Na era dos superavós: idosos do século 21 assumem um novo papel

Assunto foi tema da palestra de abertura do II Congresso de Direito de Família do Mercosul ontem

Maria Cristina Giacobbo Riffel, 58 anos acompanha a neta Costanza nas tarefas do dia a dia
Maria Cristina Giacobbo Riffel, 58 anos acompanha a neta Costanza nas tarefas do dia a dia Foto: Genaro Joner

Foi-se o tempo em que os avós ficavam em casa diante da TV, de pijama e pantufa, lendo e tricotando, à espera da visita dos netos. Diante das novas configurações familiares e da possibilidade de viver mais e melhor graças aos avanços da medicina, os idosos do século 21 protagonizam uma metamorfose social e assumem um novo ? e desafiador ? papel: o de superavós.

O assunto foi tema da palestra de abertura do II Congresso de Direito de Família do Mercosul ontem, no auditório do Ministério Público, em Porto Alegre. Mais de 400 pessoas acompanharam as discussões, que continuam hoje, com diferentes temáticas relacionadas à vida familiar.

? Os avós estão muito mais participativos do que já foram. Eles levam e buscam os netos na escola, cuidam da alimentação, ajudam nos estudos. Em alguns casos, são os provedores do lar. Isso trouxe mudanças, inclusive em âmbito judicial ? afirma a advogada Delma Silveira Ibias, presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família no Estado (Ibdfam-RS).

Deixaram de ser raros, segundo a especialista, os casos de avós que assumem a pensão alimentícia dos netos, quando os pais se divorciam e vivem dificuldades financeiras. Ou mesmo de avós que recorrem aos tribunais para garantir o direito de visitar as crianças e fazer parte da vida delas. Mas esse é o lado extremo de um fenômeno mais amplo, visível em grandes e pequenas cidades.

Avessos ao isolamento de outros tempos, hoje eles malham, estudam, trabalham e usam o computador com desenvoltura. Muitos, segundo o geriatra Eduardo Garcia, da Santa Casa de Misericórdia da Capital, simplesmente não aceitam mais o envelhecimento. Os superavós se reinventaram e se transformaram nos protagonistas de uma revolução silenciosa nos lares brasileiros, que começa a mudar o dia-a-dia de crianças e adolescentes ? e também de seus pais, sobrecarregados pelas tarefas do dia-a-dia.

É o caso da artista plástica Maria Cristina Giacobbo Riffel, 58 anos. Desde que sua filha, a publicitária Mirele Riffel, 34 anos, se separou do marido e trocou o Rio por Porto Alegre, Cristina ajuda como pode. Enquanto Mirele trabalha, a avó-coruja toma as rédeas da família e cuida da neta, Costanza, nove anos. Leva a menina para almoçar, paga as entradas do cinema, responde dúvidas, orienta, brinca. As duas fazem ginástica juntas, estudam lado a lado e trocam confidências.

? Quem imagina uma avó de vestido florido e sapatinho baixo está por fora. Eu uso calça jeans e bota. Me considero uma avó moderna e participativa ? diz Cristina.

Embora se orgulhe do papel desempenhado na família, a artista plástica deixa claro que não quer ocupar o lugar da mãe de Costanza na criação da menina, aluna no Colégio Farroupilha. Para Cristina, as figuras materna e paterna são insubstituíveis e devem estar presentes.

Fora isso, a superavó garante que o excesso de atividades ? em um período que, tradicionalmente, seria de descanso ? não lhe causa problemas. Pelo contrário. Como outras avós reinventadas, Cristina está feliz e satisfeita. Sente-se valorizada.

Nesta reportagem, especialistas de diferentes áreas avaliam essa nova geração de avós e saiba que cuidados devem ser tomados para uma velhice participativa, mas também saudável.

SERVIÇO

Ainda é possível se inscrever no II Congresso de Direito de Família do Mercosul, que segue até as 17h de hoje. As inscrições devem feitas no local (auditório do Ministério Público, na Av. Aureliano de Figueiredo Pinto, 80, em Porto Alegre). Os valores variam de R$ 80 a R$ 200. Mais informações: (51) 3388-4944

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