Moda migra do mercado de luxo para o “fast fashion”

Empresários do ramo se reuniram em Milão para avaliar novos negócios

Modelo em desfile da Dolce & Gabbana na Semana de Moda de Milão
Modelo em desfile da Dolce & Gabbana na Semana de Moda de Milão Foto: Alberto Pellaschiar

A moda se adapta à crise global, que modificou a maneira de considerar o luxo, um valor em baixa junto ao status no mundo das passarelas, segundo as novas tendências na Itália.
  
– Os valores como luxo e status estão em baixa, ao contrário de outros como família e lar – sustentou Antonio Achille, sócio e diretor do The Boston Consulting Group.
  
Uma pesquisa do grupo indica que “o consumidor está mais cético e exigirá da moda um controle de custos”. Enquanto isso, as campanhas das principais empresas mais importantes tentam reduzir a distância entre o luxo e o “fast fashion” — moda com produção rápida e contínua de novidades.
  
Alguns compararam o estilo do “fast fashion” ao estilo do “fast food” por ser um comportamento de compra por um bom preço de peças de coleções do momento.
  
Na Itália, na Espanha e em vários outros países existem marcas exclusivas de “fast fashion” que, em razão da crise econômica que afeta vários países europeus, tem crescido cada vez mais.
  
– Fica mais coerente [comprar] um produto menos ostentoso, mas que possa ser utilizado mais e é mais adequado à época – disse o estilista e presidente da italiana Câmera Nacional da Moda, Mario Boselli.
  
Para o estilista, a receita justa “parte do belo bem feito” e não pode prescindir do “made in Italy” porque “foram melhores naqueles mercados que não jogaram com os consumidores”.
  
Após 20 anos de crescimento, o mercado de luxo ficou no vermelho pela primeira vez em 2009, com uma queda nas exportações italianas no setor da moda em 19%.
  
Boselli afirmou que para superar o problema faz falta apontar para novos mercados, como Rússia, China, Índia e Brasil, favorecer a substituição sucessiva nas casas de moda e ampliar a gama de preços.
  
Os empresários do setor se reuniram em Milão para participar da “Luxury Summit: Le frontiere del nuovo Lusso” (Conferência do Luxo: A fronteira do novo luxo), organizado pela imprensa italiana.
  
O encontro analisa os mercados de luxo e neste ano indica a necessidade das antigas empresas em se transformarem em modelos novos de negócios. De acordo com os organizadores, “o luxo acessível experimenta novos canais como a Internet para aproximar os consumidores a um ambiente exclusivo e oferece a eles uma experiência única de personalização”.

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