Os louros e os lucros do mercado da beleza no Rio Grande do Sul

Mais de 1,5 mil pessoas trabalham no ramo em Caxias, mas informalidade é grande

Cabelos arrumados, maquiagem adequada para cada ocasião, mãos e pés impecáveis, corpo esbelto. Quem não gosta de ficar belo ao menos por alguns instantes? Sejam casuais ou frequentes, os clientes do mundo da beleza movimentam um grande contigente de trabalhadores em Caxias e um número enorme no país. No município, conforme cadastro oficial da prefeitura, existem 1.584 profissionais, entre cabeleireiros, esteticistas, manicures e depiladoras.

Segundo dados da Receita Municipal, esse total abrange 1.342 pessoas físicas com alvarás, 184 pessoas jurídicas (salões de beleza e estéticas) e 58 microempresários individuais. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) registra 232 empreendedores individuais no ramo, porque muitos acabam se inscrevendo nessa categoria e não encaminham o alvará, explica o secretário da Receita Municipal, Ozório Rocha. Além dos registros oficiais, existem os trabalhadores informais, que não são poucos, acreditam as autoridades e dirigentes do comércio e da área de serviços, sem apresentar estimativas.

Para reduzir a informalidade, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Emprego, o Sebrae e outras instituições têm estimulado os profissionais a regularizarem sua atividade. Nesse caso, a dica é se inscrever como empreendedor individual, pagando de tributos cerca de R$ 60 mensais e tendo condições de estar ligado à Previdência Social.

– Sabemos que há profissionais atendendo no porão de casa ou em salões sem estarem registrados. É um setor de muita informalidade e a proposta de se inscrever como empreendedor individual surge como alternativa de ingresso na formalidade – orienta o titular da secretaria de Desenvolvimento, Guilherme Sebben.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Luiz Antônio Kuyava, também observa que o ramo abocanha muitos trabalhadores informais, o que dificulta chegar a um cálculo sobre o faturamento ou ter números em relação à empregabilidade. Paralelamente, ele percebe que o setor está em expansão.

– O mercado da beleza é significativo e está crescendo. Caxias é uma cidade com bom poder aquisitivo e as pessoas querem ficar sempre bonitas – constata Kuyava.

Conforme dados da Associação dos Cabeleireiros Unissex do Brasil (Acaub), no segmento da beleza, existem no país hoje 23 milhões de profissionais, ou seja, cerca de 12% do povo brasileiro. Em termos de mercado de trabalho, o presidente da Acaub, Remy de Sousa, avalia como promissor. Segundo ele, a vaidade, por mexer com a autoestima, está praticamente no mesmo patamar da alimentação.

– Nesta área, em qualquer lugar do mundo, você não fica desempregado. Na segunda guerra mundial, a maioria das empresas fechou e aquelas dos ramos da beleza e da alimentação sobreviveram – pontua.

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