Novo homem sabe ser pai

Papel masculino na criação dos filhos vem se fortalecendo

Para acompanhar o crescimento do filho, Sérgio Machado dispensou renda extra que chegava a R$ 1 mil
Para acompanhar o crescimento do filho, Sérgio Machado dispensou renda extra que chegava a R$ 1 mil Foto: Miro de Souza

A paternidade está em transformação. De um papel distante, o homem passa a reivindicar maior participação no cuidado dos filhos desde a gestação. É o que propõe uma campanha lançada na última quarta-feira no Rio Grande do Sul.

Denominada Dá Licença, Eu Sou Pai!, a iniciativa da Rede de Homens pela Eqüidade de Gênero pretende incentivar os homens a ocupar maior espaço na vida dos filhos, especialmente nos primeiros anos. O lançamento ocorreu no Memorial do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Em Recife, São Paulo e Rio de Janeiro, a campanha está em andamento.

O carro-chefe é divulgar o direito à licença-paternidade – cinco dias em que o pai pode se afastar do trabalho sem ter afetada sua remuneração, para acompanhar a mulher após o nascimento do filho. Para o psicólogo Jorge Lyra, coordenador-geral do Instituto Papai, de Recife, e um dos idealizadores da campanha, o modelo machista ainda predomina no país quando o assunto é paternidade:

– A licença para os pais ainda é vista como um favor do empregador, o que faz com que muitos a desconheçam. Parte dos homens ainda tem um pensamento muito machista, de que cuidar de filho é atribuição da mãe.

Psicólogo diz que sociedade precisa repensar seus papéis

O próprio idealizador admite que a proposta desperta polêmica, ainda mais pelo Instituto Papai ter sido uma ONG fundada por dois homens, sob inspiração do movimento feminista e de defesa dos direitos sexuais, incluindo o de gays e lésbicas. Mas Lyra, que lançou a ONG ao lado do psicólogo Benedito Medrado, em 1997, acredita que a sociedade precisa repensar seus papéis. Ele entende que deixar a responsabilidade da gestação e da criação exclusivamente com a mulher acaba sobrecarregando-a.

– Quem acha inusitado é porque mantém a máxima de que “o filho é da mulher”. Quando os homens se posicionam contra essas visões, isso gera entranhamento – diz.

A antropóloga Elisiane Pasini, da ONG Themis, de Porto Alegre, elogia a iniciativa dos homens de participar ativamente da criação dos filhos:

– Se as mulheres querem ocupar outros lugares, além da função da dona de casa, têm de estar abertas para que os homens assumam outros papéis.

O modelo familiar predominante é ultrapassado, na avaliação da cientista política Telia Negrão, secretária executiva da Rede Feminista de Saúde, que desde 1991 atua no país para ampliar o acesso das mulheres à saúde e aos direitos sociais. A especialista observa que, apesar da mudança da postura dos homens frente aos filhos, o cenário ainda não é positivo para as mulheres.

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