O que Madonna representa para quatro diferentes gerações de mulheres

Donna desafiou mulheres de diferentes idades a descreverem o que a cantora representa em suas vidas

Madonna no show da turnê MDNA
Madonna no show da turnê MDNA Foto: Kevin Mazur/WireImage

Maior diva pop de todos os tempos, Madonna Louise Veronica Ciccone não é grande apenas no nome. Cantora, compositora, atriz, dançarina, empresária e produtora musical e cinematográfica, tornou-se ícone emblemático de gerações. Reverenciada, imitada e aplaudida em todo o planeta, é esse mito que desembarca pela primeira vez em Porto Alegre neste domingo.

Veja os diferentes estilos já adotados por Madonna

Donna convidou três mulheres de faixas etárias distintas para analisar este fenômeno de 55 anos e o impacto que produziu e ainda produz em suas vidas. Confira:


Martha Medeiros tem 51 anos, é escritora e colunista de Donna e acompanhou a carreira de Madonna desde o início

50 ? Constante evolução

Eu visitava Nova York pela primeira vez. Era 1992 e Madonna havia recém lançado Sex, seu bombástico livro erótico, com fotos que seguem ousadas até hoje. Entrei na Barnes & Nobles e havia uma pilha logo na entrada: Me compre!. Bem que eu quis, mas o livro era enorme em todos os sentidos, inclusive no preço, e eu estava desprevenida. Aliás, desprevenida é eufemismo.

Era o livro ou não jantar nas próximas noites. Escolhi a fome que me era mais urgente, e me arrependi, claro. Eu era fã declarada da Madonna. Assisti mais de uma vez ao filme Procura-se Susan Desesperadamente (com um olho espichado para Aidan Quinn, que fim levou?), tinha os discos dela, adorava dançar Into the Groove, vibrava com as provocações da turnê Blond Ambition, a considerava realmente o que se chama de novo, só que ela acabou se tornando mais nova do que eu pudesse acompanhar – hoje a Madonna digital não me empolga tanto, prefiro a analógica.

Mas há que se louvar uma artista em constante evolução. Quanto a mim, evoluí em outro sentido: já posso comprar um livro e jantar no mesmo dia.

Veja os diferentes estilos já adotados por Madonna

Magali Moraes tem 45 anos, é escritora e publicitária e vai comemorar o aniversário de casamento junto com o marido e milhares de fãs no show deste domingo

40 ? Quem nunca?

Nos anos 80, Madonna foi pra mim a Galinha Pintadinha. Hipnótica e carismática, era impossível não cantar junto. Que garota nunca quis ser pintadinha como ela, copiando suas cores de cabelo, sua boca vermelha, seu olho bem preto? Ou então usar um look mais galináceo numa festa, livremente inspirado na musa.

De lá pra cá, sigo admirando Madonna com a mesma reverência que uma menininha do Fundamental observa a aluna mais arrojada do Ensino Médio. Eu já não cozinho na primeira fervura, muito menos a Madonna. Mas a referência segue forte. É como se ela, esses anos todos, estivesse fazendo um pocket-show de feminismo pra mim. Tipo assim “Eu posso tudo, mulheres podem tudo”.

Nos palcos e principalmente fora deles, Madonna sempre alimentou a minha curiosidade. Faz o que tem vontade, seja qual for a vontade do momento. Experimentou de dançarinos a cineastas, atuou, produziu, dirigiu ? até livro para crianças ela lançou. Marqueteira e interessante, Madonna muda e nos faz querer mudar também. Nem que seja repartir o cabelo pro outro lado.

Até hoje tenho convicção de que foi Madonna quem inventou as rendas e os crucifixos. Nesse ponto, eu consegui chegar pertinho dela. Material girl… quem nunca? Impossível esquecer seus seios pontiagudos e avassaladores dentro daquele top incrível de cetim. Quando Gaultier criou para Madonna o Wonderbra mais poderoso de todos, cada uma de nós também deu um jeito de empinar os peitos, seja simplesmente endireitando a coluna ou pedindo socorro para um bojo cumpridor.

E a Madonna dominatrix, montando em homens que usavam cabresto de cavalo? E a Madonna recatada à la Evita? E o terninho branco homenageando John Travolta? E o clipe de Rain, que deixou os dias de chuva menos caóticos e mais glamourosos? E a coreografia da música Vogue, nos incitando a posar de celeb para logo descobrirmos que imitar aquele remelexo de braços não é nada fácil?

(Pausa para um longo suspiro… nossa, preciso rever tudo isso.)

Quando Madonna foi capa da revista Vogue bancando uma dona de casa inglesa, senti desconforto. Que ousadia ser tão careta! Aquilo me chocou mais do que sua foto peladona pedindo carona no livro Sex. Torci para ela abandonar esse personagem e ficar doida de novo. Eu não faria o mesmo por Guy Ritchie (talvez pelo Sean Penn, se ele pedisse com jeitinho). Depois entendi o recado: Madonna estava apenas mostrando que as mulheres podem tudo.

O que não pode: suas mãos. Por que aquelas veias saltadas e absurdamente ameaçadoras?!! Que pânico um dia acordar com mãos de Madonna (quem tem veias, tem medo). Seus braços esquálidos e marombados também não me servem de inspiração. Talvez isso seja o mais difícil de aceitar. Que até as divas não seguram a passagem do tempo como gostariam. Força nos creminhos para o pescoço, Madonna!

Carol Teixeira tem 32 anos, é escritora, filósofa, colunista da revista Vip e vocalista do Brollies & Apples

30 ? Express Yourself

Madonna me faz lembrar algo que Henry Miller escreveu: Não tenho nenhum respeito pelo artista, por maior que ele seja, que não coloque sua arte em prática na sua vida. Acredito que moral e estética fazem apenas um. Se o genial & safado autor dessa frase tivesse conhecido Madonna, ele obviamente a aplaudiria de pé. Porque ela tem essa verdade artística, essa conexão total entre discurso e ação. E disso vêm seu poder e a magnitude de sua influência sobre o mundo.

Ela é uma mulher que inspira SENDO. E por isso ela fez mais pelas mulheres do que muitas feministas queimadoras de sutiã. Porque discursos podem ser inspiradores mas as verdadeiras mudanças só vêm de ações, de exemplos práticos, de gente que dá a cara a tapa e faz.

Nos anos 80, época na qual as mulheres achavam que tinham que abdicar de sua feminilidade e poder sexual em prol do poder recentemente alcançado no mercado de trabalho, Madonna se fazia objeto sexual e mostrava que podia ser sexy, inteligente e estar no poder. Objeto e sujeito ao mesmo tempo. Uma subversão epistemológica regada a muitos flashes e coreografias.

Numa época em que a ideia da maternidade ainda era associada com a ideia de casamento e família, Madonna decidiu que queria ser mãe e não esperou o príncipe encantado – engravidou do personal trainer com quem tinha um casinho na época, acabando a história pouco depois.

E depois resolveu ter uma família, casou com o cineasta Guy Ritchie e fez o papel da esposa ideal, da mãe conservadora que não deixa os filhos verem tevê. Após alguns anos, já separada, pegou o lindo e jovem Jesus Luz, sem ligar para o machismo reinante que ainda vê com estranhamento mulheres com homens bem mais jovens.

Já dizia Patti Smith: “A contradição é o caminho mais claro para a verdade”. Madonna é livre e sábia porque se permite viver todos os seus arquétipos ? o da santa, o da puta, o da mãe, o da louca ? por mais contraditórios que eles possam parecer. Pra mim, essa é melhor definição de liberdade. E é aí que toda essa explosão estética toma uma relevância existencial.

Nunca esqueça da lição da musa (lição que eu sempre segui à risca): Express Yourself. Sem medo. Porque, como disse Lady Gaga (uma entre tantas artistas que tiveram seus caminhos abertos por Madonna), “vergonha é um conceito obsoleto e se desculpar é uma injustiça para qualquer performance”.

E para qualquer vida, eu diria. Só assim, expressando sua individualidade sem pedir desculpas pelo que se é, se chega em alguma espécie de verdade e se faz diferença nessa vida. O resto é um mundo já mapeado. Madonna sempre soube disso.

Veja os diferentes estilos já adotados por Madonna

Vitória Portes tem 21 anos, é estudante de Direito e blogueira. Há dois anos criou o vitoriaportesblog. com, onde divide suas produções de moda com as leitoras

20 ? Tule e atitude

Quando Vitória Portes nasceu, Madonna já tinha meio caminho andado. Já tinha passado pela fase dos crucifixos, testemunhada por Martha Medeiros, pela do vestido de noiva, acompanhada pela Magali Moraes, e pela do sutiã pontudo, que Carol Teixeira adora. A Madonna de 1991, ano do nascimento de Vitória, começava aos poucos a adotar um visual mais elegante, apostando em peças de estilistas internacionais, e a pensar em formar uma família.

Mesmo tendo fresca na memória essa referência de uma Madonna chique, Vitória foi buscar na década de 80 um look para a capa desta edição. Desafiada por Donna a se reiventar como a cantora, escolheu o visual desfiado, maluco e atrevido da época de Lucky Star e Borderline. A mãe, Patrícia, 39 anos (e adolescência ao som de Madonna nos anos 80), passou a receita:

? Pode ter legging colorida e tem que ter muitos crucifixos.

O visual montado com peças do guarda-roupa prova que do que se tem em casa pode sair um look e tanto para assistir ao show deste domingo.

? Usei um body de renda com alças largas e uma regatinha com estilo roqueiro por cima. A lingerie aparecendo é marca da Madonna dos anos 80. Embaixo, saia mais volumosa e curtinha. Se rolar um modelo com tule, melhor. A Madonna ama tule! Anéis e colares grandes, muitas pulseiras e atitude poderosa completam a produção ? ensina a blogueira.

Para a maquiagem, a dica de Taís Andrade, que assina o visual da capa, é apostar em sombras metalizadas que sobem até a área abaixo das sobrancelhas:

? Junto com olho preto bem marcado e batom vermelho, te deixam a cara da Madonna.

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