Obesidade e anticoncepção: qual é o método mais indicado para as mulheres acima do peso?

Principalmente se a mulher obesa apresentar comorbidades, como diabetes ou hipertensão, há métodos que não são indicados

Uma em cada quatro mulheres considera que o uso do contraceptivo também poderia aumentar a auto-estima
Uma em cada quatro mulheres considera que o uso do contraceptivo também poderia aumentar a auto-estima Foto: Stock Photos

De acordo com dados do Ministério da Saúde, no Brasil, cerca de 40% das mulheres têm sobrepeso ou são obesas. Um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) com oito mil adolescentes, apontou que 25% delas estão com excesso de gordura corporal. Mas o que obesidade tem a ver com anticoncepção? Segundo a médica Cristina Guazzelli, professora do Departamento de Obstetrícia da UNIFESP, as mulheres gordinhas devem procurar métodos adequados de contracepção e ser avaliada frequentemente. 

? Apesar de haver maior probabilidade de apresentar alterações menstruais, maior risco de não ovular e mais chance de ter ovário policístico, a mulher acima do peso pode engravidar como qualquer outra e, portanto, precisa usar métodos anticonceptivos se não deseja ter filhos. Outro dado importante é que, diferentemente do que se pensa, vários estudos mostram que a frequência sexual delas é a mesma de mulheres magras ? diz.

Segundo a médica, de uma maneira geral, as mulheres com excesso de peso podem usar quase todos os métodos anticonceptivos, como pílula combinada, implante, DIU e anel contraceptivo, cuja eficácia vai depender do uso correto, da taxa de continuidade e da aderência ao método escolhido. A utilização do adesivo transdérmico, porém, deve ser cuidadosa em mulheres com mais de 90 kg, pois alguns estudos mostram uma redução da sua eficácia, devendo, portanto ser contraindicado nesse caso.

? Em mulheres obesas que não têm comorbidades, como diabetes, hipertensão e alterações das taxas de colesterol, não há contraindicação para o uso de métodos hormonais. Mas devemos ser cautelosos, pois são pacientes com maior risco para trombose venosa e doenças cardiovasculares ? explica.

? Além disso, para as mulheres com índice de massa corporal (IMC) acima de 30, o risco de trombose é duas vezes maior do que para as que apresentam o índice menor que 25. Por isso a paciente deve ser avaliada de forma mais criteriosa, em intervalos menores, e fazer periodicamente exames clínicos e laboratoriais com avaliação da pressão arterial, glicemia, e perfil lipídico, entre outros ? acrescenta Cristina.

Caso a paciente obesa apresente essas comorbidades, as pílulas combinadas não são indicadas por conta da presença do hormônio etinilestradiol (estrogênio), que, aliado a essas condições, potencializa os efeitos trombóticos. 

? Nesse caso, deve-se prescrever a pílula que contém somente o hormônio progestagênio (desogestrel), que ainda evita os efeitos colaterais provocados pelo estrogênio, como náuseas, dores de cabeça, mastalgia e edema, e pode ser usada durante a amamentação. Essa pílula tem a mesma eficácia (99%) e o mesmo mecanismo de ação das combinadas mais modernas ? finaliza a médica.   

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