Mitos e verdades sobre infertilidade conjugal e dificuldades para engravidar

Especialista responde às 10 principais dúvidas sobre o assunto

Medicamentos podem ajudar a depressão na gravidez, mas o uso deve ser bem orientado
Medicamentos podem ajudar a depressão na gravidez, mas o uso deve ser bem orientado Foto: Divulgação, stock.xchng

(1) É verdade que o homem é mais responsável pelos problemas de fertilidade do que a mulher?
Não há um responsável pelo problema de infertilidade do casal. Ninguém é mais responsável do que o outro pelas dificuldades de gerar filhos.
– Em cerca de 40% das vezes, a dificuldade provém do homem. Em outros 40%, da mulher, e, nos 20% restantes, os dois possuem problemas que impedem a gravidez. Para os casais com fertilidade normal, a chance de gravidez por ciclo ovulatório gira em torno de 20%. Portanto, não é surpresa o fato de que podem se passar vários meses até que o casal consiga a gravidez. Sabe-se que ao final do primeiro ano de relacionamento sexual ativo, sem uso de qualquer método anticoncepcional, 85% dos casais terão conseguido a gravidez. Os 15% restantes não a conseguirão. Estes casais devem procurar ajuda médica para ter filhos – explica Joji Ueno, ginecologista, diretor da Clínica Gera.
 
(2) Você, mulher, que sempre quis ter um filho e já tentou de tudo e até agora não conseguiu, tente esta simpatia, considerada infalível…
Não acredite em simpatias. Os principais motivos que impedem uma mulher de ter um filho são as alterações nas trompas – tubas uterinas – e no próprio útero, que representam aproximadamente 30% dos casos. As doenças sexualmente transmissíveis, a endometriose, as aderências causadas por cirurgias ou infecções, além das malformações no útero e nas trompas. Outra causa comum de infertilidade feminina, responsável por aproximadamente 20% dos casos, é o distúrbio ovulatório. Outras mulheres possuem excesso de prolactina. O excesso de prolactina – hiperprolactinemia – que pode ser causado pelo uso de determinados medicamentos, drogas e estresse pode levar a distúrbios ovulatórios e à infertilidade. 
– Existem ainda causas mais raras que alteram o funcionamento dos ovários, como a menopausa precoce, insuficiência ovariana prematura, que podem ter caráter genético – explica Joji Ueno.
 
(3) A endometriose pode causar infertilidade?
É fácil explicar a associação entre infertilidade e endometriose quando esta causa aderências nas trompas ou a obstrução total ou parcial das mesmas.
– Nestes casos, a trompa não consegue captar o óvulo liberado pelo ovário no momento da ovulação. Em algumas situações, a endometriose pode interferir no processo de desenvolvimento do óvulo e na ovulação, bem como na formação do corpo lúteo. Em outras situações, a doença pode alterar vários mecanismos fisiológicos da reprodução, ao nível dos oócitos, na interação destes com os espermatozóides, na função tubárea, paralisando as trompas, no embrião ou na implantação deste na cavidade uterina – conta Joji Ueno, que também dirige o Instituto de Ensino e Pesquisa em Medicina Reprodutiva de São Paulo.
 
(4) É verdade que a idade interfere na capacidade da mulher engravidar e que aos 37 anos não é mais possível ter filhos?
– A queda na fertilidade com o avanço da idade é um fato biológico. Estima-se que a chance de gravidez por mês é de aproximadamente 20% nas mulheres abaixo de 30 anos, mas de apenas 5% nas mulheres acima dos 40. Mesmo com os tratamentos avançados para infertilidade, como a fertilização in vitro, a fertilidade diminui e a chance de um aborto espontâneo aumenta nas mulheres após os 40. Há várias explicações para essa mudança na fertilidade, incluindo condições médicas, mudanças na função ovariana e alterações na liberação dos óvulos pelos ovários – diz o diretor da Clínica Gera.
 
(5) O aconselhamento genético é importante para as mulheres mais velhas que decidem engravidar? 
Pelo fato das crianças nascidas de mulheres acima de 40 anos terem um risco maior de problemas cromossômicos, essas mulheres podem desejar falar com seu médico ou procurar aconselhamento genético antes de tentar a gravidez. Eles fornecerão informações quanto às chances de ter uma criança com problema cromossômico, como a Síndrome de Down, e as opções de exames pré-natais se a gravidez for atingida. A biópsia de vilo coriônico e a amniocentese são dois métodos de exames pré-natais.
– Mais recentemente, tem sido possível detectar certas doenças antes da transferência dos pré-embriões, quando se realizam técnicas de fertilização in vitro. Se o pré-embrião apresentar algum defeito genético, detectado pelas técnicas citadas, este não será transferido para o útero, transferindo-se apenas aqueles saudáveis – explica Joji Ueno.
 
(6) Injeções anticoncepcionais podem comprometer a fertilidade da mulher?
Com a interrupção da injeção mensal, a fertilidade da mulher logo retorna.
– Já com a medicação trimestral, permitida durante a amamentação, pode haver um atraso no retorno da fertilidade. Em média, costuma demorar quatro meses após o término do efeito da injeção – explica o ginecologista.
 
(7) E quando a mulher pára de tomar pílula, ela fica mais fértil e pode engravidar mais rápido?
– O uso de anticoncepcional oral não interfere na maior ou menor fertilidade da mulher – informa Joji Ueno.

(8) É preciso ter os dois ovários e as duas trompas para engravidar?
– É possível engravidar com apenas um ovário e uma trompa – diz o especialista.

(9) Relações sexuais nos dias da ovulação resultam sempre em gestação?
Não, mesmo se o casal tiver relações sexuais todos os dias, durante um mês, incluindo o período fértil, apenas 20% das mulheres irão engravidar.
– Por outro lado, muitas vezes, uma única relação, no mês, pode resultar em gravidez, principalmente no caso das mulheres mais jovens – informa o médico.
 
(10) A mulher que conseguir engravidar por meio de uma das técnicas de reprodução humana assistida só vai conseguir engravidar, uma próxima vez, utilizando o mesmo método?
É possível engravidar normalmente, ou, naturalmente, após a realização de um tratamento de reprodução assistida e vice-versa.
– Vai depender da causa que motivou a reprodução assistida. Se a paciente tiver uma subfertilidade, ela poderá engravidar naturalmente em outra oportunidade. Porém, se a causa for algo que impede a gestação espontânea, como, por exemplo, a ausência das tubas, a gravidez somente será possível com o auxílio da reprodução assistida – explica Ueno.  

Leia mais
Comente

Hot no Donna