Mural: Maioria dos leitores é contrária à regulamentação da prostituição

Evento que discute os direitos trabalhistas das prostitutas em Porto Alegre causa polêmica

Prostitutas de todo o país desfilaram a coleção de verão da grife Daspu na Casa de Cultura Mario Quintana
Prostitutas de todo o país desfilaram a coleção de verão da grife Daspu na Casa de Cultura Mario Quintana Foto: Jefferson Botega

Cerca de 80 prostitutas e 60 ativistas e pesquisadores estão reunidos em Porto Alegre para discutir o reconhecimento dos direitos trabalhistas, direitos sexuais e melhores condições de vida e segurança. As reivindicações estão sendo apresentadas no V Encontro da Rede Brasileira de Prostitutas, que termina no sábado.

Um desfile marcou a abertura do evento em que prostitutas de todo o país apresentaram a coleção “Da Farofa ao Caviar”, da grife carioca Daspu, marca da ONG Davida, na noite desta quinta-feira na Casa de Cultura Mario Quintana.

A prostituição consta na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) como um ofício legal, mas não existe uma legislação trabalhista para regulamentar a atividade, o que já é feito em países como a Holanda e a Alemanha. A zerohora.com convidou seus leitores para manifestarem sua opinião sobre esta normatização no Brasil.

Raimundo Cortês e Galo, de Porto Alegre, considerou a proposta absurda.

? Vão querer tributar e depois repassar a conta para o consumidor. O governo é que tem que bancar o serviço social e não aumentar a arrecadação em troca dos favores sexuais dos outros. Isso tem nome… ? considera.

Alceu Medeiros, de Bento Gonçalves, crê que as prostitutas merecem benefícios da previdência social como aposentadoria, desde que contribuam. 

? Não veja nada de mal, pois já legalizaram até o achaque, ou seja, guardadores de carros por quê não legalizar a profissão mais difícil do mundo? Pelo menos elas, as prostitutas, não achacam ninguém com o seu trabalho.

Lisandra Caieron, que vive na Alemanha, destaca que as prostitutas devem ser fiscalizadas, tal qual ocorre na Europa. 

? Duvido muito que o Brasil possa fazer o que Alemanha e Holanda fazem. Aqui, por exemplo, elas tem que pagar imposto, e pagam muito. E no Brasil? querem trabalhar para terem os direitos que aqui existem, mas e as obrigações também estão incluídas? Acredito uma falácia falar em legalizar, sendo que no Brasil o que menos existe é uma fiscalização eficiente, coisa que por aqui, existe mesmo.

Para André Carvalho, de Porto Alegre, o problema é que a sociedade confunde direito com permissões e questiona a insistência em discutir o direito das minorias. 

? Hoje tudo que não é permitido acaba encontrando nas minorias o direito de ser e ter direito. Daqui há um tempo, coisas considerada ilícitas como drogadição e pedofilia passem a ser lícitas, devido à falsa cortina do direto de ser assim que esconde a desagregação e a perda de identidade social.

Juliana Loureiro de Oliveira, de Porto Alegre, se diz a favor porque acredita que a regulamentação vai proporcionar mais respeito às prostitutas.

? Enquanto as prostitutas deixam claro aos seus clientes que estão ali pelo dinheiro, muitas mulheres casam e constituem família com multimilionários única e exclusivamente por dinheiro. Não seria isto uma prostituição? Porque esta é aceita e aquela não?

André Dias, de Bagé, engrossa o coro de que prostituição não é profissão. 

? Trabalhador é aquele que se levanta cedo todos os dias para trabalhar, muitas vezes já levando uma marmita para aquecer na hora do almoço, porque voltar para casa encareceria demais os gastos do seu já minguado salário. Esta é uma maneira fácil de ganhar a vida para quem não quer realmente encarar um trabalho convencional ? defende.

Luís Gama, de Porto Alegre, defende que regulamentar o ofício é uma agressão à sociedade.

? A prostituição é degradação humana, é a venda de si próprio física e psicologicamente. Profissionalizar prostituição é tapar o sol com a peneira de um grave problema social. Prostituição se coaduna com outros crimes.

Alessandra Duarte, de Porto Alegre, também concorda que a prostituição traz consigo marginalidade, tráfico e consumo de drogas, a presença de cafetões e a violência. 

? Inclusive um tempo atrás escrevi um email para sindicatos das prostitutas sobre a contradição da falta de uma tabela de preço delas. Aqui no meu bairro, o tipo de prostituta que cobra R$ 5,00 e R$ 10,00 trouxe o pior tipo de pessoa que frequenta a redondeza. Neste país não falta trabalho, falta gente que queira acordar cedo para ir trabalhar, cumprir horários e seguir regras.

Renato Batista, de Porto Alegre, diz não ver motivo contra à regulamentação. 

? Só pessoas ignorantes são capazes de achar que se o Governo investisse mais em educação iria acabar com a prostituição. Prostituição existe em qualquer lugar do mundo.

Assista ao vídeo do desfile:

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