No Rio de Janeiro, ingresso para baile funk na favela custa no mínimo R$ 150

Figurões vão ao baile na Rocinha de jatinho, e hotel cinco estrelas ganha forma no Vidigal

Em Porto Alegre, o baile funk da Mansão, situado em meio a 18 vilas, recebe cada vez mais gente rica
Em Porto Alegre, o baile funk da Mansão, situado em meio a 18 vilas, recebe cada vez mais gente rica Foto: Dani Barcellos

No Rio de Janeiro, o ingresso mais barato para um baile funk na Favela da Rocinha custa R$ 150 – quem vive na comunidade, portanto, não tem dinheiro para entrar. Promovido e frequentado pela elite carioca, o Baile da Favorita recebe figurões e celebridades do país inteiro. Alguns chegam à cidade de jatinho, saracoteiam a noite inteira no barracão na entrada do morro e só no dia seguinte voltam para casa.

>> Reportagem completa: o funk chama os ricos para novas pistas

Desde que as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) foram instaladas, desbaratando a soberania dos traficantes, as favelas do Rio vivem uma transformação insólita. No topo do Morro do Vidigal, onde a vista é paradisíaca, um hotel cinco estrelas e um albergue com restaurante e clube de jazz estão em construção. O artista plástico Vik Muniz e o empresário Rene Abi Jaoudi compraram casas na favela, que já conta com bons restaurantes para atender turistas.

? É o turismo do exótico, que abrange inclusive frequentar um baile funk no morro. Estar em um local que antes era inacessível, presenciar rotinas e pessoas diferentes daquelas com que você convive, tudo isso provoca nas pessoas uma curiosidade histórica. Na época das Grandes Navegações (entre os séculos 15 e 17), os europeus ficaram encantados com outras formas de organização social ? diz a antropologa Ilana Strozenberg, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Desde o início do ano, grande parte dos hotéis do Rio oferece gratuitamente o Guia das Favelas, uma publicação de 88 páginas – em português e inglês – com sugestões de programas culturais e gastronômicos em 11 comunidades pacificadas.

? No Rio, muitas favelas estão bem próximas de zonas nobres da cidade, ao contrário do que ocorre em Porto Alegre e São Paulo. Isso sempre permitiu um contato mais constante entre pessoas de diferentes segmentos sociais ? analisa o historiador Micael Herschmann. ? De um modo geral, não acho negativa a aproximação que ocorre hoje. Me parece um pequeno passo em um processo de integração social muito bem-vindo.

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