Mesmo com avanços, causa feminista ainda enfrenta muitas dificuldades

Tratamento machista da mídia desanima as mulheres na busca por posições de comando

Christine Lagarde dirige o FMI
Christine Lagarde dirige o FMI Foto: Jacques Brinon

Existem duas linhas de discussão sobre a imagem criada pela mídia ao relatar a chegada das mulheres ao poder. A primeira é incentivar meninas a aspirarem e galgarem a liderança. Mas uma forte corrente acredita que a maneira machista como a mídia trata as mulheres só tende a desanimar as jovens a buscarem posições de comando.

Essa é a linha que segue o documentário Miss Representation – lançado no Festival de Sundance em 2011 e dirigido por Jennifer Siebel Newsom. Ela entrevistou mulheres influentes como Condoleezza Rice, Nancy Pelosi e Geena Davis.

A conclusão foi que o fato de as mulheres aparecerem em propagandas, filmes e programas de televisão mais como objetos de desejo do que como membros influentes da sociedade cria uma falsa ilusão nas mulheres – além de depreciar a posição feminina dentro da sociedade na visão tanto de homens quanto de mulheres.

? As mulheres no poder são o tempo todo criticadas sobre como se vestem ou como está o cabelo. Pouco se discute sobre quais foram as medidas que ela fez enquanto esteve naquela posição ? argumenta a diretora durante a narração do filme.

Para Newson, a única solução é criar uma geração de novas mulheres com uma visão mais crítica em relação a como a mídia as representa.

? Precisamos incentivar as meninas a fazer filmes e escrever histórias sobre mulheres fortes ? sugere.

Assim, as representações femininas vão se tornando menos machistas e, aos poucos, mudando a cabeça de quem ainda tem uma ideia errada sobre o papel da mulher.

Elas são menos corruptas

Para César Romão, especialista em administração e psicologia organizacional, a mulher é extremamente necessária em postos de comando. Pesquisas sinalizam que praticamente não existe corrupção entre mulheres que ocupam cargos importantes.

? Um ambiente de trabalho ganha muito com a presença feminina: ela sai dos extremos e fica onde deveria estar, no ponto de equilíbrio.

Um novo nicho de mercado para as executivas brasileiras são as montadoras de automóveis. Denise Johnson foi a presidente da General Motors (GM) do Brasil, até junho do ano passado. Ela fez história por ser a primeira mulher a comandar uma montadora no Brasil. Quando saiu, passou o cargo para outra mulher: Grace Lieblein.

Liderança nos negócios

A exemplo da política, as mulheres também vêm conquistando papéis de destaque no mundo dos negócios. A posse da francesa Christine Lagarde na direção do Fundo Monetário Internacional (FMI), em julho de 2011, é prova incontestável deste novo momento.

Eleição realizada ano passado pelo jornal Valor Econômico, em parceria com a consultoria Egon Zehnder, apontou as 14 principais executivas brasileiras. Elas foram escolhidas segundo critérios como tempo no cargo, complexidade da gestão, mudanças de impacto promovidas no negócio, desempenho financeiro, grau de inovação e o volume de investimentos em expansão.

A presença feminina em assuntos ligados à vida econômica do país iniciou ainda no século 19. A mineira Alice Tibiriçá, nascida em 1886, foi uma das primeiras a lutar pelos direitos das mulheres no mercado de trabalho. Assumiu, entre outras funções, a presidência do Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e Economia Nacional, que mais tarde viria a resultar na Petrobras.

De acordo com pesquisa da Fundação Seade, no ano passado a parcela de mulheres na direção e no planejamento das companhias brasileiras girava em torno de 20,5%. Nos últimos dois anos, a presença das profissionais em cargos de chefia aumentou em 30%. Esse crescimento vem da valorização das características femininas no mercado, principalmente em modelos administrativos que acabam com a hierarquia verticalizada e procuram profissionais cooperativos, área na qual a mulher transita com facilidade.

Segundo o consultor Celso Rodrigues de Oliveira, os cargos de comando mais ocupados por elas são nas áreas de marketing, administração, recursos humanos e telemarketing. Já postos de engenharia e de áreas comerciais ainda estão centrados na figura masculina.

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