Morte de Odete Roitman, maior vilã da TV brasileira, será reprisada nesta quinta-feira

Vale Tudo foi exibida em mais de 30 países, inclusive na comunista Cuba

Assassinato da vilã foi a Copa do Mundo dos noveleiros
Assassinato da vilã foi a Copa do Mundo dos noveleiros Foto: Reprodução

Quem matou Odete Roitman? Apesar da novela Vale-Tudo ter sido exibida entre 1988 e 1989, a pergunta ainda é feita por aí. A cena que parou o Brasil em 1988 e rendeu 92 pontos de audiência à Rede Globo será reprisada na madrugada de quinta-feira, no canal a cabo Viva.

A novela tratou de temas polêmicos quando a nação ainda se acostumava com a volta da democracia e se preparava para as primeiras eleições diretas para presidente depois do final da ditadura militar. Na época, assistir televisão era um dos programas preferidos das famílias brasileiras. Para aumentar o suspense em torno do assassinato da mais célebre vilã da TV brasileira, os autores escreveram cinco finais para o último capítulo e os atores só tiveram acesso ao texto durante a gravação.

Exibida entre 16 de maio de 1988 e 6 de janeiro de 1989, Vale Tudo levou para a ficção a realidade de uma pais recém-saído de 20 anos de ditadura militar. A novela falou claramente de corrupção, desonestidade, alpinismo social, orientação sexual, alcoolismo e poder.

O roteiro assinado por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, e dirigido por Dennis Carvalho, tem como trama principal o embate entre a altruísta Raquel Accioli (Regina Duarte), a filha mau-caráter Maria de Fátima (Glória Pires) ? que odeia a pobreza e é capaz de fazer qualquer coisa para ter dinheiro ? e a toda-poderosa Odete Roitman (Beatriz Segall), megaempresária do setor de aviação desprovida de escrúpulos para conseguir o que quer.

Depois do Brasil, Vale Tudo foi exibida em mais de 30 países, inclusive na comunista Cuba. 

Cena fatídica

Exibida em 24 de dezembro de 1988, a cena em que Odete é assassinada fez parte da ceia de Natal de boa parte dos brasileiros. O assassinato foi a Copa do Mundo dos noveleiros. Pelas janelas, vizinhas trocavam impressões sobre o possível autor do crime. Mesmo os homens, que diziam que novela era coisa de mulher, arriscavam uns palpites na barbearia. Não faltaram também rodas de apostas e bolões, numa verdadeira mobilização nacional.

No último capítulo, revela-se que a vilã havia sido morta, por engano, por Leila (Cássia Kiss), que pensava estar atirando em Maria de Fátima, a qual havia se tornado amante de seu marido, Marco Aurélio, ex-genro de Odete. A cena do disparo foi gravada no dia em que o último capítulo foi ao ar.

Os demais vilões da novela não são punidos. Maria de Fátima casa com um príncipe italiano em mais uma das tramoias de César. Marco Aurélio e Leila fogem do país depois de dar um golpe. Numa cena antológica, ele dá uma “banana” para as câmeras antes de embarcar, gesto repetido na vida real pelo presidente Fernando Collor de Melo anos depois, e por Cortez em Insensato Coração.

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