Pais de bebês devem se aproximar da criança e da mulher para estimular o vínculo familiar

Novo livro trata da descoberta da paternidade e alerta para problemas comuns da fase

Novos papais precisam descobrir que compartilhar tarefas pode ser crucial para estreitar o vínculo com o recém-nascido
Novos papais precisam descobrir que compartilhar tarefas pode ser crucial para estreitar o vínculo com o recém-nascido Foto: Novo Conceito, Divulgação

A cada semana, a barriga que parecia pouco saliente vai despontando e dando nova forma ao corpo. A mãe sabe quem está lá dentro, sente os movimentos e desenvolve uma comunicação quase telepática com o filho que está no ventre.

Do outro lado, o pai é o único personagem do triângulo capaz de ouvir o bebê, encostando o ouvido na barriga da mulher ou conversando de pertinho com o pequeno. Quando a criança vem ao mundo, é ele também quem pode ver, com exclusividade, o semblante do recém-nascido.

Tudo parece muito harmonioso e bonito, só que, na prática, a relação nem sempre sai perfeita. Depois que o filho vai para os braços da mulher, a ligação mãe e bebê se fortalece de uma forma tão avassaladora que, se o casal não se preocupar com a unidade da família, o pai poderá se sentir excluído, desmotivado e até mesmo com sinais de depressão pós-parto.

– Até o momento do nascimento, o pai tem apenas um pequeno entendimento sobre as mudanças que irá encarar. Depois, ele é abatido por uma enxurrada de pensamentos e emoções que o fará reconsiderar várias coisas na vida – explica o médico inglês Colin Cooper, autor do livro O Guia do Papai, um lançamento da editora Novo Conceito, 128 páginas.

Em meio a tantas mudanças, é nesta fase que o homem precisa descobrir que compartilhar tarefas pode ser crucial para estreitar o vínculo com o recém-nascido e manter o casal afinado. Participar das ecografias, ajudar na troca de fraldas e na alimentação e conversar com a criança desde muito cedo, mesmo sabendo que ela não verbalizará o que sente, são atitudes importantes.

Para a psicóloga Anelise Fleck, especialista em infância e adolescência, o essencial é a qualidade dos encontros entre pai e filho e a flexibilidade da mãe de permitir que o homem participe ativamente das tarefas, o que pode causar depressão no homem e o distanciamento do casal.

– Não é preciso ficar 24 horas com a criança, mas é interessante acompanhar todo o processo, os choros, as adaptações e mostrar que a mulher não está sozinha nesta trajetória. Para o bebê, o pai que chega em casa no fim do dia será sempre a surpresa. Vai agitar mais a criança e trazer alegria, mas vai poder cuidar da mãe no momento que cuida do bebê – afirma a psicóloga.

Entre na rotina
Nos primeiros meses, muitos pais lutam para serem envolvidos nas tarefas com o bebê. É nesta fase em que as mães focam todas as necessidades do pequeno na própria imagem e também acreditam que são as melhores pessoas para tomar conta do filho. Para o pai fazer parte desse processo, precisa estabelecer uma relação com o bebê e evitar o corrosivo sentimento de “figura desnecessária” na relação da família.
Cuidar, dar banho, vestir o bebê são os caminhos para começar esse contato. A troca de fraldas, por exemplo, pode ser um ritual de cuidado que o homem pode fazer parte, especialmente para ajudar a mulher. Alimentar a criança e levá-la de volta para a cama durante as madrugadas é outra maneira de ajudar e estreitar os vínculos.
Seja qual for a tarefa, o importante é demonstrar o interesse em ajudar e usar cada oportunidade para construir uma relação de confiança com a criança e com a mulher.

Cuidado com a depressão pós-parto
Eles também podem ficar deprimidos após o nascimento de um filho. De acordo com pesquisas recentes, a depressão pós-parto afeta um em cada 25 pais – nas mulheres o número é de uma a cada dez.
O difícil quando a doença aparece é detectá-la durante os primeiros meses, porque é a fase em que todos estão cansados e emocionados com as mudanças. Pais com queda no interesse de atividades do dia a dia, dificuldade de concentração e para tomar decisões, sentimento de culpa, mudança no apetite ou no sono ou ansiedade excessiva em relação à saúde do bebê, podem estar sofrendo de depressão. Nesses casos, a melhor coisa a fazer é conversar com a companheira, um amigo  ou com um profissional antes que o problema afete a relação do casal e com o recém-nascido.

Não tenha medo
No início, é difícil fazer uma aproximação mais íntima do pai com o filho, porque o pequeno ainda está muito ligado e dependente da mãe. Mas é possível criar oportunidades simplesmente envolvendo-se nos cuidados com o pequeno.
Você pode ter uma experiência especial, pele com pele, dando ao bebê um confortável abraço depois de trocar a fralda dele. Converse com a criança o máximo que puder, porque, mesmo que ele não entenda, quanto mais você interage, mais ele se sentirá seguro e confortável para desenvolver um bom relacionamento e confiança. Outra possibilidade, é permitir que a mãe tenha um tempo para ela, enquanto você cuida do pequeno e melhora ainda mais a relação de vocês.”

Proteja o casamento
O primeiro ano após o nascimento leva muitos casais ao limite simplesmente devido aos estragos físicos e emocionais causados com a responsabilidade de cuidar da criança. É importante que os pais se preocupem consigo e na relação do casal.
Para manter-se ligado à esposa, o homem pode demonstrar preocupação com as necessidades emocionais dela, escutá-la e fazê-la se sentir importante. A pouca interação sexual nesta fase também significa que a vital ligação física está perdida e precisa ser mantida por meio de beijos, abraços apertados e do sexo. É vital para os homens tentar verbalizar os desejos e deixar claro para a mulher que sente orgulho dela e que deseja manter a relação com ela e com o bebê com muito amor.

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