Mulher ainda ganha menos

Rio Grande do Sul é um dos Estados em que há maior disparidade na remuneração conforme o sexo do empregado

Hoje, Letícia recebe o mesmo que os colegas homens, mas nem sempre foi assimHoje, Letícia recebe o mesmo que os colegas homens, mas nem sempre foi assim
Hoje, Letícia recebe o mesmo que os colegas homens, mas nem sempre foi assimHoje, Letícia recebe o mesmo que os colegas homens, mas nem sempre foi assim Foto: Robinson Estrásulas

A fama de machista do gaúcho pode ter reflexo no mercado de trabalho. Ou melhor, nos contracheques. As gaúchas que ingressaram em novos empregos com carteira assinada no primeiro semestre deste ano foram contratadas com salários, em média, 16% inferiores aos dos homens.

Nacionalmente, essa diferença coloca o Estado na liderança do ranking da desigualdade de gênero, junto com Amazonas, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Santa Catarina, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho

Em média, no Brasil, os valores pagos nas contratações de novas funcionárias são 11% menores do que os destinados aos novos empregados. Mesmo profissionais bem colocadas no mercado têm relatos de desigualdade salarial em suas carreiras. Promovida há dois anos à diretora de departamento jurídico do Wal-Mart Brasil para Região Sul, a advogada Letícia Lorensi hoje tem remuneração equiparada à dos diretores do seu mesmo nível hierárquico. No passado, quando o patrão era outro, a situação não era essa. No dia-a-dia, ainda reconhece pequenos focos de resistência aos novos tempos.

– Em algumas situações, a mulher ainda precisa conquistar a confiança no ambiente de trabalho – avalia.

Para os profissionais de Recursos Humanos, é possível apontar os segmentos em que ainda predomina a diferença de salários. O setor industrial, sobretudo no chão-de-fábrica, é um deles. Por outro lado, também é possível listar atividades em que o sexo já não determina o rendimento mensal maior ou menor. A disparidade seria menor nas áreas de comércio, marketing e recursos humanos, onde há uma presença feminina consolidada, de acordo com o gerente regional da Michael Page International, Roberto Picino.

Segundo a economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômico (Dieese) Lúcia Garcia, por figurar entre os Estados mais desenvolvidos, o Rio Grande do Sul tem um padrão salarial concentrado entre a faixa de dois e três salários mínimos. A média das mulheres, no entanto, seria puxada para baixo pelo peso que o trabalho doméstico tem no universo das trabalhadoras. Na atividade, predomina o salário mínimo.

Lúcia acrescenta, ainda, que as mulheres têm participação significativa nos setores de serviços, educação e saúde em postos de trabalho que estão na base da pirâmide salarial, como auxiliares de enfermagem e professores de escola básica.

– Saúde e educação são segmentos distantes da acumulação de capital – pondera a economista.

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