Pesquisa comprova benefícios da sujeira ao sistema imunológico infantil

Quando presentes na superfície da pele, certos germes podem ajudar a reduzir inflamações
Quando presentes na superfície da pele, certos germes podem ajudar a reduzir inflamações Foto: Maurício Vieira

Para os pais ocupados demais para garantir que seus filhos estejam perfeitamente limpinhos o tempo todo, pode ser a matéria científica pela qual sempre esperaram.

Agora, eles vão poder responder aos cutucões de desaprovação de seus amigos mais meticulosos com dados de uma pesquisa que dá sustentação biológica ao velho ditado que diz que quanto mais cedo as crianças forem expostas a germes na primeira infância, melhor será seus sistema imunológico mais tarde.

Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia descobriram que ser muito asseado pode prejudicar a habilidade da pele de curar-se. A equipe, baseada em San Diego, descobriu que bactérias normais que vivem na pele são responsáveis por uma reação que ajuda a prevenir inflamações quando nos machucamos.

Esses germes amortecem respostas imunológicas hiperativas, que podem fazer com que cortes e arranhões inflamem ou levar a erupções na pele, de acordo com uma pesquisa publicada na edição online da publicação Nature Medicine.

– Na verdade, esses germes são bons para nós – afirmou o professor Richard Gallo, que liderou a pesquisa.

Espécie comum de bactérias conhecida como estafilococos, apesar de serem capazes de provocar infecções quando sob a pele são “bactérias boas” quando na superfície, onde podem ajudar a reduzir inflamações. No estudo com ratos e células humanas, os pesquisadores descobriram que esses germes tinham esse feito ao gerarem uma molécula que agia nos principais tipos de células encontrados na camada mais externa da pele.

As descobertas dão sustentação à hipótese higiênica surgida nos anos 1980, que sugere que a exposição a germes na primeira infância pode preparar o sistema imunológico para prevenir alergias. Essa teoria tem sido usada para explicar por que é cada vez maior o número de crianças em países desenvolvidos (onde sprays e lenços umedecidos antibacterianos são comuns) que sofrem de alergias como febre do feno (alergia ao pólen na primavera) e eczema. 

– A conclusão empolgante do trabalho é que ele fornece uma sustentação molecular para entendermos a hipótese higiênica – afirmou o professor Gallo. – Isso pode nos ajudar a desenvolver novas abordagens terapêuticas para doenças inflamatórias da pele.

De acordo com a entidade Allergy UK, as taxas de alergia triplicaram no Reino Unido na última década, com uma em cada três pessoas sendo afetada. O grupo de pais Parents Outloud, que defende que as crianças não sejam mimadas nem neuroticamente limpas por regras de saúde e segurança, deu boas-vindas à pesquisa.

– Tomara que pesquisas assim ajudem os pais a se darem conta de que é natural e saudável que as crianças brinquem ao ar livre e fiquem sujinhas, e que isso não faz nenhum mal à saúde delas – declarou a porta-voz da entidade, Margaret Morrissey.

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