O que atrapalha o sono do gaúcho

Foto: Ricardo Chaves, BD ZH

O gaúcho dorme mal. Pesquisa criada pela Unimed realizada em 13 municípios por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) aponta que quase metade dos entrevistados tem noites de sono insuficientes para recompor as energias para o dia seguinte.

O resultado do estudo, feito em agosto, não surpreende profissionais da área de distúrbios do sono como o neurologista Geraldo Rizzo, que atua nos laboratórios de sono dos hospitais Moinhos de Vento e Mãe de Deus, na Capital. Ele avalia que o ritmo de vida moderno afeta o sono de muitas pessoas:

– Vivemos em uma sociedade 24 horas, que não para. As pessoas fazem muitas coisas durante o dia, e, se sobrar tempo à noite, dormem.

A situação é cultural, na avaliação do especialista. Para Rizzo, nos países europeus, é comum a realização de concertos às 19h e reservas limitadas até as 22h em restaurantes. No Brasil, o quadro é diferente:

– Aqui toda a atividade social começa tarde. Se você marca um jantar às 21h na sua casa, é comum os convidados começarem a chegar lá pelas 22h. Os programas bons na TV são após as 23h.

Para o pneumologista Denis Martinez, conselheiro da Sociedade Brasileira do Sono e professor da Faculdade de Medicina da UFRGS, a vida nas grandes cidades é repleta de atrativos noturnos, o que leva parte da população a não dormir no horário padrão, entre 23h30min e 6h30min. Além disso, o barulho de motores dos carros, sirenes, alarmes e buzinas geram percalços no sono.

A ingestão excessiva de substâncias estimulantes como café, chimarrão e refrigerante também atrapalha o sono, especialmente quando ocorre nas horas anteriores ao momento de dormir. Conforme o especialista em distúrbios do sono, o consumo excessivo de drogas lícitas, como álcool e cigarro, e ilícitas, como cocaína e crack, também são fatores que atrapalham o descanso à noite.

Além dos hábitos, doenças podem estar por trás das dificuldades para se ter um sono duradouro. As mais comuns são bruxismo (ranger de dentes), sonambulismo, terror noturno (ataques de medo durante o sono) e síndrome das pernas inquietas (desconforto constante nos membros que faz com que a pessoa os movimente o tempo todo). Por isso, a necessidade de um diagnóstico correto feito por um especialista em distúrbios do sono.

– As pessoas não estão respeitando o sono como necessidade, acham que não precisam dormir entre sete e oito horas por dia. O resultado é um dia difícil para a pessoa, com dificuldades de memória e concentração. A qualidade de vida fica rebaixada – afirma a neurologista Suzana Veiga Schönwald, com atuação em neurofisiologia clínica e medicina do sono no Laboratório do Sono do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

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