Pais estão mais interessados em proporcionar educação sem clichês

Por este motivo, Disney estaria diminuindo a produção de animações com princesas

Leite materno é seguro e oferece ao bebê todos os nutrientes que precisa para um desenvolvimento saudável
Leite materno é seguro e oferece ao bebê todos os nutrientes que precisa para um desenvolvimento saudável Foto: Mauro Vieira

Atenção, feministas do mundo. Ding dong, a malvada princesa cor de rosa, está morta. Quer dizer, nem tanto. Mas quase.O grupo de campanha Pink Stinks (“Cor de Rosa Fede”, em tradução literal) acaba de afirmar, com cauteloso otimismo, que a onda rosa parece ter recuado no catálogo natalino do último ano.

Ao mesmo tempo, ainda mais inacreditavelmente, relatórios dizem que a Disney está diminuindo a produção de animações com princesas. Aos cinco anos, aparentemente, as garotinhas agora estão entediadas com as tiaras e os vestidos rodados. Será?

Fim da estrada para as princesas Disney? E menos itens de plástico rosa e jogos de armadura para os meninos nas lojas? Certamente não. Ou será um sinal de que o poder do convencimento infantil está finalmente dando lugar ao poder dos pais? Ou que um novo movimento chamado “cuidado parental feminista” está gozando de sucesso?

Abi Moore, cofundadora do Pink Stinks, diz que a organização é inundada com mensagens de pais de todo o mundo.

– Nossa campanha, no último ano, expandiu-se para 43 países. Os pais nos perguntam constantemente o que podem fazer. Pais de meninos e de meninas estão cheios das mensagens de marketing e, especialmente, de presunções de gênero com as quais as crianças são forçadas a lidar – afirma a ativista.

Abi administra o Pink Stinks com sua irmã gêmea, Emma, e ambas criticaram a obsessão com o cor de rosa por parte de grandes redes, como o Early Learning Centre, do Reino Unido. Nos Estados Unidos, a Disney diz que não planeja mais animações de contos de fada. Em produção, em vez disso, está uma versão de O Ursinho Pooh e de um novo personagem de videogame, ambos pensados para apelar a ambos os gêneros.

Então, será que a visão dos pais finalmente está sendo ouvida pelas empresas de marketing? Muitos, incluindo o Pink Stinks, aberta ou frouxamente alinham-se com o “cuidado parental feminista”. No Reino Unido, há uma campanha online chamada CRAP! (Crianças Acuadas contra o Patriarcalismo). Nos Estados Unidos, há centenas de blogs do gênero, como o Raising my Boychick (“Criando meu Menino-Menina”, sobre os cuidados com um menino branco presumidamente heterossexual), Feminist Dad (“O Pai Feminista”, embora diga que a filha “AMA a Disney”) e “She Has My Eyes” (“Ela tem meus olhos”, sobre cuidados parentais sem intolerância e papo furado).

– Fui a muitos eventos em que me surpreendi com a quantidade de pessoas querem falar sobre a família feminista e o consumismo – diz Natasha Walter, autora de um livro intitulado Bonecas Vivas – O Retorno do Sexismo. – As pessoas veem que estão em má situação, e sempre me perguntam “Como posso resistir a isso, pelo meu filho/filha?”.

Como lidar com demanda dos próprios filhos?

Então, como podemos prevenir a ascensão do consumo de produtos específicos para cada gênero? Jan Williams, mãe de dois adolescentes, um menino e uma menina, ministrou um workshop em uma conferência londrina feminina realizada em outubro. A oficina foi assistida por mais de mil pessoas.

– Você vê pela maneira que as crianças são pressionadas na escola. “Você gosta de futebol, não gosta?” “Venha cá brincar com as bonecas” – sustenta Jan.

Há uma grande reação dos pais contra isso, ela diz, especialmente de pais que querem aprender a lidar com a demanda constante dos consumidores em miniatura com quem vivem, especialmente no Natal.

– É simples como a antiga mensagem sobre as drogas: só-diga-não. Conheço muitos pais que não conseguem. Mas você precisa conseguir dizê-lo de um modo calmo e pacífico. Apoie as escolhas de brinquedos que realmente amem. Caso você não possa, deixe que eles juntem dinheiro para comprá-los.

Tradução: Fernanda Grabauska

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