Nem sempre os telespectadores conseguem separar os personagens dos atores

Artistas contam que já foram vítimas de agressões por conta de seus papéis na TV

Alinne Moraes já é adepta do coque descabelado
Alinne Moraes já é adepta do coque descabelado Foto: Divulgação, RG Vogue

Jogue a primeira pedra quem nunca ficou tão furioso com as maldades de alguns personagens nas novelas que sentiu vontade de dar uns tabefes no dito cujo! Misturar ficção com realidade não é tão difícil assim de acontecer.

Foi o que Retratos da Fama constatou ao conversar com atores que penaram nas ruas, por culpa de personagens marcantes que viveram na tevê. Histórias hilárias e outras dramáticas que reforçam o poder de uma novela ao entrar nos lares de milhões de brasileiros.

O terror dos avós

Em Mulheres Apaixonadas (2003), Regiane Alves, na pele da Dóris, xingava e maltratava os avós Flora (Carmem Silva) e Leopoldo (Oswaldo Louzada). Na época da novela, a atriz despertou uma revolta tão grande nas pessoas que, nas ruas, muita gente acreditava que ela era como a neta sem escrúpulos da trama. Por conta disso, chegou a ser agredida por uma idosa indignada:

– Começou a me bater com um jornal. Outra vez, fui a uma loja de materiais de construção, e o vendedor não quis me dar nota. Disse que eu era má.

Me inclua fora dessa

Com uma carreira marcada por papéis intensos, Jackson Antunes já foi muito confundido com as figuraças que interpreta na telinha. Ele conta três histórias suas de arrepiar!

– Em O Rei do Gado (1996), meu personagem, o Regino (líder dos sem-terra), morreu. Na noite seguinte, fui apresentar um espetáculo de teatro numa cidade do interior, mas todas as pessoas que compraram ingresso antecipado foram até o teatro pedir reembolso. Eles acreditaram que eu tinha morrido mesmo. Aí, o jeito foi contratar um carro com alto-falante e sair pelas ruas da cidade explicando que eu estava vivo, que quem tinha morrido era o Regino.

– Certa vez, eu estava fazendo um espetáculo no interior de Minas Gerais. Aí, um senhor entrou no camarim e perguntou se eu tinha matado todas aquelas pessoas (referindo-se às que o jagunço Damião, que ele fazia, havia assassinado em Renascer, novela de 1993). Entrei na onda e respondi que sim, que estava ali me escondendo da polícia. Ele continuou e disse que gostava tanto de mim que ficaria na porta do teatro até o fim da peça e que, se a polícia chegasse, me avisaria!

– Com o Leo, de A Favorita (na novela de 2008, seu personagem batia na esposa Catarina, vivida por Lília Cabral), o povo foi ao extremo. Eu estava parado numa banca de revistas no Rio e surgiu um sujeito enraivecido, que veio gritando que eu era um mau exemplo para o Brasil. Pensei que fosse brincadeira, uma pegadinha, e comecei a rir. Ele ficou mais bravo ainda e me deu um empurrão. Caí no chão e acabei passando três dias no hospital.

Sai pra lá

Na arrancada, ele já causou polêmica. O papel que alçou Dan Stulbach ao estrelato foi Marcos, que batia na esposa, Raquel (Helena Ranaldi), em Mulheres Apaixonadas (2003). O ator afirma que, no auge das agressões de seu personagem na trama, as pessoas atravessavam as ruas para não cruzar com ele, deixavam de atendê-lo nos lugares e até recusavam-se a sentar ao seu lado em viagens de avião.

– Quando andava na rua, tinha sempre alguém tecendo um comentário. Uma vez, no cinema, foi difícil à beça. As pessoas pediam: “Pare de bater na Raquel!”.

Solenemente ignorada

Quando interpretou a insana Sílvia em Duas Caras (2007), Alinne Moraes deixou de lado os papéis de mocinha e sentiu na pele o que é encarnar uma vilã em uma novela das oito.

– É incrível como a reação das pessoas mudou! Antes, me abraçavam. Agora, não falam comigo e, às vezes, nem olham para a minha cara! – contou a atriz, na época da novela.

Até a rotina da beldade foi alterada por conta da confusão que os telespectadores ainda fazem entre ficção e vida real.

– Tive de esperar um bom tempo para conseguir comprar pães de queijo em uma cafeteria. A atendente passava todos os clientes na minha frente. Acho que transferiu a raiva da Sílvia para mim – analisou Alinne.

Mais adequado?

André Arteche já foi confundido com o seu cabeleireiro gay, Julinho, que cativou o público em Ti-ti-ti:

– Esses dias, uma senhora me parou na rua e disse que sabia que eu iria achar um caminho mais adequado pra mim (referindo-se à opção sexual do seu Julinho). Expliquei que o personagem era o personagem, e eu era eu. Mas ela não saiu convencida e ainda disse que me queria bem como a um filho.

Eu te curo

Zé Victor Castiel, que fez o Viriato em Laços de Família (2000), recebeu propostas indecorosas nas ruas. Explica-se: na trama, ao lado da esposa, Ivete (Soraya Ravenle), o seu personagem vivia o drama de ser impotente:

– Ouvia várias ofertas. Elas diziam: “Vem comigo que eu te curo!”. Quando o personagem é intenso, esta confusão ocorre mais ainda. Também me chamavam de Viriato, mas eu não atendia.

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