Para a polícia, decalques de família usados em automóveis oferecem pouco risco à segurança

Decalques com informações da família não teriam utilidade para criminosos

Cuidado nunca é demais ao colar decalques que transmitam informações pessoais
Cuidado nunca é demais ao colar decalques que transmitam informações pessoais Foto: Lauro Alves

Levantada em um artigo publicado ontem em Zero Hora, a possibilidade de os “adesivos das famílias’’ municiarem criminosos com informações relevantes sobre a rotina de possíveis vítimas é considerada pequena por policiais. Febre no Estado, os decalques de figuras que representam a família dos motoristas tomaram conta das traseiras de automóveis nos últimos meses.

Mas os adesivos trariam informações suficientes para bandidos traçarem o perfil de uma vítima? No artigo Abaixo o “adesivo da família’’, a advogada e professora do Programa de Pós-graduação em Direito da PUCRS, Denise Pires Fincato, pondera que o proprietário do carro estaria transmitindo informações pessoais que poderiam ser usadas por bandidos na orquestração de roubos e sequestros.

A opinião é vista com cautela por policiais ouvidos por ZH. O diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Ranolfo Vieira Júnior, é enfático:

— Não há registro de que bandidos estejam se guiando por esses adesivos para roubos ou sequestros.

Segundo Ranolfo, criminosos que se dedicam à pratica de sequestros tradicionais escolhem suas vítimas a partir de informações obtidas com pessoas próximas, funcionários e familiares, que conhecem em detalhe a rotina profissional e doméstica. Já os sequestros relampagos são decididos pela observação da vítima na saída ou chegada a bancos ou estabelecimentos comerciais.

O carro da vítima também é usado como um indicativo importante: isso porque veículos mais sofisticados são conduzidos, via de regra, por quem tem conta em banco e dispõe de cartões de crédito na carteira. Para a estratégia dos criminosos, portanto, as informações nos adesivos teriam caráter secundário.

Ranolfo alerta, no entanto, que informações postadas em sites e redes sociais transitam publicamente e, portanto, podem ser usadas por bandidos.

Na avaliação do delegado Juliano Ferreira, da Delegacia de Roubos, o adesivo traz informações genéricas demais para motivar, por si só, sequestros e extorsões. No máximo, tais figuras — do números de familiares ou de cães — poderiam ser somadas a outros dados já reunidos pelo criminoso.

— Mas discrição nunca é demais — ressalva.

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