Mercado de perfumes tem mais de 900 lançamentos em um ano

Dúvida que fica para o consumidor é se há espaço para tantos lançamentos

Romualdo aproveita os preços dos duty free para comprar perfumes mais baratos
Romualdo aproveita os preços dos duty free para comprar perfumes mais baratos Foto: Pena Filho

O olfato é o sentido responsável por perceber os odores a nossa volta. É ele que avisa o cérebro de que algo, que não está no campo de visão, está acontecendo. Junto com a audição, é o olfato que dá o alerta quando alguma coisa precisa ser feita ou para avisar que uma situação está para acontecer. Como quando sentimos o cheiro do bolo daquela avó querida; quando percebemos a presença da pessoa amada, mesmo sem vê-la ou escutá-la; quando lembramos de um momento único ou da infância por um cheiro que há tempos não sentíamos.

Há quem sinta o cheiro de épocas e datas comemorativas como verão, Natal, aniversário, um encontro especial. Há décadas, os cheiros naturais ganharam uma ajudinha dos perfumes. A confecção de fragrâncias criou o mercado atual que, já na década de 30, deu para o mundo o cheiro mais usado ainda hoje na França: o Chanel n° 5, da Chanel. Um clássico que não é somente um perfume, é um estilo.

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De lá para cá, o mercado evoluiu a passos tranquilos, seguindo tendências e criando novas sensações. Em 1985, foram lançados no mundo todo cerca de cem novas fragrâncias, de acordo com dados da Givaudan – casa de fragrâncias e aromas suíça que desenvolve perfumes para grifes como Armani, Givenchy e Dior e, no Brasil, para a Natura e O Boticário – apresentados pela Natura em evento, em março.

Dez anos depois, o mercado recebeu entre cem e 200 produtos inéditos. Em 2009, essa situação mudou e explodiu com o lançamento de mais de 900 novos perfumes. Um número impressionante de novidades que faz o consumidor pensar: há espaço para tantas fragrâncias?

Para a gerente de perfumaria da Natura, Denise Coutinho, a experiência pode ser traumática para o consumidor e é exagerada.

? É uma dinâmica esquisita e eu, particularmente, não acredito nessa dinâmica. É muito difícil para o consumidor escolher ?, afirma ela, que diz não conseguir acompanhar tantos novos lançamentos, mesmo trabalhando nessa indústria.

Para a especialista no setor, há ainda a questão da sustentabilidade.

? Os produtos são lançados e retirados do mercado com muita frequência. Não há longevidade. Acredito que a própria indústria – que acaba gastando milhões em marketing – está repensando essa postura ?, diz Denise.

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A gerente da Sépha Perfumaria em Joinville, Lilian Withers Torres, acredita que o mercado está crescendo muito, mas vê esse movimento com bons olhos.

? É claro que as pessoas acabam ficando um pouco perdidas, mas quanto mais opções, melhor para quem procura um perfume que combine com seu jeito de ser ?, diz ela, afirmando que o prejuízo dos perfumes que possuem pouca longevidade é das indústrias.

? Há uma oferta muito grande, mas as pessoas também estão procurando mais por produtos diferentes. O consumo está maior no Brasil, as pessoas têm mais poder aquisitivo e o mercado de luxo, no qual entram as grandes marcas de perfume, é muito forte por aqui ?, acredita Lilian.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), o crescimento do mercado de perfumes aparece também nos números do Brasil. Entre 2003 e 2008, foi identificado um forte aumento e, em 2009, o segmento atingiu os US$ 4,81 bilhões, registrando crescimento de 5% e participação de 13,1% no mercado mundial. Segundo a assessoria da Abihpec, as perspectivas são boas também para os próximos anos e, se continuar assim, o Brasil deve atingir o topo do ranking em 2013, que, atualmente, é liderado pelos Estados Unidos.

A discussão sobre o aumento do mercado de perfumaria divide opiniões. Se há mesmo mercado para tantos novos lançamentos, não há como saber por enquanto, mas é certo que o consumidor só repete a compra ou fica fiel a determinado produto quando se sente satisfeito. A escolha do perfume ideal para cada um pode não ser fácil como era antigamente, devido ao número expressivo de ofertas, mas certamente se tornou uma tarefa muito mais prazerosa.

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