Mestre do Photoshop no Brasil fala sobre o programa que revoluciona a fotografia

Altair Hoppe sobre os 20 anos do programa: "O futuro da imagem é o 3D"

Altair Hoppe é autor do best-seller "Adobe Photoshop para Fotógrafos, Designers e Operadores" e viaja pelo Brasil ministrando palestras e workshops
Altair Hoppe é autor do best-seller "Adobe Photoshop para Fotógrafos, Designers e Operadores" e viaja pelo Brasil ministrando palestras e workshops Foto: Divulgação

Há 20 anos, modelos de campanhas publicitárias e celebridades que estampam capas de revistas passam por um processo que contraria o tempo. Essas pessoas não envelhecem. Não é mágica e não foi a medicina que evoluiu. As peles lisas, sem marcas da idade e o corpo divinamente esculpido são submetidos aos ajustes de um mouse. Na tela do computador, no canto superior esquerdo, o símbolo do Photoshop acusa a culpa.Mas vale dizer logo que a culpa de certos exageros e até erros bizarros não é do programa de edição de imagens, criado em 1990 pelos irmãos Thomas e John Knoll. O Photoshop, desde sua versão 1.0 até a mais atual, não faz nada sozinho, ele depende das mãos hábeis (e às vezes, nem tanto) do usuário.

Altair Hoppe, catarinense de 34 anos, natural de Presidente Getúlio, chega a passar mais de 16 horas por dia na frente do Photoshop. Hoppe é um dos principais nome nacionais quando se fala sobre o programa de edição de imagens. Ele é autor do best-seller Adobe Photoshop para Fotógrafos, Designers e Operadores e viaja o país ministrando palestras. Comanda a Editora iPhoto, com sede em Balneário Camboriú, onde mora e trabalha. Hoppe conversou com Donna e deu dicas para otimizar o uso do programa.

Donna – Qual a primeira lembrança do Photoshop que você tem?
Altair Hoppe – Minha primeira lembrança é de 1993. Na época, estava criando um jornal na minha cidade e precisava de um programa para fazer o tratamento das fotos. Foi quando dei de cara com o Photoshop. A minha primeira impressão não foi um efeito fantástico, o que me impressionou nele foi sua complexidade. Era um desafio descobrir o que fazia cada botão ou comando daquele universo.

Donna – Você trabalhou com fotografia analógica? Como fazia correções e alterações na imagem?
Hoppe – No Brasil, o digital só pegou mais depois de 2000. Até essa fase, era tudo a base de filme, analógico. Eu escaneava as imagens em um pequeno scanner de mão e depois de mesa para depois fazer a conversão para preto e branco e o tratamento de contraste e tons no Photoshop. Tudo era bem difícil, desde a velocidade dos computadores até o acesso ao próprio programa, afinal não havia internet como temos hoje.

Donna – Qual o principal uso do Photoshop para você hoje?
Hoppe – Passo de 16 a 18 horas por dia na frente do computador mexendo no Photoshop. Trabalho, principalmente, na criação publicitária e no tratamento de imagens, seja para fins didáticos em minhas palestras ou para campanhas da empresa. No mercado, o Photoshop está presente em todas as áreas da fotografia: casamento, estúdios, publicidade, moda, fotojornalismo etc.

Donna – Existe uma dica simples para não correr o perigo de passar do limite nas correções utilizando o programa?
Hoppe – A dica mais eficiente para o uso correto do Photoshop para a maioria dos tratamentos é naturalidade. Quanto mais natural o efeito aplicado ficar, melhor é o tratamento. A ideia não é trabalhar com o surreal, na maioria das fotografias precisamos corrigir manchas, suavizar sombras, corrigir cores e melhorar contrastes sem que o cliente perceba que houve um tratamento ou correção. Esse é o maior desafio.

Donna – Qual é o futuro do Photoshop?
Hoppe – O futuro da imagem daqui pra frente é o 3D. Por outro lado, temos o avanço monstruoso da internet. O que isso significa para o futuro do Photoshop? Penso que no Photoshop CS10 teremos a combinação desses dois elementos. Vamos trabalhar em imagens 3D, pelo Photoshop, em qualquer lugar que estejamos, sem depender de um computador. Será necessário apenas ligar o aparelho celular ou acessar a internet. Agora, a ferramenta dos meus sonhos, e espero que não demore até o CS10, seria que com apenas um clique pudesse retirar uma pessoa de uma imagem e inserir em outra, inclusive com um recorte de cabelos de alto padrão. Hoje, isso é uma tarefa chata e ingrata para nós profissionais.

Na moda
“Hoje, não existe produção de moda sem o uso do Photoshop. O programa é usado como um todo, mas a ferramenta mais utilizada é a que chamamos de maquiagem digital, além das correções de luz, contraste e brilho. Com o programa, há duas mudanças principais. A primeira é negativa e ocorre porque se permite o erro da produção (como o que ocorreu com a atriz Demi Moore na capa da revista americana W: de tão retocada, ficou praticamente sem quadril). O aspecto positivo é que abriu novas possibilidades criativas, novas linguagens.”
RICARDO GALLAZA, professor de Fotografia do Curso de Design de Moda da Univali e coordenador da Pós-Graduação em Fotografia da Univali

No jornalismo
“O que os profissionais não devem esquecer é que o fotojornalismo trabalha com informação e nunca deve alterar a realidade. Alguns profissionais dizem que hoje ficou mais fácil trabalhar com fotografia porque tudo o Photoshop resolve. Mas não é bem assim. No fotojornalismo, trabalhamos com tratamento de imagens, mas os limites vão apenas em configurar de brilho, contraste, enquadramento e não na remoção de qualquer elemento dentro da imagem para ficar perfeita. Fotojornalista não trabalha com manipulação, ou seja, não se altera a natureza dos fatos no momento do clique.”
ROBSON SOUZA, professor de Fotojornalismo do Curso de Comunicação Social – Jornalismo da Univali

Na publicidade
“O Photoshop é referência em todo trabalho publicitário hoje em dia. E isso pode ser um elogio ou uma ironia. A utilização mais comum é para eliminar fundo ou isolar um objeto. Há também a fusão de várias imagens para compor uma só. O principal problema é ter como resultado a publicidade enganosa. Por exemplo, em uma propaganda de um creme para a pele, é errado alterar demais a pele de uma pessoa, mas essa interferência não encontra tanto problema se for a de um carro. (Nesta foto, Maradona foi incluído depois, pois não podia estar presente no dia do ensaio com Pelé e Zidane).”
DJALMA PATRÍCIO, professor do Curso de Comunicação Social Publicidade e Propaganda da Furb.

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