Mulher do futuro: equilíbrio entre carreira profissional e pessoal é um dos maiores desafios

Em momentos de crise, corporações preferem contratar mulheres para assumir chefia

Ida
Ida Foto: Felipe Carneiro

A partir dos anos 70, as mulheres começaram a assumir mais espaço no mercado de trabalho. Nos anos 90, passaram a ocupar cargos estratégicos e de liderança, dividindo posições de comando com os homens. E daqui a 30 anos, que cenário teremos?

Equilibrar a carreira profissional com a vida pessoal seguirá sendo o maior desafio, acredita o consultor organizacional Eduardo Shinyashiki. Ou seja, por mais que a mulher ocupe lugar de destaque no mundo corporativo, continuará com os mesmos dilemas de hoje. A mulher reconhece a importância do seu papel profissional e de manter sua própria identidade. Mas ela se pergunta: “Que modelo feminino serei para as novas gerações?”

As empresas necessitam, cada vez mais, do talento e da liderança feminina, cujas características ? flexibilidade, adaptabilidade, inovação e imaginação ? , que até bem pouco tempo eram consideradas pouco adequadas à gestão de uma empresa, começam a ser importantes para promover mudanças nas organizações, e para guiar os colaboradores nos novos desafios que os tempos atuais exigem.

O empreendedorismo também marcará a mulher do futuro. Segundo o datacenter Maxihost, o crescimento do número de mulheres empreendedoras está em cerca de 30% ao ano. Em 2010, elas já representavam quase 50% dos donos das mais de 3 mil lojas virtuais brasileiras.

Pesquisa publicada no British Journal of Social Psychology revela que, em momentos de crise, as corporações preferem contratar mulheres para assumir cargos de chefia. Revela que os homens possuem características de competitividade e independência. As mulheres são mais justas, comunicadoras, trabalham em equipe com mais facilidade e possuem a capacidade de desempenhar várias tarefas ao mesmo tempo, o que ajuda a gerir e reverter um quadro de crise, sem perder o controle sobre as atividades rotineiras da empresa.

:: Aposta na tecnologia

O censo da educação superior do MEC demonstra o crescimento do número de mulheres nos cursos de graduação no Brasil. Há10 anos, 80% dos alunos eram homens. Hoje, a situação se inverteu, diz Marco Maschio Chaga, 47 anos, executivo de tecnologia educacional e professor de produção de conteúdo digital.

A gestão do conhecimento não permite que o profissional pare de estudar, porque a inovação é constante. A mulher estuda mais do que o homem. Em consequência, diz Chaga, rapidamente ela domina o mercado de tecnologia digital.

? Neste novo mercado não existe diferença nem discriminação com relação a salário. O que conta é a dedicação do profissional.

Marco Chaga acredita que nos próximos anos a mulher deverá retomar, no âmbito familiar, o espaço que tinha nos anos 1960. Retrocesso? Que nada! O escritório do futuro será virtual. Os profissionais poderão trabalhar em qualquer lugar, inclusive em casa. A presença na empresa não será mais necessária, não em horário integral. Assim, a mulher terá mais tempo para se dedicar à família. O tão almejado equilíbrio, sonho de todas.

Assista ao vídeo especial:

:: Questão de tempo

Quando Ida Áurea Costa começou a trabalhar na Pioneira da Costa, empresa da família, em 1983, encontrou um ambiente machista. Hoje, homens e mulheres trabalham lado a lado, com as mesmas responsabilidades. Formada em Análises Clínicas, Ida foi a primeira mulher da família na empresa. Escolheu a área comercial, e especializou-se em Marketing e fez MBA em gestão empresarial. Mesmo assim, não foi fácil adquirir o respeito dos colegas homens. Hoje, fica feliz com o espaço conquistado.

? A mulher tem uma capacidade grande de se relacionar, aglutinar pessoas e formar times ? diz.

A empresária também preside o Sindicato das Indústrias da Pesca da Grande Florianópolis, há 12 anos.

:: Relação complementar

Maria Carolina Linhares, 37 anos, é diretora de duas empresas na área de recursos humanos e gestão de talentos, e também ocupa o cargo de presidente da ADVB/SC.

Consultores de RH estão entre os profissionais com melhor campo de trabalho, agora e no futuro. Outras profissões que devem seguir em alta, diz ela, estão ligadas às áreas de tecnologia, web designer e estética.

A dirigente admite que as mulheres em cargos de liderança ainda são poucas (20% do total), mas, em termos de salário, a igualdade já existe.

? Faço pesquisa salarial há anos e não observo diferença entre o que as empresas pagam para eles e elas.

Sobre a autosuficiência feminina, Maria Carolina defende que homens e mulheres se complementam, e que este equilíbrio é fundamental.

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