Para se vestir bem é fundamental se conhecer, diz consultora de imagem

Dezenas de jovens tentam na tarde deste sábado ser uma Menina Fantástica
Dezenas de jovens tentam na tarde deste sábado ser uma Menina Fantástica Foto: Genaro Joner

Difícil falar sobre as principais consultoras de imagem no Brasil sem que o nome de Ilana Berenholc apareça na lista. Pioneira na área, Ilana é referência para um mercado em expansão no país e nenhum currículo de consultora brasileira parece completo sem conter um curso ministrado por ela.

Proprietária da empresa Ilana Berenholc Consultoria de Imagem, ela atua na área desde 1994 desenvolvendo trabalhos nas áreas de consultoria de imagem pessoal, profissional e corporativa.  Desde 1999, Ilana prepara profissionais para atuarem como Consultores de Imagem, além de dirigir o Comitê de Globalização da AICI (Association of Image Consultants International), pela qual é certificada internacionalmente, e escrever uma coluna sobre gerenciamento da imagem profissional para o site da revista Você S.A.

Você é citada como uma das pioneiras na área de consultoria de imagem no Brasil. Como foi que você detectou que havia uma demanda no mercado brasileiro para esse tipo de serviço? Quando foi que tudo começou e o que mudou na área desde então?

Ilana Berenholc – Eu iniciei este trabalho há 15 anos e ele era totalmente desconhecido. O mercado e a demanda foram criados a partir daí. No início, havia uma certa resistência, havia uma idéia de que não se deveria pagar alguém para dizer o que uma pessoa deve vestir ou que contratar um consultor de imagem era um luxo ou algo apenas para celebridades e políticos. Com o tempo, as pessoas começaram a perceber os benefícios de desenvolver sua imagem pessoal como uma ferramenta de comunicação. É uma forma de projetar no visual suas melhores qualidades, sentir-se bem com o que veste, aprender a valorizar seus pontos positivos. A procura por este serviço aumentou consideravelmente. Muitos percebem como podem se beneficiar tanto na sua vida pessoal quanto profissional.  Em relação ao mercado corporativo, muitas empresas passaram a incluir o tema “Imagem Pessoal” nos treinamentos de seus funcionários. O número de profissionais qualificados aumentou pela exigência do mercado de profissionais mais bem preparados e com formação sólida. Existe o projeto de oficializarmos uma representação da AICI (Association of Image Consultants International) no Brasil em 2010.

Qual é a importância da consultoria de imagem e estilo no mundo de hoje?

Ilana – A consultoria de imagem vai além de definir uma imagem correta. Com ela, o cliente descobre sua própria singularidade e define uma identidade visual para si. Há alguns anos, o que importava eram as regras de etiqueta que ditavam o modo certo de ser e se vestir. Entendemos que hoje é preciso muito mais do que ser apenas adequado: é também preciso ser único, criar um diferencial. Desenvolver sua imagem não é encher a vida de regras. Com a orientação e as ferramentas apropriadas, o cliente desenvolve sua imagem com segurança, identificando quais roupas e acessórios o valorizam e o ajudam a se mostrar do modo como gostaria de se ver e ser visto.

O que inclui um pacote de consultoria de imagem?

Ilana – A consultoria de imagem que desenvolvo tem foco na definição da identidade visual do cliente. Baseados em sua personalidade, características físicas, estilo de vida, preferências e objetivos, iremos definir sua imagem e estilo e fornecer ferramentas para que ele possa desenvolvê-la. Para isto, é trabalhada a valorização estética, por meio das cores, modelagens, texturas, estampas e acessórios que melhor harmonizam com o biotipo do cliente. Além disto, é feita a identificação do estilo pessoal. Também é feita a avaliação do guarda-roupa, coordenação de looks e compras personalizadas. Com executivos, realizamos programas de desenvolvimento pessoal e aprimoramento da imagem através de sessões individuais personalizadas, envolvendo os seguintes tópicos: análise da imagem profissional, guarda-roupa e aparência, postura profissional, linguagem corporal.

A primeira impressão é mesmo a que fica?

Ilana – Quando encontramos alguém pela primeira vez, fazemos um julgamento imediato desta pessoa, baseados principalmente em seu visual e linguagem corporal. São necessários menos de 10 segundos para a primeira impressão estar formada. Quando há ruídos nesta comunicação, a imagem desta pessoa é afetada. Estes ruídos podem vir através de uma aparência ou comportamentos inadequados. Mais do que apenas um “gostei” ou  “não gostei”, nesta primeira impressão criamos um pequeno relatório mental do que acreditamos ser as qualidades e características da pessoa com quem estamos interagindo. Neste dossiê presumimos informações como sua ocupação, credibilidade, competência, situação financeira, estado civil, confiabilidade, entre outras. Para a pessoa que teve a impressão, o julgamento que ela fez sobre o outro é uma verdade e não apenas uma opinião. Por isso dizemos que a primeira impressão é a que fica. Reverter esta imagem é um processo bastante demorado –principalmente se a primeira impressão foi negativa, pois neste caso damos poucas oportunidades para a outra pessoa provar o contrário. Para reverter uma primeira impressão negativa, todas as ações devem ser consistentes e coerentes com a imagem que desejamos projetar 100% do tempo para que o outro mude a imagem que teve.

Qual é a importância de sabermos qual o nosso estilo? Que frutos um estilo adequado pode garantir?

Ilana – Na consultoria de imagem, o estilo está relacionado ao desenvolvimento de uma identidade visual. Sua identidade visual é o que imprime sua individualidade e personalidade no vestir e o faz se destacar das outras pessoas. Ao desenvolver sua identidade visual, você escolhe como quer se ver e ser visto e escolhe da moda apenas aquilo que a valoriza e reflete sua personalidade e estilo de vida. Para descobrir e desenvolver sua identidade visual, é importante que o cliente, antes de tudo, se conheça. As roupas são nossa segunda pele e, além de valorizarem nossas características, contam para o mundo um pouco sobre quem somos. Ter estilo significa fazer escolhas conscientes e consistentes com a imagem que desejamos projetar e de forma autêntica.

Que tipo de pessoa procura o serviço de consultoria de imagem e estilo?

Ilana – Na consultoria de imagem pessoal, as mulheres ainda são 75 a 80% das clientes. Seu foco maior é praticidade e objetividade ao se vestir, valorização pessoal, criar uma identidade visual, economia, maior uso das peças que possui. Os homens buscam o que uma boa imagem pode lhes proporcionar socialmente ou profissionalmente. Na consultoria de imagem empresarial, as empresas buscam mudança na conduta e forma de apresentação da equipe.

De que maneira, o self-branding está incluído na consultoria de imagem?

Ilana – O self-branding é antes de tudo a conseqüência de ações e atitudes de um indivíduo. Antes de tudo, o cliente deve fazer uma autoanálise para detectar quais são as qualidades que possui que gostaria de ter associadas a seu nome e sua imagem. Estas qualidades devem ser autênticas, pois é quase impossível sustentar uma imagem falsa por muito tempo. É importante também saber qual é o seu diferencial e evidenciá-lo. A consultoria de imagem apoia o self-branding tornando visíveis as qualidades existentes por meio da aparência, comportamento e comunicação.  Tudo o que a pessoa faz – sua forma de se comportar, se comunicar e se apresentar, devem estar alinhados a esta imagem. Sem coerência e consistência no comportamento, nenhum nome se torna forte.

Há um senso comum que dita que usar roupas de cor preta evita erros. Você concorda?
Ilana –
Não. As cores transmitem mensagens específicas e, dependendo da situação, podem não ser adequadas. Preto é a cor associada ao poder e por isto muito adotada no mundo corporativo. Também é vista como elegante, daí o “pretinho básico”. No entanto, também é uma cor que imprime formalidade e cria distanciamento, o que pode ser inadequado em momentos que se pretende projetar uma imagem mais acessível. Esteticamente falando, muitos usam o preto pelo fato de ele ajudar a emagrecer visualmente, o que qualquer outra cor escura também faz, contanto que o corte da roupa também favoreça. E, contrariando o senso comum, preto não fica bem em todas as pessoas. Muitas ficam abatidas se usam esta cor.

Qual é o maior erro que as pessoas cometem ao se vestir?

Ilana – Para se vestir bem é fundamental se conhecer: as proporções do corpo, as cores que mais valorizam a coloração pessoal, o estilo pessoal. Quando a pessoa segue a moda sem respeitar sua identidade, os maiores erros acontecem. É quando vemos alguém e temos a sensação de que a pessoa foi “sequestrada” pela roupa que está usando: a roupa aparece demais e a pessoa desaparece.

O que pode destruir um visual?

Ilana – São o que chamamos sabotadores da imagem: roupas curtas ou largas demais, em mau estado de conservação, roupas com o prazo de validade vencido, tecidos de má qualidade, exagero no uso de acessórios, o descuidado com pequenos detalhes como cabelo, maquiagem e cuidado pessoal.

Quais são as regras de estilo no ambiente de trabalho?

Ilana – Em uma empresa, a forma como seus profissionais se apresentam é um dos elementos de comunicação de sua identidade e cultura. A aparência do profissional deve ser coerente com a identidade corporativa da empresa, seu ambiente de trabalho, os códigos de vestuário existentes em seu meio profissional, além de refletir seus talentos e habilidades. O que rege a escolha é a política de vestuário da empresa – que pode ser formal, casual ou esportiva. Na ausência de uma definição da empresa, o ideal é observar como os superiores bem sucedidos se vestem. Áreas de atuação mais conservadoras são menos flexíveis em relação ao que é adequado ou não no ambiente de trabalho. Áreas mais criativas são mais flexíveis e é justamente aí que os erros normalmente ocorrem. Por mais informal que seja o ambiente profissional, deve-se ter cuidado para não vir para o trabalho com uma aparência com cara de final de semana. Mesmo se você não tem contato com o público, não se esqueça de que você também deve projetar profissionalismo internamente.

AS DICAS DE ILANA BERENHOLC

1:: Na hora de escolher colares, considere a relação entre a largura dos ombros e do rosto. Para quem tem ombros estreitos, o ideal é usar colares finos. Ombros largos pedem colares de várias voltas ou modelos mais largos.

2:: Exibir ou marcar algumas partes do corpo, como pescoço, punho, cintura e tornozelo, ajudam a criar ilusão de magreza.

3:: Punhos muitos finos em relação ao tamanho das mãos pedem pulseiras mais largas ou várias pulseiras. Punhos largos pedem pulseiras vazadas ou várias pulseiras finas usadas juntas.

4:: Homens com rosto fino e longo devem escolher colarinhos com as pontas mais abertas, como o italiano. Quem tem o rosto redondo ou largo deve usar os colarinhos tradicionais, com as pontas mais fechadas.

5:: Preto é uma cor que deve ser usada com cuidado na combinação com cores vivas. Ele combina melhor com outras cores neutras ou com cores pálidas. Se quiser usá-lo com cores vivas, você deve combiná-las numa proporção 30/70 de cada uma das cores – divida visualmente o quanto de cada uma das cores aparece em todo seu look e escolha uma das duas para predominar.

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