Mulher do Futuro: elas querem mais prazer e menos culpa

Elas devem encontrar meio-termo entre tabus do passado e exigências de hoje

Segundo psicóloga, mais mulheres colocarão em prática o que muitos homens já fazem: ter prazer sexual na meia-idade
Segundo psicóloga, mais mulheres colocarão em prática o que muitos homens já fazem: ter prazer sexual na meia-idade Foto: Ilustração de Renato Nascimento

Se as avós e bisavós cresceram com o tabu da virgindade, e as mães viveram na prática a revolução sexual, o que caberá às próximas gerações?

Para o especialista em relações amorosas Ailton Amélio, autor de O Mapa do Amor, a partir da lógica do movimento pendular ? que vai aos extremos, tendo ao centro o ponto de equilíbrio ? pode-se prever que a mulher das próximas décadas encontrará o meio-termo entre os tabus do passado e as exigências de hoje, quando muitas consomem revistas e livros de autoajuda para aprender a agradar os homens na cama.

? Ela viverá o sexo como preferir ? acredita.

As apostas da psicóloga clínica, terapeuta sexual e de casal Ana Maria Zampieri, autora de Erotismo, Sexualidade, Casamento e Infidelidade, apontam para casamentos menos duradouros e de maior qualidade.

Ela acredita que deverá cair, também, a crença de que só corpos perfeitos e jovens têm prazer sexual:

? Mais mulheres colocarão em prática o que muitos homens já fazem: ter prazer sexual na meia-idade, não necessariamente com o cônjuge.

Segundo a psicóloga, ganhará força a percepção de que não é preciso desfazer um casamento com uma boa parceria apenas pelo fato de não haver mais sexo. O psicólogo Flávio Gikovate, autor do livro Sexo, é de outra opinião:

? Não vejo futuro para as relações de qualidade média. É assim: a vida a dois terá que ser melhor do que o viver só. Como viver só está cada vez melhor, todos os relacionamentos que forem de qualidade inferior a essa vida tenderão a desaparecer.

Confira vídeo sobre a mulher do futuro:


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Magreza x Obesidade

Ainda que profissionais da área da saúde, mulheres cansadas da briga com a balança e até alguns nomes do mundo da moda façam coro contra os excessos, a ditadura da magreza deverá seguir firme na próxima geração. É consenso: no futuro, ser bela ainda equivalerá a ser magra. Com um agravante, como alerta o cirurgião plástico Telmo Morsch dos Reis: devido às mudanças no padrão alimentar e aos índices de obesidade, será cada vez mais difícil enquadrar-se no modelo.

Outra tendência é o comprometimento das pessoas com a estética. Como destaca a historiadora Denise Sant’Anna, vai imperar cada vez mais a concepção de que beleza é algo que você compra ? e com selo médico. As cirurgias plásticas, lipos e implantes chegarão a um número cada vez maior de pessoas.

Novas configurações familiares

A mulher terá cada vez menos filhos. Em 2009, a média de filhos por mulher no Brasil era de 1,94. Esse número deverá cair para 1,5 em 2030 ? abaixo do nível de reposição da população. A tendência é termos um país de idosos. Outra, é a da mulher ser mãe cada vez mais tarde. Praticada desde 2007, a técnica de congelamento de óvulos por vitrificação será amplamente utilizada, permitindo que as elas adiem o momento de ter filhos.

O aumento da expectativa de vida e a possibilidade de os casais ultrapassarem os 80 e os 90 anos saudáveis continuará fazendo da maternidade um projeto tardio. Em 2020, será comum o primeiro filho chegar entre os 45 e os 50 anos. As próximas gerações já deverão contar com leis que contemplem todos os arranjos de família. Incluirão casais homossexuais com ou sem filhos e mulheres que têm filhos sozinhas.

? Essas famílias já existem, diz a desembargadora aposentada Maria Berenice Dias, que acredita ainda que, em algumas décadas, deverá ser aprovada a descriminalização do aborto.

Com informação, sem submissão

Aos 24 e 25 anos respectivamente, as vendedoras Juliana Pereira e Greice Moreira, colegas em uma loja no Centro de Florianópolis, sabem bem o que é a ditadura da magreza e o excesso de liberdade sexual. Elas são da geração que vive sob esse espectro, mas são maduras o suficiente para perceber o exagero.

? Na questão sexual, acho que a próxima geração será mais equilibrada, porque as meninas de hoje têm muito mais informação do que a gente tinha ? comenta Greice, mãe de uma menina de seis anos.

Juliana concorda e acrescenta:

? Nosso papel é conversar bastante e mostrar o que vivemos.

Sobre saúde, ela acreditam que as mulheres do futuro serão mais artificiais. Farão mais plásticas e ainda correrão atrás do padrão de beleza magérrimo.

Hábitos femininos

? 80% das mulheres acreditam que é vital manter a forma

? 79% delas pagariam qualquer preço para manter a saúde

? 39% reclamam que não tem tempo para preparar refeições saudáveis

? 49% admitem usar preservativos em novos relacionamentos sexuais

? 60% das mulheres se informam bem antes de comprar novos produtos alimentícios

? 38% praticam exercícios ao menos uma vez por semana e 23% ingerem produtos diet/light

? 65% admitem que, de vez em quando, quebram a dieta pelo prazer de comer o que não faz bem à saúde

? 59% das brasileiras dizem que vão ao médico só quando se sentem realmente doentes

Fonte: Ibope Mídia, que mostra os hábitos e comportamentos das brasileiras em relação a compras e saúde.

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