No Dia dos Avós, comemorado hoje, entenda como chegar à terceira idade com qualidade de vida

Especialistas reforçam que o envelhecimento é inevitável, mas pode ser vivido com tranquilidade

Idosos podem cuidar da alimentação como forma de prolongar os anos de vida
Idosos podem cuidar da alimentação como forma de prolongar os anos de vida Foto: Divulgação

Os avanços da medicina há muito driblaram as regras da seleção natural das espécies, que tem como princípio básico eliminar os mais fracos e enfermos. Potentes drogas, minuciosas cirurgias, mudanças de hábitos ao longo dos anos são algumas das estratégias consideradas aliadas para fortalecer os indivíduos. Sim, o homem passou a viver mais, mas ainda não aprendeu – pelo menos, a maioria – a conviver com as dores e os desgastes provocados por anos de uso dessa máquina que é o corpo humano.

Foram descobertos inúmeros meios para prolongar a vida, mas não para frear o envelhecimento. Desde a Idade Média, os alquimistas já tentavam. Muitos vieram depois. Até hoje, no entanto, não se encontrou a fórmula para manter o corpo jovem e saudável para sempre ou pelo menos até o fim da vida. Esse é o fato, todo o resto, por enquanto, é a insistência em acreditar num milagre que não existe.

– Fuja de qualquer coisa que dizem ser antienvelhecimento – sentencia o presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia no Distrito Federal, Sabri Lakhdari.

Em outras palavras: a velhice é inevitável. A diferença hoje é saber como chegar lá muito bem. Para Lakhdari, a qualidade de vida está escorada no seguinte tripé: praticar exercícios, ter uma alimentação balanceada e fazer exames periódicos. Mas, apesar de o elixir da juventude não passar de um desejo, alguns avanços da medicina – e aí incluem-se as descobertas em nutrição, dermatologia, medicina esportiva e genética – permitem viver mais e melhor.

Vive-se mais pela boca

 Entre todas as medidas estudadas que visam o prolongamento da vida, a restrição calórica é a única que conta com unanimidade.

– Durante mais de 70 anos, cerca de 100 estudos científicos comprovaram que a diminuição em 40% das calorias consumidas durante a vida de pequenos animais aumenta em 40% a duração da vida. O tempo extra não implica sobrevivência com doença. Constataram menos artrite, câncer e outras doenças degenerativas – explica o médico Renato Maia, chefe do Centro de Medicina do Idoso, do Hospital Universitário de Brasília.

Alimentar-se bem reduz o risco de adoecer. Os responsáveis por alimentar e, ao mesmo tempo, “medicar” são os alimentos funcionais, que, além das funções nutritivas básicas, produzem efeitos metabólicos e fisiológicos. Os componentes isolados desses alimentos são os nutracêuticos, oferecidos na forma de barras, cápsulas e em pó.

O nutricionista Clayton Camargos explica que hoje discute-se a nutrigenética, a possibilidade de mudar traços genéticos a partir da dieta.

– A geração de hoje tem a possibilidade de chegar aos 90 anos como se estivesse com 60 – afirma.

O que é recomendado

:: Ômega 3: em peixes de água fria e frutos do mar. Protege contra doenças cardiovasculares, aumenta o colesterol bom (HDL) e diminui o ruim (LDL) e evita a formação de coágulos sanguíneos na parede arterial.
:: Licopeno: no tomate e na melancia. Reduz a concentração de radicais livres.
:: Carotenoides: na cenoura, no mamão e na abóbora. São essenciais para a visão, para estimular o sistema imunológico e para proteger contra doenças cardiovasculares.
:: Flavonoides: nas uvas, vinhos, amoras e morangos. Possui propriedade anticarcinogênica, anti-inflamatória e antialérgica.

O papel da genética

Ainda não é possível detectar por meio do material genético se a pessoa sofrerá de doenças associadas à velhice, como parkinson, alzheimer, cardiopatias e hipertensão, mas já existem diversos estudos voltados a descobrir os genes responsáveis por esses problemas.

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