Organização do local onde um profissional trabalha indica qual é a sua personalidade

Exageros são mais do que proibidos, recomendam especialistas

A decoração da mesa de trabalho interfere na imagem pessoal
A decoração da mesa de trabalho interfere na imagem pessoal Foto: Stock Photos, Divulgação

Apenas uma mesa é suficiente para passar várias mensagens sobre um profissional. Se antes bastava se preocupar com comportamento e a forma de se vestir, agora é preciso também ficar atento aos pequenos detalhes, principalmente em tempos de escritórios cada vez mais pequenos e com poucas paredes. Fotos, bichos de pelúcia e papéis amontoados pelo local de trabalho podem passar a imagem de um profissional desorganizado e até infantil.

Se os funcionários são a cara da empresa, a mesa de trabalho, então, deve ser encarada como o corpo. E em vez das roupas, os utensílios compõem a imagem.

– Assim como as roupas, mandamos mensagens pela organização da mesa de trabalho, principalmente por meio dos objetos que estão nela – define Romaly de Carvalho, consultora de comportamento profissional.

Maria Aparecida Araújo, consultora de etiqueta empresarial, acredita que é importante que o funcionário demonstre, no trabalho, a maneira como se comporta, age e pensa. Por isso, a mesa que ele usa ou compartilha com outras pessoas tem muito a dizer.

– As empresas avaliam como o profissional se comunica. E essa comunicação pode ser verbal e não verbal. Ou seja, as empresas estão de olho nos detalhes – alerta.

Os efeitos de uma mesa desorganizada ou inadequada atingem mais do que aquele que é responsável por ela. Pode comprometer também a imagem de toda a empresa.

– As organizações recebem clientes que muitas vezes passam por todo o setor e observam as pessoas. A mesa bagunçada pode passar a imagem de um lugar desorganizado e sem regras”, opina Romaly. Já a consultora de etiqueta empresarial alerta que é importante que os funcionários saibam que a mesa de trabalho é um material emprestado. “Eles precisam entender que o espaço não é deles. Por isso, precisa ser cuidado”, defende Maria Aparecida Araújo.

Para Waleska Farias, consultora na área de gestão de carreiras e imagem, a bagunça na mesa também pode refletir uma desorganização interna. “Esse tipo de conduta afeta a produtividade profissional. É provável que esse funcionário perca mais tempo para executar a tarefa”, opina.

Quando mais de uma pessoa utiliza a mesa, o cuidado com a organização deve ser ainda maior. “Esse espaço não é uma extensão da casa e deve ser o mais impessoal possível”, opina Romaly. Até porque, em situações adversas, os efeitos podem comprometer toda uma equipe. Waleska conta que já presenciou uma situação em que a empresa precisava de um relatório, mas o funcionário que compartilhava a mesa onde estava o documento sofreu um acidente e não pode ir ao trabalho. “Ninguém achou o documento e a organização perdeu a oportunidade de fechar um bom negócio”, conta a consultora.

Enfeites
A funcionária pública Débora Santa Cruz, 33 anos, tem uma mesa impecável, porém arrumada com um jeito especial, que demonstra bastante a sua personalidade. São zebrinhas, porta-retratos com foto dos sobrinhos, caixinhas de organização, bonecas e outros objetos.

– Sou apaixonada por zebras e, para todos os lugares que vou, levo uma. Além disso, sou muito organizada e gosto de ter tudo no lugar, mas com a beleza aliada ao conjunto – explica.

Devido à alta demanda de trabalho, ela tem duas mesas com computadores diferentes, mas ambas carregam um pouquinho do estilo de Débora.

– Levar para o trabalho objetos com os quais me identifico é uma forma de humanizar o ambiente e dar a ele um pouco da minha cara. Passo mais tempo aqui do que em casa. Então, tenho que me sentir bem – ressalta.

O objeto que ganha mais destaque na mesa da funcionária pública e da maioria dos profissionais é o porta-retrato. Muitos não abrem mão de ter próxima a imagem, a da família ou a dos amigos no local de trabalho. Mas há locais, segundo Waleska, em que o objeto não é permitido.

– Em empresas de segurança, bancos, entre outras, a proibição das fotos tem o objetivo de evitar a exposição dos familiares – explica.

Quando o enfeite é liberado, o cuidado está em separar a vida profissional da privada.

– O profissional deve agregar valor à sua imagem. Uma foto familiar, por exemplo, passa uma boa impressão. Mas toda a atenção é pouca para que os objetos não o prejudiquem – destaca Maria Aparecida.

Romaly também não vê problemas no artefato, contanto que o bom senso prevaleça.

– Na mesa de trabalho, não é legal ter uma foto na praia ou algo mais íntimo – avisa.

Códigos de conduta evitam exageros

Com baias em vez de paredes, a nova dinâmica adotada pelas empresas facilita a comunicação. O problema é que, nesses ambientes, a mesa escandalosa chama a atenção dos colegas de trabalho e ajuda a criar reputações. A saída apontada por Waleska Farias, consultora na área de gestão de carreiras e imagem, é que as organizações adotem um código de conduta, determinando o que pode e o que não pode estar nas mesas.

– Nas empresas, existem regras que devem ser respeitadas. O ideal é que o funcionário tenha conhecimento do código de conduta para que a célula de trabalho não vire um mercadão.

As dicas e regras valem também para quem assume cargos de lideranças, que podem ter espaços maiores ou até uma sala reservada. Assim, aumenta o risco de a pessoa achar que o local de trabalho é uma extensão da casa ou um verdadeiro arquivo de papéis.

– A regra é para todos. Executivos e qualquer funcionário devem seguir a conduta da empresa – opina define Romaly de Carvalho, consultora de comportamento profissional.

Todas as especialistas são unânimes em alertar que a atenção com a organização deve ser ainda maior entre os profissionais que trabalham em contato direto com o público externo, como as recepcionistas.

– Nesse espaço, os clientes passam frequentemente e, se encontram fotos ou brinquedos, podem duvidar da credibilidade do local – diz Romaly.

E para quem não é responsável pela desordem, mas sente a produtividade comprometida por conta da bagunça alheia, o conselho é não ter medo de reclamar.

– Se os profissionais mantêm uma boa relação, é viável alertar o colega. Mesmo assim, é papel do gestor estar de olho na empresa e avaliar as condutas – sugere Waleska.

Sinais de

:: Infantilidade
Ursos de pelúcia, bonecos e adesivos

:: Desorganização
Grande quantidade de papel em cima da mesa, além de objetos pessoais

:: Dificuldade em trabalhar em equipe
Plantas que exalam cheiro forte e incensos acessos

Leia mais
Comente

Hot no Donna