Nova geração de mulheres está menos equilibrista e mais equilibrada

No Dia Internacional da Mulher, confira um retrato dos hábitos e preferências das mulher atuais

A supermulher ficará no passado. Sem culpa, ela vai escolher sua  prioridade: carreira ou filhos
A supermulher ficará no passado. Sem culpa, ela vai escolher sua prioridade: carreira ou filhos Foto: Adriana Franciosi

Filhos e carreira? Filhos ou carreira? Talvez filhos primeiro, carreira depois. Na busca por estar de bem com o espelho, a solução pode vir de dentro para fora: do DNA. Pesquisas e análises de especialistas de diferentes áreas também apontam tendências em moda, carreira e consumo (não mulheres mais consumistas, e sim, um mercado mais feminino). 

Cansadas de se escabelar para dar-conta-de-tudo-ao-mesmotempo- agora, as novas gerações começam a renunciar aos múltiplos papéis que suas mães lhes ensinaram que teriam de ocupar para mostrar o seu valor.

Elas querem ter o direito de fazer as próprias escolhas. Como num movimento pendular, a tendência detectada por especialistas se esboça a partir de sinais aparentemente contraditórios, percebidos em diferentes partes do mundo. Enquanto em cidades como Berlim aproximadamente 50% das mulheres declaram que não querem ser mães, nos Estados Unidos volta a crescer o número das que optam por ter filhos. No Brasil, o número de mães com mais de 40 anos cresceu 30% em duas décadas, mas no divã de psicanalistas chama atenção o crescente número de jovens que têm entre seus principais sonhos o casamento de véu e grinalda.

Para analistas do comportamento feminino, os caminhos aparentemente opostos trilhados pelas mulheres representam um segundo momento da revolução sexual e de costumes desencadeada a partir do surgimento da pílula anticoncepcional, há quase cinco décadas. Depois de provarem que podem ser boas profissionais, mães, esposas, amantes e donas de casa, muitas começam a se dar conta de que não querem ser tudo isso. Querem foco.

A revisão de prioridades é interpretada como consequência de um processo de amadurecimento: a percepção de que múltiplos papéis culminam em mulheres estressadas. Aí elas descobrem que podem mudar. E mudam. Com o alívio de saber que, caso se arrependam, podem refazer suas escolhas.

– Já passou a fase de ter que provar, agora elas podem escolher. Podem até querer ser donas de casa, mas não é mais uma obrigação, é escolha. E isso tem um significado completamente diferente. Não existe retrocesso, as conquistas femininas são um caminho sem volta – analisa a antropóloga Mirian Goldenberg, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autora do livro Coroas.

Se antes o desafio era a conquista de espaço externo, o próximo é empreender uma viagem íntima, para encontrar as próprias respostas. Sem certo e errado. Sai de cena o ter que ser, ter que fazer, ter que corresponder. Entra a pergunta: o que eu quero mesmo? Os resultados são imprevisíveis.

Fontes: antropologa Mirian Goldenberg, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autora do livro Coroas, psicóloga Valéria Meirelles, autora do livro Mulher do século 21, psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade (Prosex) do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), sexóloga e psicanalista Regina Navarro Lins, autora do livro A Cama na Varanda, psicóloga e terapeuta de casais Cristina Gobbo, psicóloga e sexóloga Lina Wainberg

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