”: 

? Fiquei por mais de um ano me sentindo estranha. Tive até anemia e depressão. Mas procurei auxílio médico, fiz reposição hormonal e mudei meus hábitos alimentares. Hoje, sinto que consegui passar bem por este período por encarar na boa e, sobretudo, por estar disposta a mudar meu estilo de vida. No final, foi bom em todos os sentidos. Pois parar de menstruar foi a glória, já que comecei a usar absorventes com 11 anos ? conta.

Mitos sobre a menopausa

:: Não há nenhuma maneira de atrasar a menopausa ? ela só pode ser acelerada por fatores externos.

:: Idade da primeira menstruação. Embora a idade média da menarca estar acontecendo cada vez mais cedo no mundo inteiro, não há uma mudança correspondente na idade média da menopausa.

:: Gravidez e amamentação. Não têm nenhum impacto na menopausa. A idade média da menarca é, agora, por volta dos 12,4 anos, contra 13,3 anos em mulheres nascidas antes de 1920, mas a idade média da menopausa segue por volta dos 51,5 anos há décadas.

Alimentação balanceada

:: Procure fracionar as refeições. Sirva menos no seu prato e coma devagar, o que dará uma sensação maior de saciedade.

:: Restrinja ao máximo alimentos que aumentam o colesterol ruim e triglicerídeos, como frituras e alimentos gordurosos. Corte também os que contêm excesso de açúcar.

:: Para evitar a osteoporose, consuma alimentos ricos em cálcio que são os vegetais verde-escuros, peixes, sementes (abóbora, melancia), leite de soja enriquecido com cálcio, tofú, além dos leites de vaca desnatados e seus derivados. O cálcio ajuda, ainda, a reduzir as dores de cabeça, irritabilidade e insônia relacionadas à menopausa.

:: Aumente o consumo de antioxidantes na alimentação, como vitamina C (laranja, kiwi, acerola e pimentão),  betacaroteno (cenoura, abóbora, mamão, tomate e folhas verde-escuras), vitamina E (nozes, castanhas e óleos vegetais), zinco (cereais integrais e carnes), selênio (castanha do pará e peixes) e manganês (pistache, amêndoa e castanha).

:: Cuidado com o excesso de sal na alimentação: tanto o sal de cozinha quanto o dos alimentos industrializados, como presunto, salsicha, linguiça, nuggets, sopa e macarrão instantâneo. O sal provoca hipertensão e, consequentemente, eleva os riscos cardíacos.

:: Invista na proteína de soja: não há unanimidade no meio científico, mas a proteína de soja parece ser particularmente benéfica às mulheres devido ao seu conteúdo de isoflavonas. As isoflavonas são hormônios naturais presentes no grão, capazes de reduzir os sintomas da menopausa como ondas de calor, irritabilidade e desconforto.

:: A linhaça pode ser uma grande aliada para aliviar os sintomas da menopausa. É rica em ácidos graxos ômega 3, sais minerais e vitaminas. Ela auxilia na regularização do intestino, tem ação anti-inflamatória, aumenta a imunidade e também previne alguns tipos de tumores.

Atividades físicas

Para mulheres ativas, que sempre se exercitaram, a dica é continuar se mexendo. Mas para quem nunca foi adepta à malhação e pretende começar, o ideal é iniciar com caminhadas, que não sobrecarregam as articulações e são fáceis de realizar: basta um tênis e alguma disposição. Veja o que acontece com o corpo a partir dos 45 anos e quais as atividades mais indicadas.

:: Aos 45 anos

O metabolismo começa a dar sinais claros de desaceleração: o ganho de peso pode chegar a 200 gramas por ano. A estatura também diminui, assim como a força e a agilidade. 

? Exercícios amenizam a perda de massa muscular, natural no processo de envelhecimento ? afirma Maristela Padilha, professora do Centro Universitário Metodista IPA e especialista em exercícios físicos.

Os melhores exercícios nesta idade são aqueles que exigem força muscular. Se você não curte musculação, opte por pilates e ioga, por exemplo.

:: Aos 55 anos

É nesta fase que ocorrem as maiores mudanças físicas. A queda radical nos níveis de estrogênio e testosterona leva a uma perda anual de até 2% da massa óssea. Opte por exercícios aeróbicos, para combater doenças cardiovasculares, e de força muscular com peso, para combater a osteoporose. Nessa idade, é recomendável acrescentar impacto aos exercícios, como pular corda ou correr, para incrementar a densidade óssea.

:: Aos 65 anos

A capacidade respiratória diminui em 40%, e a massa muscular pode ser 25% menor. Prefira exercícios que aprimorem a flexibilidade, a postura, a estabilidade e a proteção contra quedas. Caminhadas, natação, hidroginástica e artes marciais são excelentes opções.

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