Novo tipo de camisinha feminina pode chegar ao mercado

FDA estuda aprovação de preservativo mais barato e resistente

Camisinha feminina sofre rejeição devido à aparência e ao preço
Camisinha feminina sofre rejeição devido à aparência e ao preço Foto: Divulgação, Agência O Globo

A camisinha feminina feita com um novo tipo de material deve ser aprovada até esta sexta-feira pelo Food and Drug Administration (FDA), órgão que regula drogas e alimentos nos Estados Unidos. A notícia é boa para mulheres que querem usar o preservativo, mas não compram por causa do preço. A nova camisinha será feita de nitrila, tipo de plástico já usado na fabricação de preservativos em países como a Espanha e disponível em algumas lojas especializadas no Brasil.

O material tem textura similar ao látex do preservativo masculino, mas é 40% mais resistente. Atualmente, grande parte das camisinhas femininas é feita de poliuretano, tipo de plástico mais fino e resistente que a borracha. Além da textura diferente, o produto seria cerca de R$ 3 mais barato que as camisinhas femininas vendidas hoje.

– Queremos deixar o preservativo feminino mais barato e acessível – disse Mary Ann Leeper, conselheira da empresa Female Health, fabricante da nova camisinha. O tamanho e o modo de usar, acrescentou Leeper, não mudam.

Se o novo preservativo for aprovado, a Female Health, fabricante do produto, pretende lançar uma campanha educativa sobre os pontos positivos da camisinha para mulheres, atualmente um contraceptivo com alto índice de rejeição entre ambos os sexos.

Nos Estados Unidos, a camisinha feminina corresponde a 10% das vendas dos preservativos. No Brasil, apenas 4% das mulheres já experimentaram o preservativo feminino, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

Apenas 7% das internautas que responderam a enquete aprovaram a camisinha especial para mulheres. Já 9,2% experimentaram e não gostaram. O restante, 84%, nunca experimentaram, e 31,6% nem sequer pretendem testar o preservativo feminino.

A baixa procura fez com que o produto parasse de ser vendido em vários países, entre eles Portugal. Segundo a empresa Female Health, a camisinha feminina oferece mais proteção contra doenças sexualmente transmissíveis por cobrir uma área maior de pele.

Poucas opções

Enquanto as mulheres reclamam da aparência e da dificuldade para encontrar a camisinha feminina nas farmácias e os agentes de saúde lamentam a falta de investimentos para melhorar o produto, ginecologistas enfatizam que a camisinha feminina é grande aliada da mulher, já que a decisão do sexo seguro não precisa, necessariamente, passar pelo homem.

A psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas (ProSex), é uma das especialistas que lamentam a pouca adesão da camisinha feminina no país e no mundo.

– O uso correto da camisinha pelo brasileiro já é baixo, apenas 30% dos homens e das mulheres afirmam usar o preservativo nas relações sexuais. A camisinha feminina é uma forma eficaz que a mulher tem de se proteger de doenças, mas o preconceito ainda é grande. As brasileiras acabam deixando a decisão do sexo seguro na mão dos homens, e isto, obviamente, é uma atitude extremamente arriscada – avalia a médica.

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