Penélope Cruz: “Não sou a mesma menina que conheceu Almodóvar”

Penélope canta e dança em cena em "Nine", do diretor Rob Marshall
Penélope canta e dança em cena em "Nine", do diretor Rob Marshall Foto: The Weinstein Company, divulgação

A dinâmica entre Penélope Cruz e seu mentor Pedro Almodóvar mudou muito nos últimos anos. No fim das contas, reconhece a musa do diretor espanhol, ambos passaram por muitas coisas.

– (Nossa dinâmica na tela) está constantemente mudando porque nós dois mudamos. Eu era uma menina quando o conheci – afirmou à AP a estrela de Volver e Abraços Partidos (que estreia no Brasil no próximo dia 20 de novembro), que disse ainda ter decidido dedicar-se à atuação depois de assistir ao trabalho do diretor manchero (da região da Mancha), a quem conheceu aos 17 anos. – Mas trabalhar com ele sempre foi uma experiência positiva. Adoro trabalhar com ele e adoro tê-lo como amigo, porque Pedro é uma pessoa com muito senso de humor e com uma cabeça incrível – acrescentou a atriz em entrevista concedida em um hotel de Manhattan, onde se encontrava para o encerramento do Festival de Cinema de Nova York com Abraços Partidos.

No filme, Penélope dá vida a Lena, atriz amada pelo diretor Harry Caine (interpretado por Lluís Homar) e desejada obsessivamente pelo poderoso empresário Ernesto Martel (José Luis Gómez), com quem se

viu obrigada a casar, em uma história dominada pela fatalidade, o abuso de poder, a atraição e o complexo de culpa.

_ Para mim é interessante poder mudar de gênero tantas vezes seguidas (dentro da mesma película). Estar vivendo um drama e logo uma comédia e em seguida um filme noir, passando por tantos estados de espírito em apenas duas horas _ acrescentou Penélope, que já trabalhou com Almodóvar quatro vezes.

Sentada de pernas cruzadas, o cabelo castanho solto, vestindo um par de jeans e uma camiseta folgada, a atriz de 35 anos, que já declarou sentir-se saída diretamente de um filme de Almodóvar, disse não se parecer tanto com sua mais recente personagem.

_ A energia de Lena é bastante diferente da minha _ respondeu quando perguntada sobre sua semelhança às mulheres de Almodóvar que já encarnou, mais especificamente Lena ou a Raimunda de Volver, que lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar. _ Não sei se me pareço com alguma delas. Mas a Raimunda tem uma energia uma pouco mais parecida com a minha porque me criei com mulheres com esse tipo de energia e também mulheres do sul da Espanha, da Andaluzia e de Extremadura, que têm uma energia parecida com as da Mancha. E essas personagens são personagens da Mancha. Nesse sentido, era algo fácil para mim de entender.

Vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante por seu papel em Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen, Penélope disse que, apesar de ter sido um sonho, o reconhecimento não significou grandes mudanças em sua carreira.

– Acredito que as coisas não mudam de um dia para outro – garantiu a atriz, que conquistou a estatueta dourada em fevereiro último. – Creio que nos últimos anos não posso me queixar do nível dos projetos que chegam a mim. Venho tendo bastante sorte nesse sentido.

Recentemente, Penélope participou pela primeira vez de uma animação, G-Force, emprestando sua voz ao personagem Juárez, e em breve estará em outra nova etapa: como bailarina e cantora do musical Nine, inspirado no filme 8 1/2, de Federico Fellini e levado à telona por Rob Marshall.

– Foi uma experiência incrível – disse sobre seu mais recente filme, que estreia em dezembro nos Estados Unidos. – Tive muito medo, porque me dava muito medo cantar, era a primeira vez. Mas tive aulas durante dois meses.

Neste filme, que conta ainda no elenco com Daniel Day-Lewis, Marion Cotillard, Nicole Kidman, Judi Dench e Sophia Loren, Cruz interpreta Carla Albanese, uma italiana que vive uma relação extraconjugal com Guido Contini, interpretado por Day-Lewis.

– Carla é uma mulher que sofre muito com isso, em sua vida não acontecem coisas muito interessantes e seu tempo com Guido é o único que a faz feliz – disse. – É uma personagem que desde que vi em 8 1/2, e depois na montagem que Antonio Banderas fez na Broadway, me pareceu uma personagem com muitas facetas, muito atraente para ser interpretada, há algo de muito peculiar na personalidade dela.

Para preparar-se para este papel, Penélope teve aulas em Los Angeles e Londres de canto e atuação, além de estudar o sotaque italiano. O mais difícil dessa experiência?

– Cantar e dançar ao mesmo tempo. E ter de fazer o número todo, de uma vez só, cantando e dançando. A primeira vez que vi o número, pensei que era impossível fazê-lo. Mas com a ajuda de todos os que nos treinaram e muito tempo para ensaiar, a verdade é que a sensação quando consegui fazê-lo foi incrível.

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