O que há por trás da paixão em usar óculos de grau?

A estilosa jornalista "quatro-olho" Marianne Scholze revela ótimas e inspiradoras histórias

A publicitária Simone Rodrigues apresenta sua coleção de óculos de grau
A publicitária Simone Rodrigues apresenta sua coleção de óculos de grau Foto: Jean Schwarz

Se eu não usasse óculos, daria um jeito de usar.

Eis a declaração perfeita a ser dada a uma jornalista que está fazendo uma reportagem sobre amantes de óculos. Pessoas que colecionam armações, que não podem ver uma ótica sem dar uma espiadinha, que fazem do acessório uma definição da própria personalidade, que não são reconhecidas nem pela própria família sem as lentes. Certo, essa última frase foi exagero, mas já deu para entender do que estamos falando.

Como eu ia dizendo, a declaração inicial deste texto era tudo o que uma jornalista como eu precisava para começar este texto para a revista Donna. E não é que ela me foi dita quando eu estava quase saindo do estiloso apartamento da publicitária Simone Rodrigues, 41 anos e uma pequena porém também estilosa coleção de armações? Não contente em me dar a declaração perfeita, a Simone ainda completou:

– Eu ia ter problema, eu ia inventar, nem que fosse para descanso. Eu não ia sossegar. Eu gosto demais de óculos, não ia ter como.

E o motivo pelo qual eu sabia que essa era a declaração perfeita é simples: eu também uso óculos. Desde pequena, desde os seis anos, pra ser mais exata. Astigmatismo e hipermetropia, foi o que disseram à minha mãe depois que ela cansou de me ver assistindo à televisão com o nariz grudado na tela do aparelhinho em preto e branco (sim, naquela época isso ainda existia). Lembro-me com detalhes até hoje, mais de três décadas depois, da primeira vez em que coloquei aquele par de olhos auxiliares sobre o rosto. Distorcido, o mundo demorou para entrar em foco, a ponto de uma ilusão de ótica sugerir que minhas pernas haviam encolhido e se achatado. Enquanto eu caminhava por uma travessa da Borges de Medeiros, no centro de Porto Alegre, rumo à Kombi lotação (sim, isso também existia), tentava esconder o choro da minha pobre mãe, tadinha, que certamente notara o encolhimento das minhas pernas mas fizera de tudo para não me alarmar a esse respeito. Obviamente, ela caiu na gargalhada quando contei tudo isso em reposta ao preocupado “o que houve?” dirigido a mim já dentro da Kombi.

Ao conversar com os demais quatro-olhos que ilustram essa reportagem, me senti menos ridícula. Apesar de nenhum deles ter experimentado mutações físicas, todos lembravam com detalhes da primeira vez em que enxergaram o mundo como as demais pessoas enxergam. Não é nada politicamente correto chamar as pessoas de quatro-olhos, eu sei, mas usei a expressão para chamar a atenção para esse outro fato que altera a percepção das pessoas a respeito de si e do mundo: o bullying de ser alvo de piadinhas, risinhos abafados ou até gargalhadas descaradas quando a armação escolhida por uma mãe ou um pai um pouco menos consciente não ajuda a criança a ser feliz com a inesperada moldura necessária aos seus olhos. Mais comum na infância, as piadinhas sem noção infelizmente nem sempre param quando a gente cresce – como bem lembrei junto com a Simone, ao rirmos das cantadas (???) que já levamos de sujeitos que se aproximaram perguntando se éramos professoras. Oi?

Usar óculos é uma questão médica, de saúde. Mas vai muito além disso. Porque talvez como nenhum outro acessório, os óculos integram-se à nossa alma por meio do nosso rosto. Pareceu poética essa frase, mas é verdade e funciona tanto para os outros quanto para nós mesmos. Eu não tinha mesmo como fugir de citar o Herbert Vianna e a música que ajudou a atenuar o bullying na minha infância: “Se eu tô alegre eu ponho os óculos e vejo tudo bem, mas se eu tô triste eu tiro os óculos: eu não vejo ninguém”. Brabo mesmo é quando ficar sem óculos não é uma opção, mas resultado de um acidente e/ou de uma rateada. Comigo, já aconteceu dos dois jeitos. Já sentei em cima de óculos por, óbvio, não tê-lo visto sobre o sofá. Já perdi os óculos em um show do Barão Vermelho no Teatro da Ospa (olha aí, mais uma coisa que existia naquela época) e encontrei-o no dia seguinte esperando por mim na bilheteria. E já perdi um par novinho em folha na balada, enquanto tentava paquerar (isso também existia) um cara que, eu achava, não iria se interessar por uma quatro-olhos, fundo de garrafa, CDF etc.

Aparentemente, o cara não se importava com nada disso, mas como explicar para a minha mãe que os óculos caríssimos tinham caído do bolso da calça jeans para nunca mais serem encontrados? Uma viagem providencial para o Rio e um suposto roubo sofrido na Cidade Maravilhosa resolveram temporariamente a questão (desculpa aí, mãe!), mas o trauma evitou que tragédia semelhante ocorresse novamente.

Outras tragédias ocorreram, claro, sendo algumas armações as piores delas. Levei muitos anos e algumas óticas para encontrar um par que realmente tivesse orgulho de usar – e tive a sorte de o modelo ser de uma marca ótima, que já me acompanha há mais de 10 anos e pelo menos umas quatro trocas de lentes. Nesse tempo, os óculos já me marcaram tanto que serviam como identidade para os desenhos que o Gilmar Fraga, gênio dos pincéis da editoria de Arte de Zero Hora, fazia da equipe do extinto caderno Patrola, do qual eu era editora. Na verdade, vamos combinar: o Fraga me sacaneava, simplesmente tascando um óculos preto de gatinho sobre qualquer coisa para que essa “coisa” se tornasse eu. Mas nunca me importei em ter essa marca registrada e estampada no rosto.

Porque eu às vezes canso, tenho vontade de usar lente de contato (apesar de não suportar o ressecamento nos olhos e todos os cuidados com líquidos de conservação etc), penso em fazer cirurgia (que, no meu caso, não garante a cura total do problema ótico). Mas, no fundo, como a Simone, se eu não usasse óculos, certamente acabaria dando um jeito de usar.

DIFERENTES ARMAÇÕES, DIFERENTES OLHARES

Diferentes cores e formas compõem não só o alegre apartamento da publicitária Simone Rodrigues (na foto da página anterior), mas também a coleção de diferentes óculos que ela mantém e que a fazem ser carinhosamente chamada de “Tootsie” pelos colegas.

– O pessoal de algumas agências brinca comigo, pois sempre estou com um óculos diferente. A brincadeira é “que óculos ela vem hoje aqui!?”.

E chegar à resposta a essa pergunta não é simples. Porque é preciso escolher o look compondo roupa, maquiagem, acessórios e, claro, óculos. Tudo de maneira harmônica e que combine com o estado de espírito daquele dia.

– É quase uma equação. Tenho que vestir tudo e ver se ficou bom. Às vezes levo horas, porque troco um brinco, ou o óculos, ou a cor do batom, para não ficar pesado. Tem óculos que conseguem fazer parte do teu rosto; já com outras armações, primeiro vem os óculos, depois tu.

Ser diferente já foi uma obsessão para Simone, mas hoje a ideia é imprimir personalidade e um toque pessoal às coisas – principalmente aos óculos. Entre os itens da coleção que ela guarda com o maior carinho estão armações garimpadas na herança de um avô e uma avó, todos com as lentes ajustadas para o grau da nova proprietária. Essas relíquias ela faz questão de manter guardadinhas em caixas para não correr o risco de quebrar. Os demais modelos – alguns pequenos, outros maiores, coloridos, transparentes -, depois de um tempo guardados em uma gaveta especial e própria no armário, agora ficam expostos para que Simone não esqueça que eles existem e use-os, mesmo.

Há duas semanas, Simone trocou o loiro do cabelo por um castanho escuríssimo, quase preto, que contrasta com a pele branquinha e os olhos muito azuis. Resultado: três novas armações. Há as preferidas para ver tevê, por exemplo (são maiores e mantêm o foco mesmo se “tortas” devido a uma postura mais largada no sofá). Quanto a um maior ou menor interesse masculino por garotas de óculos, a opinião dela é de que tudo depende do tamanho do acessório.

– Não é o óculos em si, mas o formato do óculos. Deste aqui (pega um preto grande, arredondado, cheio de pedrarias douradas em torno das laterais), eles ficam com medo. O homem não chega perto porque pensa: “Essa mulher é milionária. Riquíssima!”. Já essas armações de gatinho, pequenininhas, não tem problema, são charmosinhas, bonitinhas. Isso aqui (passa a mão em outra armação grandona, de aros transparentes e hastes brancas) não é charmoso. Isso aqui imprime personalidade.

Imprimir personalidade, aliás, é a tendência no DNA de Simone com a qual ter tantos óculos diferentes acaba por contribuir.

– Ter um padrão é uma coisa que me incomoda. Eu tenho que mudar. Preciso ficar diferente, até para olhar as coisas de maneira diferente.

Thedy Corrêa diz que não curte muito trocar de óculos
Foto: Tadeu Vilani

QUESTÃO DE IDENTIFICAÇÃO

Se hoje são os fãs que se identificam com o estilo – e com os óculos – de Thedy Corrêa, o músico da banda Nenhum de Nós começou sendo influenciado por um ídolo próprio no universo musical.

– Um mito do rock brasileiro diz que eu era o cara que imitava o Buddy Holly, por causa do topete no cabelo e do óculos. E não era nada a ver: meu negócio era com o Morrissey. Eu achava legal que o óculos que ele usava era dado pelo governo inglês a qualquer operário que precisasse, e aí eu pensava: “Pô, se esse cara usa óculos, eu também vou usar, AZAR!”.

A orientação nas primeiras fotos de divulgação do Nenhum de Nós era para que Thedy aparecesse sem óculos: “não combinava”. Mas o vocalista preferiu enxergar adiante da cartilha do marketing.

– Não curto muito ficar trocando de óculos. Eu sempre tenho os óculos “da fase”, que compro e uso até gastar, e isso vai marcando. Os fãs, especialmente, lembram de uma determinada turnê como “a turnê dos óculos redondos”, “a turnê dos óculos tal”.

Depois de ter usado o modelo “John Lennon” (redondinho e pequenininho, de aro metálico fino), além de outros, Thedy via-se voltando para um padrão que descobriu ser seu preferido: óculos de armação mais grossa e com desenho de aro mais clássico.

– O que não dá é para tirar os óculos. Tem gente que, se passar por mim na rua sem óculos, acha que não sou eu – conta.

Ele diz ser supercuidadoso com as armações e as lentes. Limpa direitinho e sempre sabe onde estão.

Ou quase sempre.

Um dos episódios mais engraçados envolvendo o par de óculos do vocalista ocorreu quando, durante um show no interior de Minas Gerais, por algum motivo o óculos foi deixado em um canto do palco próximo à bateria. Do show para a van, para o aeroporto, para a gravação do Domingão do Faustão – e aí Thedy se deu conta de estar cego.

– O Faustão perguntou: “Cadê os óculos?”, e eu falei que tinham roubado. Começamos uma campanha “Cadê os óculos do Thedy”. Aí, quando voltei, tinham entregue para o pessoal da equipe técnica. Parece que o pessoal do som achou, guardou e devolveu no outro dia.

Usando seu primeiro par multifocal (o astigmatismo há pouco somou-se à miopia), mas bastante bem adaptado, o músico confessa ser daqueles ratinhos de ótica, principalmente em viagens.

– Mesmo achando que o mercado de óculos está bastante globalizado, sempre paro nas óticas, nem que seja para dar uma olhadinha. Nunca achei aquele par que me fez exclamar: Ah, é esse! Acho que sou muito chato. Mas não perco as esperanças, não desisto nunca.

Do lado de lá do palco, os fãs que associam esse lado “intelectual” ou até meio “nerd” de Thedy aos óculos se identificam e até copiam o visual – precisando mudar de óculos quando o músico assim o faz também.

Quem sabe não nasce aí uma linha de óculos Thedy Corrêa?

– Já pensei nisso, mas a ideia nunca foi adiante. Quem sabe?

Foi a partir do elogio do então namorado e hoje marido que Scheila Vontobel assumiu o visual com óculos
Foto: Féliz Zucco/Banco de Dados

OLHAR EMOLDURADO

Foi por causa de um amor que um outro amor teve início na vida de Scheila Vontobel, 28 anos. Durante um jantar com o então namorado e hoje marido, o empresário Ricardo Vontobel, a administradora viu-se obrigada a usar óculos. E então ouviu o inesperado elogio vindo do outro lado da mesa:

– Ele disse que eu ficava ótima de óculos e que não deveria mais usar lentes. Então, toda semana ele viajava e me trazia óculos, até que fui gostando e, hoje, não largo mais.

Dos 12 anos, quando descobriu a miopia e o astigmatismo, até os 18, Scheila recorreu às lentes de contato para corrigir o problema de visão. No dia do fatídico jantar, brigava contra uma alergia desenvolvida na mucosa ocular após passar por tratamento à base de um medicamento que ressecou os seus olhos claros a ponto de não permitir o uso de lentes por longos períodos.

Mesmo reconhecendo que a decisão pelos óculos não foi exatamente um desejo, mas uma obrigação, Scheila hoje tem paixão pelas armações de acetato (as únicas que usa), de preferência em formatos que levantam o olhar. Às vezes, a combinação é com a roupa, mas a escolha dos óculos no dia a dia se dá principalmente de acordo com o estado de espírito e até com a temperatura – armações mais claras ganham a preferência de Scheila nos dias mais quentes, por exemplo.

– Não acho que tenho uma coleção, mas tenho muitos. O grande problema de ter vários é que, cada vez que o grau muda, tem que mudar todas as lentes, e isso acaba saindo muito caro – conta Scheila, que confessa adquirir um novo par a cada vez que viaja. – Não preciso mais de dois minutos em uma ótica para saber o que quero. Corro os olhos e já sei o que me cai bem ou não.

Toda essa decisão pode parecer super racional, mas a loira, que só fica sem óculos para dormir (“Até para trocar de roupa não os tiro!”), jura nunca comprar óculos para uma ocasião especial, apenas quando realmente se apaixona por um modelo. Conhecida por circular sempre com o acessório, mesmo em eventos aos quais a maioria recorreria às lentes de contato – como bailes e festas de gala, além de outras ocasiões bastante formais -, Scheila acredita que as armações podem criar um estilo e diferenciar quem as usa.

– Acho que os óculos já fazem parte da minha personalidade. Tenho certeza de que meus amigos e familiares não me imaginam sem óculos, a não ser minha mãe, que está sempre me pedindo para tirá-los.

Ué, mas por quê?

– (Risos) Porque ela diz que meus olhos são mais bonitos sem óculos. Então eu brinco com ela que os óculos são a moldura dos meus olhos… Coisas de mãe!

José Antônio Pinheiro Machado guarda os 120 modelos em caixas de madeira revestidas de veludo
Foto: Tadeu Vilani

MARCA REGISTRADA

Se ele soltasse os indefectíveis “Olá!” ou “Voltaremos!”, talvez fosse possível. Mas, quietinho, sem os óculos, José Antônio Pinheiro Machado, o Anonymus Gourmet, passaria praticamente anônimo (com o perdão do trocadilho infame). Cuidadosamente desarrumada em caixas e mais caixas de madeira maciça revestidas de veludo, a variedade de armações do escritor, advogado, cozinheiro e apresentador de tevê é um dos tesouros da sua “coleções de coisas vivas”.

Explica-se: trata-se de objetos pelos quais Pinheiro Machado nutre adoração, como blocos de anotações, canetas, CDs, DVDs, revistas literárias, facas, vinhos e, claro, óculos. Ao contrário de coleções “normais”, em que os objetos permanecem intocados e à disposição apenas da vista, na vasta casa na Zona Sul de Porto Alegre as relíquias ficam ao alcance da mão e do uso.

Com os óculos, além da paixão, há a identificação. Entre os 120 modelos, os mais queridos e numerosos são os Le Corbusier – esses redondos, de aros grossos, batizados com a alcunha do seu mais célebre usuário, o arquiteto, urbanista e artista franco-suíço Charles-Edouard Jeanneret-Gris. A mania pelo estilo começou em 1998, quando o jornalista conheceu a ótica Urbani (www.otticaurbani.com), em Veneza.

– Sempre fui fascinado por esse modelo até que uma vez, em Veneza, vi um pôster enorme do Le Corbusier com esses óculos e perguntei onde era aquilo, e um velhinho respondeu: “Aqui, na nossa loja, eu que fazia para o Le Corbusier” – conta Pinheiro Machado, que desde os anos 1980, quando descobriu uma boutique de óculos artesanais do estilista italiano Giorgio Armani, em Londres, interessa-se por armações diferentes do tradicional, do comum.

Há alguns anos, uma famosa grife italiana colocou no mercado um número limitadíssimo de armações comemorativas. Por ser próximo do Dia dos Namorados, Pinheiro Machado pediu um deles, que estava exposto com pompa e circunstância em uma ótica de Porto Alegre, de presente à esposa, Linda.

– Depois, quando eu soube o preço, fiquei com vergonha – ri. – Mas ficou uma história folclórica porque um empresário muito potente da cidade viu os óculos, reclamou do preço e disse que ia pensar. No fim do dia ele voltou e disse: vou querer. Mas ouviu como resposta que não tinha mais. Ele montou uma verdadeira caçada para saber onde estavam os outros exemplares do país. Até que o pessoal da ótica entrou em contato comigo oferecendo até cinco vezes o valor da peça. Fui obrigado a dizer que, infelizmente, não trabalho nesse ramo de compra e venda de óculos usados.

Passar por uma ótica é uma atração irresistível para Pinheiro Machado, que já encarou uma viagem de trem na Espanha apenas para visitar um lugar por indicação que acabou revelando-se um “parque de diversões”. Mas quem efetivamente divertiu-se como num parque foi uma das falecidas cadelas da raça mastim napolitano do apresentador, que um dia literalmente comeu um dos óculos preferidos de Pinheiro quando ele esqueceu-o à beira da piscina de casa.

Fazer operação não é uma opção, assim como lentes de contato, que já foram motivo de uma séria infecção ocular, ainda no início da vida adulta, devido a descuidos com a correta higienização do artefato. Antes disso, ainda na infância, Pinheiro Machado sofrera bullying na escola devido não aos óculos, mas ao tapa-olho que precisava usar para corrigir um leve estrabismo. Decidiu abandonar as armações.

– Mas aí eu comecei a enxergar muito mal, tropeçava, não via as coisas. Meu pai então disse que não tinha como não usar. E me lembro até hoje do primeiro dia em que eu coloquei os óculos. A impressão que eu tinha era de ter descoberto o mundo. Uma coisa inesquecível.

Mexer em panelas fervendo, muitas vezes desprendendo vapores, não chega a afetar os “caros amigos” que Anonymus faz questão de sempre visitar.

– De vez em quando, lógico, tem que dar uma limpada. E também sempre mantenho eles bem ajustados – orienta o chef.

Além do garimpo próprio, a coleção foi aumentando por meio de presentes de amigos e do próprio gosto confesso pelo acessório, de uso diário, geral e irrestrito.

– É a minha cara, tem que ser uma coisa que eu me sinta bem.

Luís Henrique Basso é consultor ótico há 12 anos
Foto: Andréa Graiz

CADA ÓCULOS, UMA SENTANÇA

Um acessório de embelezamento. Essa é a definição para óculos dada pelo consultor ótico Luís Henrique Basso, 47 anos, há 33 trabalhando no ramo. Sim, você fez as contas certo: Basso começou a atuar ainda adolescente, na tradicional ótica administrada por sua família na cidade de Lajeado. Depois de um tempo atuando como modelo e de sempre ter tido curiosidade em relação a óculos e lentes devido ao próprio problema de visão, ele abriu um consultório próprio com hora marcada próximo à Redenção, na Capital, onde há 12 anos exerce o tênue limite de transitar entre os óculos tradicionais de grau e os acessórios.

– Dependendo da vontade do cliente, o óculos pode ser apenas uma maneira de enxergar o mundo, ou, então, transformar-se em um acessório de muito estilo – explica.

De acordo com Basso, isso é ainda mais importante se o cliente manda fazer apenas um par de óculos – sobretudo se é mulher. Mulheres, segundo Basso, mexem no cabelo, trocam acessórios, mudam de roupa, mas estão sempre com o mesmo óculos.

– O ideal é que a mulher tenha sempre dois modelos – sugere. – É um acessório muito chamativo, marca muito, tipo “lá vem a pessoa do óculos vermelho”.

Segundo o especialista, a moda do óculos nunca esteve tão democrática, o que leva as pessoas a usarem armações de baixa qualidade, mas com apurado efeito estético.

Em relação à democratização dos estilos, a preocupação deve sempre ser com a qualidade da lente em primeiro lugar, deixando a estética em um segundo plano. Procurar uma ótica e mandar fazer óculos de grau é uma questão de saúde:

– O ideal é combinar essa qualidade a um par de óculos que fique elegante no rosto, que não pese e que não altere a fisionomia da pessoa. As palavras-chave são bom senso e elegância, sempre – resume.

COMO ESCOLHER O SEU ÓCULOS

1) Atitude, comportamento, como a pessoa funciona no mundo, no seu mundo social: analisar tais variáveis é o primeiro passo para decidir.

2) Os óculos são extremamente determinantes para envelhecer ou rejuvenescer alguém: tenha sempre em mente esse caráter de máquina do tempo do acessório na hora de escolher um.

3) A soma de uma lente bem feita com uma armação bem escolhida é o que faz o sucesso de um par de óculos.

4) Item número 1 a ser levado em conta entre os fatores físicos para a escolha de um par de óculos perfeito: o formato do rosto.

5) Depois, deve-se avaliar qual é a intenção, o que a pessoa quer passar com esses óculos: se é uma proposta de ser mais marcante, ou de ser mais suave, por exemplo.

6) O passo seguinte é harmonizar a armação com o formato do rosto: analisar a base nasal, a linha de sobrancelha, o formato dos olhos e também a estatura.

7) Experimentar o óculos sentado é uma coisa; em pé é outra. Ao ficar sentado diante de um espelho de aumento, pega-se um plano muito fechado do rosto. Quando levanta-se frente a um espelho maior e mais amplo, tem-se uma percepção de corpo muito mais significativa.

8) Outro ponto fundamental: o cabelo. Ele pode ajudar ou destruir um look em combinação com uma armação diferente.

9) Entre os diferentes estilos clássicos de óculos, o Aviador sempre se usa – ainda que esteja um pouco batido ultimamente. É um clássico do design que dificilmente cairá de moda.

10) Considerando-se os diferentes materiais, o acetato costuma ser a escolha mais sofisticada. Trata-se do material que dá mais personalidade a um óculos.

11) No quesito elegância, os campeões do momento são os de formato mais circular (estilo Jackie O.) e os “gatinho”, puxados nas pontas superiores.

12) Por último, mas não menos importante: fuja do grande! Só porque a “moda” diz que óculos grandes são lindos, eles não funcionam em qualquer tipo de rosto.

Fonte: Luís Henrique Basso, consultor ótico

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