Paris abre sua Semana de Moda com novas marcas nos desfiles

Propostas para o inverno europeu de 2012 são apresentadas na França

Modelos desfilam as criações da francesa Ann Valerie Hash
Modelos desfilam as criações da francesa Ann Valerie Hash Foto: AFP

O primeiro dia da semana de moda francesa sempre traz novos nomes, como o hindu Harry Halim, que na sua terceira coleção entra para o line up oficial. O estilista, que desfilou em uma pequena galeria para um público bastante especializado, apresentou sua proposta para o inverno europeu. 

Quem viu a última temporada e agora olha a proposta para o inverno 2012, praticamente não vê diferença. As criações representam princesas vindas do inferno, saídas de um universo dark, sombrio e com looks repletos de tramas que lembram redes, uma das maiores tendências de construção de tecido.

Em entrevista, o estilista explica ainda que essa coleção é a continuação da anterior, um ato corajoso para quem acaba de entrar oficialmente em uma das semanas de moda mais representativas do mundo, onde todos buscam novas ideias. Mas esse não foi o perigo maior da coleção, o acabamento das calças que ele propôs não era perfeito e a finalização de algumas peças também não estava à altura de uma semana internacional, como a francesa. O perfil de criação lembra de Garteh Pugh, ícone entre os novos nomes mundiais, o que tem sido referência comum entre jovens estilistas dos mais diversos lugares. Para a estréia oficial, a coleção de HarryHalim confirmou as tendências de peles, contrastes de materiais (leve x pesado) e penas nos acessórios.

Já Aganovich foi meio decepcionante por um lado e gratificante por outro. A marca cresceu e apareceu. Nessa temporada a presença da imprensa foi maior e a locação, Palais De Tokio, ajudou a colocar ainda mais na programação das marcas que devem ser vistas em Paris. A direção criativa mudou muito, há seis meses era uma marca extremamente diferente e voltada para a arte, agora ficou mais comercial e competitiva. Antes o discurso defendia inclusive a não realização de um desfile de moda padrão, nesse primeiro dia de semana de moda o que se viu foi um desfile como tantos outros.

A coleção evoluiu e parece mais madura, as peças brincavam com diferentes materiais e texturas, tudo em diferente tons de azul. Uma legging brande de látex foi o ponto bem acrescentado de uma styling perfeito. Looks geométricos misturavam produções comerciais com outras conceituais. Mas não havia nada mais de arte ou defesa de um ideal como era proposto antes. 

Perder a esperança no que se faz é muito sério, principalmente na moda, onde a criação traduz a crença mais pura de um estilista. Saber que o mercado muda conceitos e determina produtos, todos sabem disso, mas nem sempre a quebra de um perfil é tão clara. Questionada pela brusca mudança de perfil na marca, a estilista Nana Aganovich demonstrou incomodo e não quis levar o assunto em frente, preferiu retomar a inspiração como tema da conversa. A mudança de perfil pode causar estranheza pelo prisma da ideologia, mas não há dúvidas que o produto melhorou e no final das contas, o que vale na moda é a venda final das peças de uma coleção.

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