Mulheres derrubam barreiras para construir

Carência de profissionais na construção gerada por setor aquecido abriu espaço no mercado de trabalho

Uvas, arruda e lentilha são ingredientes clássicos das simpatias da virada
Uvas, arruda e lentilha são ingredientes clássicos das simpatias da virada Foto: Ricardo Chaves

Quando 150 mulheres receberem os diplomas de cursos profissionalizantes, na noite dessa sexta, dia 26, em Canoas, região metropolitana de Porto Alegre, terão em suas mãos muito mais do que uma formação básica. Os certificados em acabamentos de obras representam a entrada definitiva do sexo feminino em um mercado de trabalho historicamente ocupado por homens: a construção civil.

mulheres na construção

O ingresso das mulheres nos canteiros de obras foi impulsionado por um aquecimento inédito do setor, puxado principalmente pelos projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e pelas moradias do programa Minha Casa, Minha Vida, além da facilidade de crédito para a compra da residência própria.

De acordo com o Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS), o mercado deve fechar o ano com crescimento de 7,5%. Com isso, o déficit chegará a 15 mil trabalhadores em mão de obra básica. Para preencher a lacuna, mulheres buscam qualificação e entram no ramo.

Atendente de uma pizzaria na Capital, onde ganhava um salário mínimo, Simone Vieira Fuão, 38 anos, resolveu traçar um novo rumo. Em setembro, iniciou o curso de pintura predial e, em menos de uma semana, passou a ganhar mais do que o dobro. Às vésperas de receber o certificado da profissionalização, planeja adquirir experiência para trabalhar de forma autônoma.

– Quero montar minha equipe em no máximo um ano – planeja Simone, que irá se formar ao lado da mãe Eunice Vieira Fuão, 64 anos.

Em busca de uma nova alternativa de renda, elas participaram de um programa oferecido pela Associação Viver & Aprender, por meio de um convênio entre a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República e prefeitura de Canoas. Em aulas teóricas e práticas, aprenderam técnicas de pintura predial, assentamento de tijolos e cerâmicas, além de instalação elétrica e marcenaria. Antes mesmo de concluir os cursos, mais da metade delas já estava trabalhando.

Com habilidades apuradas para trabalhos detalhistas, as mulheres começaram a se misturar entre os homens em canteiros de obras do Rio Grande do Sul no início deste ano. Com um enorme espaço para expansão, elas desafiam o preconceito e muitas vezes a falta de condições iguais de trabalho.

– Algumas empresas ainda não estão prontas para receber profissionais mulheres – aponta José Paulo Grings, vice-presidente do Sinduscon-RS.

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