Pense muito bem antes de decidir o nome do seu bebê

Rachel Hallivell deu às filhas nomes fora do comum, e uma delas, Merrily, promete trocá-lo quando fizer 18 anos

O nome que parece delicado para um bebê pode ser constrangedor no futuro
O nome que parece delicado para um bebê pode ser constrangedor no futuro Foto: Reprodução

Por Rachel Hallivell, do Reino Unido

“Há 12 anos, quando batizamos nossa filha de Merrily (que significa alegremente em inglês), não nos ocorreu que ela pudesse crescer odiando o próprio nome. Ela tem o mesmo nome de uma ex-colega de trabalho de meu marido: uma garota agregadora, atraente, que era divertida, ousada e cujo nome parecia se somar a ela. Pensamos que nossa própria Merrily pudesse ser única.

O primeiro sinal da encrenca veio quando a menina tinha quatro anos, e uma professora me chamou para dizer que ela recusava responder quando era chamada pelo nome.

– Ela está cercada de Charlottes, Annabelles e Lucys – disse a professora, antes de adicionar, pontualmente, que, nessa idade, crianças realmente não gostam de se sentir em destaque.

Foi quando eu senti a primeira punhalada de culpa por ter dado um fardo à minha filha. Uma ida familiar ao zoológico com a irmã de Merrily, Bronte, causou mais agitação.

– Por que nossos nomes não estão em nenhuma das canecas? – perguntou ela quando estávamos na loja de presentes.

– É porque vocês duas são muito especiais. Papai e eu pensamos que nomes como Jessica e Sophie pareciam muito chatos para vocês – tentei explicar.

– O que é chato é não poder ter um estojo com meu nome bordado – rosnou Bronte.

Ela tem 15 anos agora e, felizmente, essa foi sua primeira e única reclamação sobre o assunto. Merrily foi bem mais enérgica.

– Por que você precisava nos dar nomes tão estúpidos? – ela lamentou. É uma questão que ela tem repetido insistentemente desde então.

Quando ela era menor, era preciso aturar brincadeiras de outras crianças, relacionadas com o nome da menina. O mesmo aconteceu quando ela e suas colegas começaram a estudar análise morfológica.

– Por que você me deu um advérbio como nome? Odeio o nome que você me deu.

Dói pensar que ela, de fato, pode estar falando sério. Afinal, o nome é o primeiro presente, depois da vida em si.

Dizia que, um dia, ela amaria o próprio nome. Mas ela tem 12 anos agora, e começo a ter dúvidas sobre isso.

Então, por que batizamos nossas filhas com nomes tão fora do comum? Até o momento em que nasceu, nossa filha mais velha se chamaria Rebecca, só que ela não tinha cara de Rebecca.

Rapidamente, veio a alternativa de nome: Bronte. Meu marido se inspirou em um filme que havíamos assistido juntos alguns dias antes do parto, Green Card – Passaporte para o Amor. Era o nome da personagem principal.

Nos 15 anos que se passaram, Bronte viveu confortavelmente com seu nome. “É quem eu sou”, ela diz, pragmaticamente. Mas Bronte sempre foi uma figura um tanto tranquila, ao contrário de Merrily, que é tanto desafiadora quanto ferozmente independente. Merrily diz que, quando completar 18 anos, vai mudar seu nome para Victoria.

Ironicamente, considerei aquele nome para ela quando descobri que estava grávida, mas me senti sob pressão para criar um nome diferente para o bebê número dois. Sejamos sinceros, você não pode chamar sua primeira filha de Bronte e a segunda, de Jane.

Primeiro, olhamos para o mundo das celebridades. Na década de 1960, Frank Zappa batizou seus filhos de Dweezil e de Moon Unit (unidade lunar), e, na década de 1970, David Bowie chamou seu filho de Zowie. Então Paula Yates criou uma discussão nos anos 1980, quando anunciou que sua filha mais velha se chamaria Fifi Trixibelle, e as outras, no início de 1990, se chamariam Peaches (pêssegos) e Pixie (diabinho). No final, encontramos inspiração mais perto, mas parece não ter dado muito certo. Espero que, nos próximos anos, minha Merrily sinta a mesma coisa.”

Para a vida inteira
Escolher o nome de um filho é uma decisão difícil, e os pais precisam considerar que a criança passará a vida inteira com a palavra escolhida. Antes de definir, pai e mãe precisam conversar e entrar em um acordo. Abaixo, confira algumas dicas que podem ajudar a família a refletir antes da escolha.
:: Para quem está em dúvida, o ideal é fazer uma listinha acrescentando os nomes mais interessantes para os pais.
:: Avalie se o nome pode se transformar em apelidos embaraçosos e evite nomes que remetam a lembranças ruins.
:: Leia em voz alta o nome completo escolhido. Veja se há boa sonoridade.
:: Um nome diferente tem a vantagem de fazer a pessoa se destacar, mas cuidado com palavras exóticas ou com nomes de pessoas famosas.
:: Preocupe-se também com a grafia do nome.

Os mais populares
:: Escolher o nome do bebê pode ser uma tarefa difícil para os pais. Muitos tentam inovar, outros buscam os mais populares. A empresa Certifixe, que reúne 19 cartórios em todo o Brasil, fez um ranking com os nomes mais comuns no país. Confira alguns deles em ordem de preferência dos pais.
Maria, Ana, João, Matheus, Pedro, Gabriel, Luiz, Gustavo, Guilherme, Júlia, Kauã, Lucas, Mariana, Nicolas e Rafael

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