Nutricionista fala sobre alimentação infantil e dá dicas para os pais

Segundo especialista, é importante distinguir magreza de desnutrição

Alimentação natural providencia tudo aquilo que a criança necessita para viver de maneira saudável
Alimentação natural providencia tudo aquilo que a criança necessita para viver de maneira saudável Foto: Miro de Souza

Há algum tempo que está se discutindo os malefícios da obesidade infantil, contudo, com o debate sobre os quilos a mais, se esquece de falar sobre outro assunto que pode ser preocupante: a magreza excessiva de alguns pequenos e as consequências que ela pode gerar para sua saúde e crescimento.

De acordo com a nutricionista Elaine de Pádua, especialista em alimentação na infância e adolescência, é importante distinguir magreza de desnutrição, já que, segundo ela, nem todo magro é necessariamente desnutrido:

? Uma criança pode ser considerada magra quando seu peso é inferior ao da maioria das crianças da mesma idade e/ou altura. Porém, isso pode ser uma consequência de seu material genético, o que não acarreta em nenhum prejuízo para a saúde em geral ? explica a especialista.

Antes de afirmar que uma criança precisa ganhar peso porque não está na faixa esperada em comparação com os amiguinhos da mesma idade, é preciso, porém, analisar seu tipo físico e o de sua família. Conforme Elaine, em uma família de pessoas de porte pequeno, há boa chance de os filhos serem menores do que a média.

A nutricionista aponta ainda que existem casos em que as crianças sofrem de um processo agudo ou crônico de desequilíbrio entre a necessidade e o consumo efetivo de energia e proteína, o que pode ou não resultar em um quadro de desnutrição.

? Muitas vezes os pais acham que a criança é muito magra, mas se ela está crescendo adequadamente, brinca, corre, pula e tem energia para as atividades escolares, não há com que se preocupar ? afirma Elaine.

Especialista deve avaliar se magreza é prejudicial

O índice nutricional infantil não pode ser calculado apenas com base no peso e aparência da criança, por isso, é necessário que o nutricionista faça uma avaliação com base na comparação com um padrão mundial que, no Brasil, é indicado pela ONU. Com base nessa estimativa é que se determina se seu crescimento pode ser considerado normal ou não.

Nos casos em que a desnutrição é comprovada a origem pode ser, muitas vezes, um problema nutricional da própria mãe enquanto gestante ou durante a amamentação do bebê. Além disso, a criança pode sofrer com intolerâncias alimentares, como ao leite e ao glúten, provocando má absorção de nutrientes e favorecendo a magreza. Por isso, a melhor dica para os pais é buscar a avaliação de uma profissional e o tratamento adequado para cada caso.

Se confirmado que a magreza é excessiva e caracteriza um quadro de desnutrição, segundo a nutricionista, ela pode ter consequências drásticas na saúde infantil, afetando o crescimento e o desenvolvimento cognitivo tanto na própria infância quanto depois de adulto, funcionando como uma espécie de sequela. Além disso, a desnutrição pode estar associada a casos de irregularidades na pressão arterial, perfil lipídico inadequado e até problemas mentais.

No entanto, na ânsia de ajudar, muitos pais acabam optando por soluções drásticas, oferecendo alimentos hipercalóricos, tônicos fortificantes e vitaminas dos mais diversos tipos aos pequenos. No entanto, a nutricionista reforça que existe uma grande diferença entre a magreza e a desnutrição, essa sim preocupante. 

? Crianças magras podem ter taxas altas de colesterol ruim e triglicerídeos, por exemplo, como consequência de péssimos hábitos alimentares, que acabam se tornando rotineiros com o passar dos anos. Essa característica está associada a carências nutricionais e não tem, necessariamente, relação com o peso e a aparência dos pequenos ? analisa.

Assim, Elaine indica que a melhor maneira de se prevenir deficiências alimentares, seja na infância, adolescência ou em qualquer idade, é o consumo de quantidades adequadas de nutrientes encontrados principalmente nos alimentos naturais, não industrializados:

? Especialmente no caso da nutrição infantil, é importante lembrar que o ser humano não se alimenta de cálcio, ferro e vitaminas, mas sim de comida, que é o que fortalece sua saúde física e mental. Muitas vezes os pais querem ajudar o desenvolvimento oferecendo vitaminas industrializadas e acabam desequilibrando o funcionamento do organismo da criança. Assim, é possível que depois de adultos esses indivíduos venham, inclusive, a desenvolver casos de obesidade e outras doenças provenientes de tratamentos inadequados e ingestão de medicamentos sem orientação médica na infância ? conclui a nutricionista autora do livro “O que tem no prato do seu filho?”.

Confira dicas da nutricionista para fazer os pequenos comerem melhor

:: Prepare pratos bem coloridos e visualmente apetitosos, já que a aparência do alimento exerce muita influência sobre o desejo da criança;

:: Evite deixar os filhos durante mais de 3 horas sem se alimentar;

:: Procure nunca encher demais o prato da criança, estimulando-a a se servir quantas vezes for preciso;

:: Sirva as refeições em lugares agradáveis, limpos e sem muito barulho ou estímulo visual;

:: Prepare com frequência uma mistura de leite integral com leite em pó e frutas;

:: Adicione passas, castanhas e torradinhas nas saladas de folhas dos pequenos, de modo a torná-las mais atrativas;

:: Tente ir aumentando gradativamente a quantidade dos alimentos ingeridos pelos filhos, para que se aumente a capacidade de armazenamento do seu estômago;

:: Adicione produtos como creme de leite, leite condensado, mel, aveia e trigo nas receitas, sempre que possível;

:: Dê preferência aos produtos integrais;

:: Evite biscoitos, batata frita, chocolates e tortas, que podem dar origem a cáries, obesidade, diabete, hipertensão e outros malefícios;

:: Opte por alimentos densos em nutrientes, frescos, ricos em vitaminas, não industrializados e, de preferência, orgânicos. Uma alimentação natural e rica em frutas, verduras, legumes, carnes, peixes, ovos caipiras, iogurtes e queijos providencia tudo aquilo que a criança necessita para viver de maneira saudável e feliz, sem falta nem excesso de peso.

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