“O Fantástico Circo-Teatro de Um Homem Só” estreia nesta sexta em Porto Alegre

Comédia traz o ator Heinz Limaverde com produção da Cia Rústica

Heinz Limaverde como personagem da peça
Heinz Limaverde como personagem da peça Foto: Alex Ramirez

Heinz Limaverde é um desses atores que volta e meia roubam a cena. Especialmente em uma comédia com espaço para improvisação. Pode parecer surpreendente, então, que o sujeito que cumprimenta o repórter antes da conversa tenha um temperamento discreto. Gentil, mas comedido.

Quem explica é Zé Adão Barbosa, que o dirigiu em suas primeiras peças, em Porto Alegre, nos anos 1990:

– Heinz é um ator completo, vai da comédia à tragédia. Sempre foi uma pessoa muito tímida, e é até hoje. No início, poucos conheciam seu humor, mas nos exercícios de cena podíamos percebê-lo. Dizíamos que era o humor de Crato.

Crato é a cidade cearense na fronteira com Pernambuco, hoje com 120 mil habitantes, onde nasceu Heinz Limaverde, 37 anos. Às segundas-feiras, dia das feiras populares, gente de todas as idades chegava para ver mágicos, macacos adestrados e outros números. As lembranças daqueles tempos são de multidão, festa e, principalmente, circo – pelo qual o jovem Heinz se apaixonou. Assistia uma, dez, quinze vezes. Quando não tinha dinheiro, fazia amizade para entrar de graça. Em casa, treinava o que observava atentamente no picadeiro.

Durante sua trajetória artística, estas referências são material recorrente. Agora é hora de olhar para trás. Entre a vida, a arte e a memória, Heinz estreia a peça O Fantástico Circo-Teatro de Um Homem Só nesta sexta-feira, às 21h, na Sala Álvaro Moreyra, na Capital.

Não é um monólogo. Ele prefere definir como “solo de variedades”. Sobe ao palco falando em primeira pessoa. Depois, vêm o palhaço, a vedete, o mágico, a mulher barbada, a velha vedete.

– São vários tipos em cena, mas não são personagens. É mais um ator brincando de fazer aqueles personagens. Algumas histórias são verdadeiras e outras eu fantasiei um pouco para deixar mais interessantes – explica Heinz, como se confessasse uma travessura.

A dramaturgia foi escrita por ele em parceria com a diretora Patrícia Fagundes, em um esforço mútuo de mergulho no imaginário do outro. A produção conta com a assinatura da Cia Rústica, que tem se destacado no Estado. As comédias shakespearianas Sonho de Uma Noite de Verão (2006) e A Megera Domada (2008) conquistaram púbico e crítica, assim como Clube do Fracasso (2010), que já apostava nas memórias pessoais dos atores como matéria-prima. Celebrando os pequenos insucessos que aparecem no caminho dos grandes êxitos, a peça deu início à chamada Trilogia Festiva, que será retomada após O Fantástico Circo-Teatro…

– Este espetáculo foi produzido dentro de uma zona comum nos trabalhos do grupo: o teatro como estado de encontro, como acontecimento. Em outras peças, as referências foram o cabaré, a casa de show, o clube. Nesta, é o circo. Quem nunca pensou em fugir com o circo? – diz Patrícia Fagundes.

Heinz não fez isso, mas veio parar na capital mais distante de sua cidade natal. Tornou-se um dos atores mais competentes em atividade no Estado, visto em trabalhos que vão da festa Bagasexta ao infantojuvenil O Hipnotizador de Jacarés (2006). Desde então, cogitou sair de Porto Alegre, mas novos projetos sempre o mantiveram por aqui. Talvez por isso ele não seja de fazer planos.

– Acredito no destino, no futuro. Acho que é uma influência meio cigana. Para mim, a sorte está escrita na palma da mão.

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