Pais estão dividindo melhor a tarefa da formação emocional dos filhos

Direitos iguais na sociedade alteraram a relação afetiva entre os pais e as crianças, diz especialista

Träsel terá seu primeiro Dia dos Pais, ao lado de Violeta
Träsel terá seu primeiro Dia dos Pais, ao lado de Violeta Foto: Arquivo Pessoal

O professor universitário Marcelo Träsel ainda não sabe do real impacto que vai exercer sobre a formação emocional da pequena Violeta, nascida no dia 12 de julho. Mas sabe que a sua responsabilidade sobre a filha não é muito diferente da responsabilidade da mãe. Nesse domingo, Dia dos pais, ele reflete sobre o desafio que é assumir o papel de pai na primeira década do século XXI.

? Não acredito que existam tarefas de pai e tarefas de mãe. Penso que o papel de ambos nessa fase, em que ela não sabe usar a linguagem e tem uma vida simbólica limitada, é transmitir confiança ao filho. Mostrar que estamos lá caso ela precise de alguma coisa nesse mundo que ainda nem começou a perceber direito _ diz o coordenador da especialização em Jornalismo Digital da PUCRS, que criou até um blog em homenagem à filha.

Para a psicóloga Elizabeth Mendes, a divisão de tarefas na sociedade e no trabalho afetou diretamente os papéis dentro de casa. Já não cabe mais exclusivamente à mãe o papel de lidar com o mundo afetivo e emocional dos filhos.

De acordo com ela, o homem passou a desenvolver uma inteligência emocional depois que as mulheres conquistaram direitos iguais, o que forçou os homens a serem mais participativos dentro de casa.

? Os dois agora ficaram responsáveis pelo mundo afetivo da criança. Isso mostra que os valores estão mudando, que as pessoas querem viver melhor e não viver muito.

Na evolução histórica, cabia aos pais mais a função normativa, de colocar limites e de mostrar as regras da sociedade, explica Elizabeth, que é especialista em qualidade de vida e membro da IsmaBR.

? Até o início da década de 60, as mulheres eram as únicas responsáveis pelos valores afetivos. Nessa época não existia o estatuto da mulher casada. A partir desse documento, foi que a mulher teve direito a decidir o número de filhos e onde iria morar. Depois do estatuto, e com os métodos de prevenção, ela começou a entrar na sociedade partilhando as coisas com os homens, e o homem ganhou com isso pois pode desenvolver uma inteligência mais emocional.

Participação paterna

Uma pesquisa dos EUA, realizada em 2009 e divulgada recentemente pela National Center for Fathering (Centro Nacional para a Paternidade) mostrou que os americanos reconhecem um progresso significativo em várias frentes relacionadas à paternidade. Entre elas o conhecimento dos pais sobre o que passa na vida dos filhos, maior conforto dos homens em tratar de assuntos espirituais com as crianças e a presença mais frequente deles nas refeições em família.

O médico e militar, Diogo Felipe Mascarenhas Nassif, 44 anos, procura manter sempre uma relação estreita com os filhos Henrique e Marina, de sete e 11 anos. As tarefas de buscar no colégio, levar à festinhas e a tardes no clube são divididas com a mulher, Aline, de 38 anos. Henrique inclusive não perde de acompanhar um jogo do Inter ao lado pai no Beira Rio.

? Acho que essa relação com o pai está mudando. A gente convive muito com outros pais também, e há uma participação maior do pai nas atividades, isso nos leva a ficar mais abertos.

Apesar de ter perdido a figura paterna cedo, aos oito anos, Diogo acredita que hoje é mais presente no dia a dia dos filhos do que seu pai foi durante sua infância, no interior do Estado.

? O que a gente vê no consultório é que filhos que têm pais fortes, pisam forte no mundo. Sentem-se mais seguros, autoconfiantes. O homem, na imagem do pai desafia mais a criança, e isso é bom para autoimagem dela ? afirma Elizabeth.

Para Roberto Porto werckmeisster, 49 anos, os poucos momentos que tem com a filha são sempre bem aproveitados. Divorciado desde que a filha tinha quatro anos, ele procura aproveitar ao máximo os finais de semana que divide com Laura Klovan Werckmeister, 10 anos.

? Quando passamos pelo túnel da conceição, em Porto Alegre, costumamos abrir as janelas e berrar. Competimos para ver quem grita mais alto Ela adora o eco. Eu procuro ser o mais participativo possível. Mas cuido para dosar nas brincadeiras e para dar limites a ela também ? destaca.

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