Mulheres sofrem mais com crise econômica

Características femininas, como sensibilidade e variação hormonal, aumentam o nível de preocupação

Mulheres têm mais facilidade em admitir que estão se sentindo mal
Mulheres têm mais facilidade em admitir que estão se sentindo mal Foto: Divulgação

A instabilidade econômica costuma provocar mais estresse nas mulheres do que nos homens, indica pesquisa divulgada pela Associação Americana de Psicologia (APA, em inglês). Em um levantamento feito pela APA com 29 mil pessoas, 84% das mulheres disseram estar preocupadas com o estado da economia, contra 75% dos homens. Segundo a associação, o principal motivo é que elas costumam ter mais responsabilidades do que os homens, principalmente se são casadas ou têm filhos.

– Além do desempenho no trabalho, elas têm que lidar com filhos pequenos, com a organização do lar e ainda dar apoio emocional ao parceiro – avalia a psicóloga Stephanie Smith, coordenadora do estudo. Ela lembrou também que as mulheres têm uma percepção melhor de como estão se sentindo e, por isso, admitem que estão se sentindo mal com mais facilidade.

A psicóloga Mara Ramboni, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que dois fatores são responsáveis pelo alto número de mulheres estressadas. O primeiro é a instabilidade hormonal, que deixa o sexo feminino naturalmente mais sensível, e o segundo é a falta de autonomia.

Culturalmente, as mulheres ainda têm menos poder de decisão do que eles e ficam ansiosas por não participarem como gostariam da resolução de problemas. Já as que conquistaram autonomia costumam ter ainda mais responsabilidades do que um homem na mesma posição, e por isso têm menos tempo para investir em atividades que relaxam – explica Mara.

Quando estressadas, as mulheres têm mais queixas psicológicas, enquanto os homens costumam manifestar o estresse com sintomas físicos.

– A mulher costuma ficar mais irritada ou chorosa e busca mais apoio nas amigas. Já os homens, por não expressarem seus sentimentos, somatizam as emoções e acabam tendo problemas de pressão ou de coração, por exemplo.

Um dos primeiros sinais de que algo não vai bem é a insônia. Passar a esquecer nomes, compromissos ou perder objetos também é sinal de que o organismo está sobrecarregado.

– A mulher tem uma preocupação ruminante, ou seja, fica pensando no problema até ele se resolver. O homem também pensa nos problemas, mas consegue separar melhor seus pensamentos – completa a psicóloga.

Medidas simples ajudam aliviam ansiedade

Em momentos mais difíceis, adotar alguns hábitos simples ajuda a melhorar os sintomas de estresse e protege a saúde, explica a psicóloga. Ela sugere que sejam adotadas “estratégias de recuperação”, medidas que melhoram tanto a saúde física como a mental.

Comer e dormir bem, reservar alguns minutos do dia para praticar exercícios físicos, de preferência ao ar livre, e aproveitar para passar mais tempo entre amigos e parentes são formas eficazes de relaxamento. Ouvir música, investir em programas culturais e adotar algum trabalho manual também são boas formas de contornar a ansiedade.

– Por último, é importante entender que, em momentos de crise, algumas pessoas tendem a exagerar a situação e enxergam tudo como catástrofe. O mais importante é ser realista para saber avaliar como as mudanças vão afetar a sua vida – avalia Mara.

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