Pesquisa alerta para consumo excessivo de sódio na alimentação

Confira alternativas para temperar saladas e refeições

Excesso de sal pode comprometer a saúde: diversifique os temperos à mesa
Excesso de sal pode comprometer a saúde: diversifique os temperos à mesa Foto: Genaro Jones

Estender o braço, alcançar o saleiro e despejar duas ou três pitadas na salada. O gesto é corriqueiro nos restaurantes e nas casas dos brasileiros, mas fortemente contraindicado por médicos e nutricionistas. O vilão dessa história não é o sal, mas um de seus principais compostos: o sódio. Em níveis normais, o sódio tem uma função importante no organismo. É ele quem equilibra o volume do sangue, mantendo o sistema cardiovascular em bom funcionamento. Além disso, atua na transmissão de impulsos nervosos em todo o corpo, auxiliando em várias funções vitais.

O problema é que duas ou três pitadas na salada somadas ao sal colocado em outros alimentos, como arroz e feijão, fazem os consumidores extrapolar a quantia diária recomendada.

Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) revelou que no Brasil são ingeridos 4,5 gramas de sódio por dia. Parece pouco, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda dois gramas de sódio por dia, o que equivale a cerca de cinco ou seis gramas de sal, cerca de uma colher de chá.

Nos países ricos, a ingestão normalmente está relacionada com alimentos industrializados, onde o sal é usado por suas propriedades de conservar os alimentos. Aqui, o sal é consumido principalmente na comida caseira, como forma de tempero.

– O consumo exagerado é geral. Está espalhado por todas as faixas de renda, em todas as regiões do país – ressalta o médico Flávio Sarno, um dos autores da pesquisa.

Em excesso no organismo, o sódio vira inimigo. Os rins não conseguem eliminá-lo e, para tentar compensar, passam a acumular água.

– Essa quantidade extra de água no organismo aumenta a pressão arterial. Ao longo da vida, isso traz consequências graves, como infarto do miocárdio, isquemia cerebral e insuficiência renal – explica o clínico geral Carlos Munhoz.

De acordo com a nutricionista Denize Righetto Ziegler, professora da Universidade do Vale dos Sinos (Unisinos), se os brasileiros deixassem de temperar a comida com sal, ainda assim estariam ingerindo sódio suficiente para manter o organismo em bom funcionamento. Por isso, a recomendação é reduzir a quantidade pouco a pouco, até que a pessoa se acostume, o que, para a nutricionista, seria bom também para o paladar.

– Na alta gastronomia, por exemplo, a tendência é usar pouco sal e valorizar os sabores naturais. Quando temperamos muito, tiramos os sabores e deixamos tudo muito parecido – acredita.

Como escapar do sal

– Arroz e feijão não precisam de sal de acordo com o acompanhamento. Se as saladas e as carnes estiverem bem temperadas, a dupla pode ficar sem sódio, não comprometendo o sabor.
– Na salada, pode-se usar azeite e vinagre para combinar, principalmente, com folhas verdes. Outra dica é preparar molhos cremosos, como os feitos com iogurte.
– Nos molhos, para substituir o sal, recomenda-se usar outras alternativas com gosto forte. É o caso da cebolinha e do alho. Esses dois ingredientes dão sabor à comida e tiram a sensação de que o prato está insosso.
– Nas carnes, um dos temperos mais utilizados é o limão, principalmente em frango e peixes. Além da fruta, também estão na lista de aliados das carnes a pimenta, a cebola, o alho e as ervas aromáticas.

Alternativas para temperar

– Ervas aromáticas, como tomilho, orégano, alecrim e hortelã
– Pimentas
– Canela
– Laranja
– Gengibre

Os exagerados

Alimentos que, mesmo consumidos em pouca quantidade, podem fazê-lo ultrapassar o limite diário recomendado de sódio:
– Enlatados, como sardinha
– Embutidos, como salame, presunto ,queijo, linguiças e sopas em pacote
– Industrializados, como pizza congelada e salgadinhos
– Temperos e molhos prontos, como o shoyu

Os riscos

– Logo que ingerido, o sódio é levado para o sangue e ajuda no sistema circulatório. Uma de suas funções é o transporte de nutrientes.
– Porém, para permanecer saudável, o organismo precisa equilibrar a quantidade de água e de sódio em suas células.
– Quando há muito sódio, o corpo passa a acumular água para manter a proporção correta das duas substâncias.
– O problema é que, com muita água no corpo, o volume de sangue também aumenta, o que sobrecarrega o coração e eleva a pressão arterial.
– Além disso, o sódio provoca a contração das paredes de certos vasos sanguíneos, o que dificulta a circulação do sangue
– Esse quadro aumenta o risco de infarto do miocárdio, isquemia cerebral e insuficiência renal.

Como foi a pesquisa

– O grupo usou os dados da última Pesquisa de Orçamentos Familiares, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2003.
– Foram analisados 969.989 registros de compras de alimentos feitas por 48.470 domicílios. A partir daí, os pesquisadores dividiram a quantidade de sódio em cada alimento comprado pelo número de pessoas.
– O resultado final concluiu que os brasileiros ingerem mais do que o dobro da quantidade de sódio recomendada pela OMS.

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