Nova corrente de estudos defende o emagrecimento rápido como o mais eficaz

Congresso sobre obesidade expôs pesquisas que comprovam a nova teoria

Um dos motivos apontados é psicológico e diz respeito à motivação com a dieta
Um dos motivos apontados é psicológico e diz respeito à motivação com a dieta Foto: Stock Photos, Divulgação

Ao contrário da ideia geralmente aceita, inclusive entre os médicos, sobre a melhor receita para perder quilos, uma nova teoria começa a tomar corpo. Diz que, para emagrecer com eficácia, é preciso emagrecer muito… e rápido, segundo estudos apresentados no Congresso internacional sobre obesidade, realizado em Estocolmo, na Suécia, entre 11 e 15 de julho.

Endocrinologista e doutoranda da Universidade de Melbourne, na Austrália, Katrina Purcell conduziu uma experiência comparativa entre dois modelos de regime: um rápido, de 12 semanas, visando a uma perda de um quilo e meio por semana para uma pessoa de cem quilos, e outro gradual, de 36 semanas, com o objetivo de pessoa com esse mesmo peso perder meio quilo por semana.

– Espantosamente, e ao contrário do que se pensa, o estudo demonstra que o regime rápido é mais eficaz que o gradual para quem quiser emagrecer – comenta.

Um dos motivos apontados pela cientista é psicológico e diz respeito à motivação:

– Quando se perde um quilo e meio por semana, temos vontade de dar continuidade ao regime, o mesmo não acontecendo quando se perde meio quilo aqui ou ali.

Katrina Purcell adverte, no entanto, contra os regimes muito rápidos, as chamadas crash diets, que consistem numa privação extrema de calorias.

– Não faça isso sozinho, faça com seu médico, que é o único capaz de orientar melhor sua dieta – recomenda.

Muitos médicos e nutricionistas acham que quanto mais se perde quilos, mais somos suscetíveis de voltar a ganhá-los. E isso leva a médica a acompanhar os dois grupos com muito cuidado, com o objetivo de divulgar os resultados finais da pesquisa em três anos.

O Instituto Nacional Holandês para a Saúde Pública e o Meio Ambiente estuda a ligação entre a quantidade de quilos perdidos e a eventual recuperação do peso que pode vir a seguir. Segundo a pesquisa, 54% das pessoas que emagrecem tendem a conservar os benefícios disso durante um ano, independentemente da quantidade perdida.

– Quanto mais se perde peso inicialmente, mais a perda permanece importante um ano depois. As perdas de peso de 10% ou mais deveriam ser encorajadas e preferíveis às menos significativas porque, um ano após, os benefícios serão sentidos – afirma o cientista Jeroen Barte, reconhecendo que o estudo acaba com um mito.

Katrina Purcell não condena os regimes mais longos, uma vez que permitem uma modificação profunda no modo de vida. Os cientistas concordam que os hábitos alimentares e o modo de vida são fatores primordiais para a obesidade e o sobrepeso.

Como foi a pesquisa

:: Um grupo de voluntários com cem quilos foi submetido a uma dieta rápida, de 12 semanas, para a perda de um quilo e meio por semana.
:: O segundo grupo, com participantes de mesmo peso, passou por um regime gradual, de 36 semanas, para perder meio quilo por semana.
:: 78% das pessoas que tentaram emagrecer logo conseguiram perder 15% do peso, contra 48% das submetidas ao regime mais lento.

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