Mulher de fases: como as brasileiras lidam com a menopausa

Atividade física e alimentação saudável são fundamentais para encarar o período

Regina faz exercícios para aliviar os sintomas da menopausa
Regina faz exercícios para aliviar os sintomas da menopausa Foto: Emílio Pedroso

Não tem como escapar. Se você é mulher e pretende ultrapassar os 40 anos, vai entrar na menopausa. A boa notícia é há meios para se enfrentar essa etapa da vida com naturalidade e sem grandes percalços. O primeiro passo é encará-la como mais um período, assim como a primeira menstruação.

Para ajudar aquelas que estão passando e as que ainda vão passar por isso, a Divisão de Clínica Ginecológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) traçou o perfil da mulher brasileira na menopausa e na pós-menopausa.

O estudo Dados Demográficos, Epidemiológicos e Clínicos de Mulheres Brasileiras Climatéricas avaliou cerca de 6 mil participantes com mais de 40 anos ao longo de uma década ? de 1983 a 2004. Depois disso, foram mais seis anos para reunir os dados e construir as estatísticas. Os resultados mostram que a maior parte delas entra na menopausa dos 45 aos 50 anos ? em média, aos 48. A tendência, entretanto, é de que aquelas que tiveram a menarca (primeira menstruação) antes dos 14 anos cheguem a esse estágio antes que se complete o primeiro meio século de vida.

Segundo a coordenadora da pesquisa, a ginecologista Angela Maggio da Fonseca, os resultados vão ajudar a conhecer a fisiologia desse período e a escolher o tratamento adequado. Angela ressalta que, para passar bem por essa fase, é preciso aceitação. Atividade física e alimentação saudável são fundamentais.

? Estar com a cabeça boa ajuda, e muito. É necessário aceitar que essa é uma fase de transformação, faz parte do ciclo da vida ? afirma.

Durante o levantamento, verificou-se que metade das mulheres consegue lidar com os sintomas da menopausa sem o uso de medicamentos. O indicativo casa com a experiência da vice-presidente da Associação Brasileira de Climatério, Maria Celeste Osório Wender:

? Muitas necessitam de algum tipo de tratamento para alívio de sintomas severos, mas uma parte delas consegue tolerar bem. Os calorões, por exemplo, podem atrapalhar muito, principalmente quando ocorrem à noite, pois se associam com a piora do sono. Entretanto, há pacientes que têm pouco ou nenhum sintoma.

Encarando os calorões

Um drama tomou a vida da relações-públicas Regina Germani Paiva há nove anos, quando entrou na menopausa. Tinha 48 anos. Ela, que nunca pensou no fim da menstruação com preocupação, é o típico retrato da brasileira nesse período da vida. No começo, foram meses de tormento: dificuldade para dormir, calorões e irritação ? que tirou dos eixos a mulher calma e tranquila de sempre.

? Eu tinha um calor insuportável que vinha de forma súbita, me deixava toda vermelha. Parecia que todo mundo estava percebendo o meu mal-estar. Mas isso não foi o pior, era o meu pavio curto que estava terminando com a minha vida. Hoje brinco que o meu marido só não me largou por causa da terapia hormonal ? conta Regina, casada há 34 anos e mãe de um jovem de 28 anos.

O tratamento que a salvou foi motivo de relutância no princípio. Regina diz que ouvia coisas horríveis sobre o método. Como algumas das amigas passaram sem sobressaltos pela menopausa, ela decidiu resistir. Não aguentou.

? Ninguém me suportava lá em casa. Eu, que sempre fui de boa paz, havia me tornado uma fera. Além disso, minha vida sexual estava um caos. A mulher muda sexualmente. Precisava reverter aquilo tudo e procurei ajuda ? lembra.

Além da pílula tomada diariamente, Regina também adota hábitos saudáveis como a malhação para se sentir mais confiante:

? Sempre fui de me cuidar. Faço musculação desde os 15 anos. Agora preciso mais do que nunca. A menopausa também deixa a pele flácida e prejudica o tônus muscular. Até o cabelo muda. Mas dá para suportar.

CONCLUSÕES DO ESTUDO

? Ondas de calor, palpitações e melancolia têm mais chance de aparecer em mulheres que entram na menopausa mais cedo. Esses sintomas diminuem à medida em que o tempo passa. Já a ocorrência de insônia não depende do tempo transcorrido desde o início desse período.

? O aumento do peso na menopausa, presente em 68% dos casos, eleva o risco de calorões, melancolia e dores nas articulações e nos músculos.

? 81,5%, das participantes têm doenças como hipertensão arterial, diabetes, tumores ou problemas na tireoide.

? Dois terços das mulheres apresentam depressão.

? 34,2% daquelas acima de 55 anos têm pressão arterial alta.

? Mais da metade das mulheres na menopausa está acima do peso e dois terços delas têm sintomas vasomotores, como ondas de calor.

? A menopausa tende a ocorrer mais cedo em pessoas estressadas.

? Um estudo anterior evidenciou que mulheres que precisam retirar o útero tendem a entrar na menopausa em, no máximo, sete anos.

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